Thursday, 09 de April de 2020

ESPECIAL


História

Estrada da integração, um marco para o Tocantins

24 Jul 2008

O estradão Belém-Brasília veio mudar completamente a realidade sócio-econômica da região Araguaia-Tocantins. O fluxo migratório não parou mais de crescer. Na década de 60, as terras ainda eram adquiridas quase por um valor simbólico. Muitos caminhões de carga voltam carregados de minérios, tora de madeiras e bananas para o Sul do país. O vale do Araguaia-Tocantins começa a mostrar-se dotado de extraordinárias potencialidades - terra, água, minério, fauna e flora-, mas carente de infra-estrutura social e econômica, onde a miséria, a doença e a ignorância convivem secularmente com gerações e mais gerações de analfabetos. O descaso secular das autoridades do Sul de Goiás, compartilhada por uma elite polítca serviçal, é motivo maior da nossa pobreza.

As vantagens advindas com a Rodovia Belém-Brasília são os fluxos migratórios que se adensam nos distantes sertões, onde a convivência diária com antigos moradores foram alterando modos de vida. As derrubadas indiscriminadas e a expulsão de antigos moradores - chamados de 'posseiros' - também alteraram o ritual de vida dos sertanejos, que antes tinham na caça, pesca e extrativismo vegetal a sua labuta diária. Desconhecendo seus direitos de posse, ou alheios a suas garantia legais, o sertanejo arriba com a sua família para as comunidades que estão se formando ao longo da Belém-Brasília - e agora em Palmas, a nova capital - ficando para trás o latifúndio de pastagens artificiais financiadas pelo Governo.

A estrada Belém-Brasília provocou mudanças profundas na família sertaneja. Usos, costumes e tradições são fracionados com a gente do Centro-Sul do país. Na margem da nova estrada, ou na nova capital, a população flutuante sonha com o futuro da família: escola, saúde e emprego. Enquanto as populações ribeirinhas deslocam-se para as margens da estrada, o migrante com algum dinheiro, adentra os sertões solitários para fincar a propriedade rural, com novidades para toda a ribeira: o trator, ou gado de raça. Com sua população economicamente ativa reduzidíssima, o sertanejo vai sendo expuso de sua ribeira de caça, pesca e extrativismo vegetal, para os novos núcleos urbanos da Belém-Brasília. E os imensos latifúndios improdutivos, mas com título de propriedade, cercados de arame e pastagens, traçam o perfil da especulação do mercado imobiliário do futuro.

O desafio regional continua sendo incorporar imensas áreas vazias no processo de desenvolvimento. O sertanejo fica sem entender o vai-e-vem de homens e máquinas. Falam em Zoneamento Econômico Ecológico, em recursos florestais e históricos, mapeamento geológico, direitos de cidadania com infra-estrutura econômica, para que possam ser transformados em riqueza efetiva. Aos poucos a imagem do Norte vai deixando de ser a de 'peso morto' e 'gigante deitado na riqueza latente'. Com a chegada da energia de Tucuruí (PA), vias terrestres, aeroportos, rede de telecomunicações e incentivos fiscais e financiamentos da Sudam, através do banco da Amazônia, o setor privado é convocado para a expansão econômica.

Há vários estabelecimentos de crédito na região, ao contrário de antes da abertura da Belém-Brasília, quando o nortense dispunha só de duas agências do Banco do Brasil: a do Novo Descoberto (hoje Porangatu) e a de Carolina, no vizinho Maranhão do Sul. Embora ainda tímido nas qustões econômicas, o nortense já começa a se envolver com as sua entidades não-Governamentais para questionar os problemas e as soluções locais, pensando no futuro da região e em uma melhor qualidade de vida para a população. A instalação dos primeiros parques industriais (Araguaíana e Gurupi) para beneficiar a matéria-prima local foi resultado de uma luta reginal contra os poderosos do Sul de Goiás. O SENAI, em Araguaína e Gurupi, e as escolas agrotécnicas, em Pedro Afonso e Araguatins, qualificam a força de trabalho para o crescimento econômico. Está em curso um intenso processo de ocupação dos espaços vazios na beira das estradas. As lideranças empresariais já sentem um mercado competitivo e querem contribuir na geração de riquezas para o resto do país e mesmo do exterior.

Enquanto sobre a Belém-Brasília crescem e se desenvolvem seus centros populacionais, os barco-motores são retirados de circulação. As linhas hidroviárias Porto Nacional - Lajeado, Tocantínia - Pedro Afonso - Carolina, Carolina -Tocantinópolis - Belém são desativadas. Com o estradão, a pata de boi invade os babaçuais, que passam a ser vítimas das queimadas. E o babaçu - 'o boi vegetal'-, como seus 80 subprodutos, como óleo comestível ou industrial, álcool, borra, carvão ativado, torta para ração animal etc. Vai dando espaço ao "desenvolvimento" da Sudam ...

Mesmo assim o estradão ligando o Centro-Oeste com a orla marítima do Norte transformou-se em área de nova fronteira em desenvolvimento. As novas propriedades rurais deixaram de lado o gado vacum pé-duro, que substituído pelas raças gir e nelore, que crescem rápido em peso-carcaça. Enquanto o eixo Belém-Brasília cresce e se desenvolve, muitas ribeiras do Araguaia-Tocantins ainda continuam entrelaçadas com seus feudos políticos de currais eleitorais... em contraste com novos povoadores de mentalidade arejada, informados sobre o que acontece além da estrada de rodagem. (Fonte: Jornal O ESTADO DO TOCANTINS).  

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