Thursday, 09 de July de 2020

ESPECIAL


Em tempo de AIDS

24 Jul 2008

A AIDS, que em português significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, recebeu esse nome da expressão inglesa Adquirired Imunological Deficiency Syndrome. Trata-se de uma doença, causada pelo vírus HIV, que invade os glóbulos brancos, responsáveis pelas defesas do organismo.

O vírus multiplica-se dentro dessas células e acaba por destruir todo o sistema imunológico da pessoa. Com o organismo doente e completamente incapaz de se defender contra infecções comuns, como a pneumonia, a meningite, e as infecções intestinais, a pessoa acaba morrendo de uma dessas doenças, uma vez que seu organismo não consegue mais oferecer resistência.

Por ainda ser clinicamente incurável, a AIDS é a doença sexualmente transmissível (DST) mais perigosa. No Tocantins, foram notificados 297 casos de portadores de HIV e AIDS.

Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde, 71 pessoas morreram por causa da doença, entre 1988 e 2001. Outro fator preocupante é a faixa etária de pessoas contaminadas no Estado, que varia de 20 a 49 anos, o que sugere que a maioria dos portadores foi contaminada na adolescência e juventude.

Atento a essa realidade, o jornal O GIRASSOL preparou um material especial sobre as formas de prevenção da doença, os sintomas, as origens e os mitos que permeiam a maior enfermidade que atinge toda a humanidade. Neste caderno especial, o leitor estará a par dos principais avanços da ciência, além de conhecer as principais formas de contágio, depoimentos de pessoas portadoras da doença, relatos de autoridades locais sobre o assunto e, é claro, a providência do poder público no sentido de prover políticas de prevenção e tratamento à doença.

 

A ORIGEM

Estudiosos garantem que o vírus teve sua gênese no continente africano, por volta da década de 50. Originalmente, o vírus estava presente apenas em algumas espécies de macacos. Sobre a forma de como o vírus foi transmitido para o ser humano, ainda há uma grande interrogação.

Diagnosticada em 1981, os primeiros casos foram reconhecidos por causa do número incomum e alto de enfermidades como o Sarcoma de Kaposi e pneumonia por pneumocystis em homens jovens homossexuais. Embora essas síndromes fossem observadas ocasionalmente em diferentes grupos bem definidos da população, como homens idosos de origem mediterrânea (no caso do sarcoma de Kaposi), e pacientes cancerosos com grave imunocomprometimento (no caso da pneumonia por pneumocystis), a ocorrência destas doenças em pessoas jovens e saudáveis era sem precedentes.

Ao constatar-se que a maioria dos primeiros casos dessa síndrome clínica recém definida era de homens homossexuais, foi fácil correlacionar as causas desta nova doença com o estilo de vida desta população.

Em pouco tempo, casos da doença também foram descritos em outras populações, como toxicômanos (drogas por via intravenosa) e hemofílicos. No caso dos hemofílicos, isto estaria associado às preparações de sangue de um número imenso de doadores.

 

TRATAMENTO

Não há tratamento específico para a imunodeficiência adquirida, somente para as infecções oportunistas, tornando o prognóstico bastante sombrio e a taxa de mortalidade alta.

Hoje em dia, existem diversas possibilidades de tratamento disponível para as pessoas vivendo com o HIV/Aids. Mesmo assim, é muito importante saber que a Aids ainda não tem cura, e que o diagnóstico precoce ainda é a melhor saída para as pessoas que são portadoras do vírus HIV, já que quanto antes forem iniciado os acompanhamentos médicos, maiores são as chances de se prevenir de doenças oportunistas e de manter uma boa qualidade de vida.

 

DIAGNÓSTICO

Para detectar o HIV é necessário fazer um teste de sangue em laboratório. Hoje, o exame pode ser realizado sem prescrição médica nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) e em diversos serviços de saúde pública de Palmas e das principais cidades do Estado. Além disso, muitos laboratórios particulares aceitam realizá-lo sem prescrição.  

Os CTAs contam com médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais que acompanham a pessoa antes e depois do exame. Tudo é feito de maneira sigilosa e gratuita.

O exame é feito por meio da coleta simples de sangue, com material descartável, e não é preciso estar em jejum. É importante, ainda, que o exame seja feito de 3 a 6 meses depois de uma situação em que o indivíduo possa ter estado exposto ao vírus. Normalmente se o teste é feito antes deste período, o resultado pode ser um falso-negativo.

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