Saturday, 07 de December de 2019

ESPECIAL


Para cada homem infectado, há uma mulher contaminada em Palmas

24 Jul 2008

Geralmente os portadores do HIV se organizam em associações para tentar diminuir os problemas recorrentes da AIDS, inclusive o principal deles: preconceito. Em Palmas, o único grupo neste sentido já não existe mais. Os soro-positivos contam apenas com o apoio do Estado, que é responsável pela distribuição de remédios, dentre outras coisas. O infectologista Alexandre Janotti, que trabalha com pacientes infectados pelo vírus e em tratamento da AIDS, atualmente presta serviços ao Núcleo de Assistência Henfil, em Palmas. O especialista garante que, para cada homem, há uma mulher infectada na Capital. Alexandre recebeu a equipe de reportagem de O Girassol para falar um pouco sobre o tratamento ao paciente de HIV e AIDS em Palmas.

 

O Girassol: Quando uma pessoa descobre que está contaminada com o vírus, mas seu organismo está saudável ela deve procurar o tratamento mesmo assim?

Alexandre: Bem, isso depende de vários parâmetros que usamos para indicar o tratamento. Basicamente, o tratamento é iniciado quando se detecta uma queda grande de células linfócitos CD4 positivo, que são células do sistema imunológico destruídas pelo HIV. Existem em torno de mil células por milímetro cúbico de sangue numa pessoa saudável. Em uma pessoa com AIDS esse número vai caindo ao longo dos anos e hoje costumamos iniciar o tratamento quando as células caem abaixo de 350.

 

O Girassol: Quais são os primeiros sintomas da doença quando a pessoa começa a perder imunidade?

Alexandre: A pessoa pode ter uma doença oportunista, como por exemplo a tuberculose, de uma forma mais complexa do que se vê na população normal. E com o agravamento da imunodepressão do organismo, que são o emagrecimento, diarréia, febre, etc.

 

O Girassol: Os remédios específicos para o HIV já estão disponíveis para a população doente de forma gratuita?

Alexandre: Sim, qualquer pessoa em acompanhamento médico recebe gratuitamente a medicação adequada para cada diagnóstico específico.

 

O Girassol: Quantos remédios uma pessoa tem que tomar diariamente?

Alexandre: Existem tratamentos de 2 comprimidos diários, há casos de 4 por dia e nos mais complicados, até 12 comprimidos, sendo que só o médico pode indicar o tratamento adequado para cada paciente.

 

O Girassol: Quantos medicamentos existem hoje no mercado?

Alexandre: Em torno de uns 12 medicamentos.

 

O Girassol: Existe algum efeito colateral nos medicamentos?

Alexandre: Todos eles têm efeito colateral. Alguns podem causar Hepatite, Pancreatite, outros causam problemas na medula óssea. Claro que existe uma reação individual de pessoa para pessoa.

 

O Girassol: Existe alguma entidade não governamental em Palmas de portadores do vírus?

Alexandre: Não. Teve uma tentativa de um grupo de pessoas, chamado de Grupo de Apoio Positivo, que funcionou por mais ou menos um ano, e que não existe mais.

 

O Girassol: Qual a sobrevida de uma pessoa portadora do HIV?

Alexandre: Depende da fase em que é feito o diagnóstico. Uma pessoa que descobre o vírus através dos exames de triagem, a sobrevida é de mais de 100% em cinco anos.

 

O Girassol: Qual a maior incidência de casos de pessoas infectadas em Palmas?

Alexandre: Em Palmas, para cada homem infectado existe uma mulher contaminada.

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