Tuesday, 23 de July de 2019

ESPECIAL


A química da depressão

31 Jul 2008

Não são conhecidas ainda todas as causas da Depressão e talvez ainda demore muito tempo para essa tarefa ser concluída. Entretanto, pesquisas nessa área sugerem fortemente influências bioquímicas importantes para a regulação de nosso estado afetivo. Pesquisas recentes sugerem também a importância de fatores genéticos na Depressão.

Medicamentos antidepressivos, muito em moda ultimamente e um dos mais expressivos avanços da ciência na área cerebral nesse século, promovem uma significativa correção no nível dos neurotransmissores e, concomitantemente, também um ajuste na quantidade e qualidade dos neuro receptores. Dessa feita procura-se através de medicamentos, promover uma normalidade na bioquímica cerebral compatível com uma tonalidade afetiva mais harmônica.

Para explicar melhor sobre o assunto, de cunho essencialmente científico, entrevistamos uma das maiores autoridades locais em Depressão. O psiquiatra Emílio Vásquez atua em Palmas desde 1997, e recebeu a nossa equipe de reportagem em seu consultório, para falar um pouco sobre as causas, sintomas e tratamento da doença.

 

O GIRASSOL: O que é a Depressão?

Dr. Emílio: A depressão é uma doença do humor. A pessoa doente apresenta todas as suas funções normais, mas o lado afetivo é que está comprometido, e então vem a ansiedade, a auto-estima em baixa, uma profunda vontade de chorar, muitas vezes acompanhada de idéias suicidas. Quando se associam todos esses fatores, então podemos diagnosticar a doença.

 

E o que desencadeia essa doença?  

Não existe uma única causa. Podem ser um fator genético, alguns traumas, a formação da personalidade, até que chega uma hora que vem a gota d´água, que são as perdas, como uma pessoa da família, um emprego, uma mudança de situação, enfim, um trauma que pode ser o estopim. E aí a pessoa, como um apelo, responde a esses problemas de uma forma diferente.

 

Seria como um pedido de socorro?  

Isso. Na depressão seria como um retorno ao tempo de criança, e também chamamos a doença como o "choro dos adultos". É importante que se ressalte que a depressão é também chamada como a "doença da alma", pois a gente não vê os sintomas externos.

 

Como a família pode ajudar nesse caso?  

Primeiramente, a reação da família em relação ao paciente depressivo é pensar que ele não tem nada, que isso é apenas uma fase e que vai passar. Mas é muito importante que os familiares acompanhem de perto a pessoa depressiva, até mesmo incentivando a procurar ajuda.

 

O que difere o tratamento do psiquiatra e do psicólogo?  

O psiquiatra é um médico, e só ele pode receitar medicamentos para combater as mudanças químicas que acontecem no cérebro. O psiquiatra é o médico do comportamento. O psicólogo apenas orienta, e faz a psicoterapia ou o acompanhamento do quadro depressivo.

Um tratamento de depressão apenas com terapia não surte efeito. O tratamento farmacológico, acompanhado da terapia, isso sim, sem dúvida, se completa e poderemos obter bons resultados.

 

Quais os principais medicamentos utilizados no tratamento da depressão?  

Utilizamos os antidepressivos, que atuam na composição química do cérebro. Em alguns casos, notamos um alto índice de ansiedade, então associamos a esse tratamento, remédios ansiolíticos, que tratam basicamente dos quadros de ansiedade, observando que todo tratamento deverá ser administrado por pelo menos 8 meses.

 

Como se chega à conclusão de que uma pessoa está totalmente curada da depressão?  

Esse termo é muito discutido, porque em muitos casos os processos depressivos são crônicos. Eles são recorrentes, então diríamos que, para uma parte das pessoas, mesmo vivendo bem, aprendeu a pedir socorro dessa maneira. Eventualmente, numa nova crise traumática, ela pode ter uma nova crise depressiva. As pessoas que tem uma depressão de característica endógena, ou seja, de uma predisposição genética, têm uma tendência maior a usar o medicamento por um longo tempo, ou até mesmo pela vida inteira. Comparamos a depressão como o diabetes, em que a pessoa precisa monitorar o seu quadro permanentemente.

COMPARTILHE:


Confira também:


Editorial

Isolada, prefeita Cinthia perde o equilíbrio mirando no Palácio Araguaia

Na postagem desta segunda, a prefeita ataca o Palácio Araguaia. Sem meias palavras falou que o governo estava pegando carona na programação de férias nos eventos de Taquaruçu


  Blogs & Colunas



Entre nós

Virgínia Gama


Arquitetura & Design

Riquinelson Luz


Vida Plena

Valquiria Moreira


As Tocantinas

Célio Pedreira