Põe as tranqueiras de volta no baú
Passadas a histeria e obsessões de fim de ano e com a chegada no novo ano, que pra quase todos é apenas a mesma velha rotina que foi interrompida para festejar e prometer que tudo vai ser diferente, é hora de por as tranqueiras de volta no Baú. É sério. Sabe aquelas coisas que são esquecidas o ano inteiro e são resgatadas para decorar ou justificar nossas extravagâncias natalinas? Pois é. Voltam pro baú, caixas encima do guarda-roupas, quartinho da bagunça, lado menos usado do cérebro. Os pisca-piscas são os primeiros e os últimos: cafonice tão apropriada para o natal pagão, com suas primas bolas coloridas e outros símbolos de fertilidade voltam a ficar embaraçadas em nó-cego num canto bem sem acesso. As visitas cordiais, troca de presentes e um olhar mais alegre ao andar pela casa e pela rua voltam pro porão e são substituídas pela ansiedade da preocupação individualista em suprir as necessidades mais primitivas. Põe a harmonia no baú. A TV troca radicalmente o discurso do “Um mundo melhor” enquanto se olha o presépio cristão para “Escolha o insignificante mais imbecil para ganhar muita grana” enquanto sacia sua tara voyeurista de BBB e vê a vida pseudo-real e sexual de exibicionistas gananciosos ao mesmo tempo em que em sua vida nada acontece. Põe a dignidade no Baú. Os corais, tão requisitados, admirados e que se dedicaram a horas de ensaios para um repertório que só pode ser apresentado de 20 a 25 de Dezembro, voltam pro anonimato no porão da insignificância diante da ignorância que vem com a amnésia da burrice. Ouvimos, amamos, esquecemos. Põe o aprendizado no baú. Mas de tudo que se usa ao terminar o ano e se esconde quando ele recomeça é o sentimento de gratidão. Não falo da hipocrisia dogmática que cria rituais de gratidão à seres cósmicos e energias criadoras enquanto amigos, parentes, colegas e estranhos ficam com um panfleto convidando pra participar do mesmo ritual e mais nada. Falo de gratidão sincera e prática: àquele que te abriu a porta, que te sorriu, que te ensinou, te fez companhia, te apoiou, te divertiu, te inspirou te perdoou. Vai esperar onze meses para ser grato? No momento em que escrevo essa coluna estou ao lado do leito de um amigo no hospital que quase morreu pelos maus tratos de um certo médico do HGP. Felizmente teve seu caso transferido para um médico atencioso e bondoso. Em nome da família, amigos, atores e músicos cercam nosso amigo: Obrigado Dr. Pedro. CulináriaAusente por dois meses a Blitz não ficou sem xeretar os pontos gastronômicos da cidade e continua se achando no direito de recomendar, comentar e criticar. Não estou falando criticar feito o povo que acha absurdo um filme positivo sobre nosso presidente, mas fica vidrado nas porcarias da indústria americana que elevam seu presidente a posição de semi-deus e dono do globo. Falo da crítica amorosa e generosa que tem me gerado alguns narizes torcidos e perda de uma ou outra mesa favorita.Quem costumava ir ao Fogão à Lenha na região norte próximo ao hotéis vai ter um surpresa agradável ao visitar seu novo ponto que fica na Av. Teotônio Segurado onde outrora ficava o badalado Caranguejo's. Decoração elegante e ambiente muito aconchegante. O maior atrativo é a música: não te traz desejos homicidas; respeitando o motivo da ida a um restaurante que é comer, conversar e confraternizar o som é suave, quase imperceptível. Além do já conhecido buffet da hora do almoço que traz uma culinária basicamente mineira, a noite o cliente tem diversas opções À la carte, porções e uma certa variedade de vinhos. Atendimento cortês e, acreditem, os preços são populares. Não. Não tenho nada a criticar. Recomendo o local, como recomendo que usem discernimento e sabedoria na hora de se livrar de objetos, motivações e descobertas que fez durante as comemorações de fim de ano.
|