Thursday, 02 de July de 2020

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Entrevista

Martínez analisa a Copa: "Tivemos jogos abertos e emocionantes"

07 Jul 2014

Técnico do Everton, o espanhol Roberto Martínez está no Brasil como analista da ESPN desde a abertura da Copa do Mundo da FIFA 2014™ e acompanhou as 60 partidas disputadas até o momento.

Antes de voltar à Inglaterra para dar início à pré-temporada com seu clube, ele concedeu uma entrevista em profundidade ao FIFA.com. Entre os assuntos abordados, falou do fim de uma era para a seleção espanhola, das tendências táticas nesta Copa do Mundo e das chances do Brasil após a lesão de Neymar.

FIFA.com: Você descreveu esta como a melhor Copa do Mundo de sua vida. Por quê?
Roberto Martínez: Bom, estou focando exclusivamente no que se vê dentro de campo, então é pela garra, a abordagem positiva e o ímpeto em vencer os jogos. Houve uma grande preocupação em relação a como as seleções europeias iriam lidar com as condições climáticas, mas em vez de encarar isso de forma negativa, acho que todos decidiram tentar de verdade. Assim, se você não consegue o resultado não é por falta de uma abordagem corajosa — vimos pelas substituições que isso valeu a pena. Tivemos jogos abertos e emocionantes. Do ponto de vista tático, temos observado uma tendência diferente, com equipes tentando atuar com três jogadores atrás e se dando bem com isso. Pessoalmente, acho que a influência do Chile tem sido muito benéfica. De um ponto de vista neutro, acho que esses têm sido os melhores jogos para se assistir em uma Copa do Mundo.

Você acredita que essa abordagem dinâmica tem sido uma tentativa de combater o domínio espanhol?
Penso que sim. Todos chegaram à conclusão de que, se você quer competir com a Espanha, não pode ser com as mesmas armas, ou seja, tentando ter maior posse de bola ou jogando o jogo dela. A única forma de quebrar o estilo adotado pela seleção espanhola é sendo dinâmico, usando bem o contra-ataque e expondo a linha defensiva da equipe que tem a posse de bola. Vimos isso no Real Madrid, contra o Bayern de Munique, e em alguns lances cruciais em que certas equipes utilizaram a mesma abordagem para enfrentar o Barcelona. Acho que é isso que temos visto neste Mundial: uma pequena mudança na tendência de se aceitar que a Espanha era a melhor seleção naquilo que estava fazendo. Isso fez com que o jogo fosse encarado de forma completamente diferente em relação a quatro anos atrás.

Os resultados da Espanha têm trazido uma série de reações negativas, mas, com relação à nova geração de jogadores que vêm surgindo, há muitos motivos para se pensar positivo, não é verdade?

Não acho que tenha havido nada de negativo na Espanha. Houve uma grande decepção com os resultados, mas todos entendem que o Vicente del Bosque queria deixar o futebol decidir o momento da chegada da nova geração. Logo depois da tristeza pelo mau resultado veio a comemoração pela geração de ouro que foi apresentada não só para o futebol espanhol, mas para toda a comunidade do futebol. A conquista de três torneios de grande porte em sequência é algo que acho que não veremos novamente. O momento foi de tristeza, mas também de comemoração e gratidão pelo que esse grupo de jogadores fez. Agora, isso permite que a escola e a ideologia trazidas por eles continuem. É uma mudança de ciclo em termos de material humano, mas não na mentalidade e na forma de jogar, pois a nova geração tem se mostrado vencedora no sub-21 e existem substitutos que estão prontos para assumir a responsabilidade.

Várias seleções começaram atrás no marcador, mas acabaram virando o jogo. Isso se deve a essa abordagem positiva ou algumas delas têm tido dificuldade para manter o placar?
Acho que é um pouco dos dois, não é possível obter uma resposta clara em nenhum desses casos. As condições tiveram um grande papel no processo. O cansaço, principalmente o físico, afeta suas decisões e seu estado mental. Por isso, quando você realiza um grande esforço para ficar à frente no placar e depois acaba sofrendo um gol, fica muito difícil lidar com a decepção. Já a equipe que tinha saído atrás embala, e isso funciona com as condições que temos aqui na América do Sul e em localidades extremas como Manaus. É uma combinação das condições no continente e um pouco da parte psicológica de estar disputando uma Copa do Mundo. Fica mais fácil lidar com a adversidade quando você embala ao longo da partida.

