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CLAQUETE

por Douglas Nery

Publicada em 04/07/2011
 
 

Filme> As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)


Filme> As Virgens Suicidas (The Virgin Suicides)

Direção> Sofia Coppola
Roteiro> Jeffrey Eugenides (Romance) & Sofia Coppola

Elenco> Kirsten Dusnt, Kathleen Turner, James Woods, Josh Hartnett

Opinião> Na primeira cena do filme As Virgens Suicidas a câmera passeia por uma rua comum a qualquer cidade americana.  Belas casas, com jardins bem cuidados e árvores frondosas na frente – uma representação banal do modelo familiar americano, onde tudo parece ter saído de uma fôrma – são mostradas. Há uma tranquilidade presente no cenário, uma paz constante e densa, onde tudo lembra peças publicitárias para a representação máxima de uma felicidade idílica. A câmera para diante de uma das casas, não é qualquer uma, nela reside os Lisbons. E, como o título sugere e o narrador informa logo no início da trama, foram ali que as irmãs Lux (Kirsten Dusnt), Mary (A.J. Cook), Cecilia (Hanna Hall), Therese (Leslie Hayman) e Bonnie Lisbon (Chelsea Swain) tiraram a própria vida em menos de um ano. Em tanta perfeição, vislumbraremos as rachaduras na hora seguinte.

Apaixonado pelas vizinhas da frente, Tim (Jonathan Tucker) tenta, com um grupo de amigos, decifrar o grande mistério por trás da trágica morte das garotas. Onde foi que tudo começou? Por que elas fizeram isso? Existem culpados? Ou inocentes? Mas, como toda tragédia, existem mais perguntas do que respostas. Sofia Coppola além de inserir uma aura de mistério em torno dos Lisbons, também parece querer pincelar tudo com toques de uma tragédia grega. As irmãs quando surgem, passeiam languidas e etéreas, ninfas aquém do mundo e dos simples mortais que a cercam. É fácil entender e logo compartilhar da fixação dos jovens pelas meninas; as adolescentes são filmadas com um mistério nos gestos, nos sorrisos acompanhados de um olhar que parecem não fixar em nada e sim trespassar todas as coisas.  Há uma sensualidade natural e ingênua permeando suas personalidades intrigantes. São seres incomuns para a época, crianças adentrando a força o bosque escuro e desconhecido dos adultos. Infelizmente, os pais não enxergam isso, percebem que mudanças estão ocorrendo, mas no exterior, o perigo está fora, então é melhor manter todos seguros dentro dos muros do lar. Inconscientes que a mudança real é interior.

As Virgens Suicidas é um retrato amargo de uma juventude limitada por escolhas que não são suas, sufocadas por um puritanismo hipócrita e exacerbado. Como a história se passa na década de 70, o adolescente é um personagem novo na composição familiar; o que ele pensa e o que deseja ainda é uma novidade, e por essa invisibilidade não são ouvidos e sim, calados. Antes, só tinham que seguir os sonhos e planos dos pais, modelos prontos para serem copiados. A depressão ainda não é uma palavra corrente, e muito menos reconhecida pela sociedade. Logo, o que temos é uma ode a esta doença que permeia não só os jovens, mas adultos, velhos e até crianças no século XXI. E, mesmo com um tema tão delicado, tudo nesta produção é melancólico, poético, sensual, porque a juventude remete a tudo isso.

Sofia Coppola já traz, nesta primeira incursão atrás das câmeras, vários aspectos que seriam freqüentes em sua filmografia: a introspecção, a inércia da vida, a solidão e, o contraponto, a diferença que o outro pode fazer nas vidas de seus solitários personagens. Como a poesia de Carlos Drummond de Andrade, para Sofia não importa o caminho e sim a pedra que impede o trajeto do andarilho, ele tem a escolha de seguir por algum meio ou parar e desistir. Em As Virgens Suicidas, as irmãs Lisbons, infelizmente, escolhem a última alternativa. Nota> 10

 

Seriado> The Nine Lives of Chloe King – 1º Temporada
Criador> Dan Berendsen
Elenco>  Grey Damon, Skyler Samuels, Grace Phipps
País / Ano de Produção> EUA/2010
Canal> ABC
Dia> Terça
1º Temporada> 10 episódios.

Opinião> Nos primeiros minutos de Nine Lives of Chloe King, a protagonista é perseguida em um bosque, entra em uma torre, para logo em seguida ser empurrada e cair morta. Mas, como o título do seriado entrega, a garota tem outras oito vidas para gastar e é isto que quarenta minutos restantes tentará explicar sem muito sucesso. Baseado em uma trilogia de livros da escritora Célia Thomson, o New York Post disse que esta adaptação seria o Teen Wolf para garotas – convenhamos que nem isso é um elogio – no entanto ficou a impressão que estava assistindo algo que ficava entre Hanna Montana e Mulher – Gato (aquele filme bizarro com a Halle Berry).  Até a história é parecida – não que ela seja uma cantora nas horas vagas e sim uma descendente de uma deusa gata que agora deve lutar para defender os outros da sua raça. Fora que eu acho que todo episódio vai ser meio Penélope Charmosa em apuros, nada conseguiu me chamar atenção para os próximos episódios, além de achar o elenco sem conexão e apático. Há não ser que ocorram boas reviravoltas no decorrer da temporada, não fiquei curioso para saber como Chloe vai perder as outras vidas episódios a fora.

 




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