Quais seleções souberam administrar melhor a vantagem quando estavam na frente?
É difícil dizer. O que a Argentina fez no jogo contra a Bélgica foi bastante impressionante. De um ponto de vista neutro, você tende a apreciar as equipes que assumem riscos e encantam, mas a seleção argentina impediu que a seleção belga oferecesse uma ameaça real. E isso não é nada fácil. A experiência que os belgas obtiveram irá beneficiá-los nos próximos anos, mas a forma como os argentinos administraram a partida mostrou que eles estão maduros o bastante para avançar no torneio.

Os holandeses têm sido os melhores em virar o jogo, tendo feito isso em três oportunidades. Você está ansioso em poder enfrentar o Louis van Gaal na próxima temporada?
Sim, estou ansioso por esse desafio. O Louis van Gaal é um técnico fantástico e vem mostrando isso há anos. Ele criou uma forma bastante específica de trabalho e isso tem influenciado vários treinadores. Sua experiência será um grande ganho para o Campeonato Inglês. Acredito que o Manchester United estará em muito boas mãos.

Você acha que esta Copa do Mundo vem demonstrando um maior senso tático também em nome dos jogadores?
A forma como os jogadores vêm evoluindo em qualquer federação ao redor do mundo nos últimos dez ou 12 anos indica um verdadeiro trabalho de dar senso tático, flexibilidade e noção de posicionamento a eles. Isso muda a forma como as equipes podem jogar e ajustar as diferentes formações. Não é algo que tenha acontecido apenas este ano, e sim algo que vem crescendo na forma com que desenvolvemos os jogadores. E isso não apenas na Europa, mas em todo o mundo. Os jogadores têm estado com a cabeça mais aberta, e sabem que todos precisam saber defender e atacar. Com isso em mente, é muito mais fácil ser flexível com seus sistemas tanto dentro das partidas quanto entre um compromisso e outro.

Existe muita empolgação acerca dos donos da casa. Você acredita que o Brasil possa ser campeão sem o Neymar?
É difícil. Às vezes, você precisa de um pouco de sorte em relação a quem está enfrentando. Será muito difícil para o Brasil enfrentar o adversário sem poder contar com o Neymar, já que os brasileiros são considerados favoritos. Já contra a Alemanha, todos devem concordar que eles podem assumir o papel de azarões. Mas não é só o Neymar, o Thiago Silva também está fora do jogo. Talvez isso dê um pouco de tempo a quem for substituir o atacante para encontrar uma forma de ser útil à equipe. O Brasil tem qualidade suficiente para vencer a Copa do Mundo sem o Neymar, mas isso certamente será muito difícil, pois ele tem sido impressionante e tem mantido viva a esperança dos torcedores, o que sempre ajuda. Ele é quem tem feito a diferença à frente do gol.

Conversamos sobre a influência que a Copa do Mundo pode exercer no futebol local. Como você, na condição de treinador, se mantém à frente das tendências?

Acho que a ideia não é estar à frente. Basta você ter certeza de que adotou a melhor tendência para seus jogadores. Mas é verdade que qualquer torneio da FIFA ou outro torneio de grande porte influencia os campeonatos nacionais, o que aconteceu após o último Mundial. O que vimos na África do Sul foi um verdadeiro entendimento em relação a tentar manter a posse de bola e basear o estilo de jogo nisso, enquanto o sistema 4-2-3-1 tem se tornado a nova forma de jogar. Agora, acho que vai haver uma verdadeira mudança nisso. Existe uma abordagem mais dinâmica, você precisa ser flexível em seu senso tático. Como treinador, você precisa encontrar o que serve para os jogadores, em vez de ficar tentando acompanhar a tendência em seu sistema de jogo. (Fifa)

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