Tuesday, 23 de July de 2019

ESPECIAL


Proerd: a prevenção como alternativa

31 Jul 2008

"Jogue essa latinha agora no lixo, beber faz mal". Esse foi o alerta que Leila Messias recebeu de sua filha de 9 anos, Ítala Mayara Messias, uma das primeiras alunas do Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência). Segundo a funcionária pública, a "bronca" a fez refletir um pouco sobre os hábitos e "incentivos" que os pais muitas vezes, involuntariamente, comentem na frente dos filhos. "É claro que obedeci à ordem de imediato", reconheceu a mãe. O Proerd foi implantado há dois anos pelo tenente-coronel Marielton Francisco dos Santos. Palmas foi escolhida para dar o pontapé inicial de um programa ousado e com efeitos a longo prazo. De acordo com o depoimento de Leila, percebe-se que o prazo pode ser ainda mais curto do que se imagina. Segundo Marielton, a idéia inicial era de expandir o Proerd para todo o Estado, mas devido a algumas dificuldades o sonho teve de ser engavetado por quase 1 ano e meio.  

O Proerd saiu definitivamente da gaveta há quase 1 mês e desde então as principais escolas estaduais e municipais das cidades de Araguaína, Gurupi, Palmas, Paraíso e Porto Nacional já contam com ele na grade curricular das disciplina cursadas. "O nosso trabalho é preventivo e de cunho educacional continuado", revela Marielton. De acordo com o coordenador todos os esforços e trabalhos do programa estão concentrados para que a criança ou adolescente não tenha o primeiro contato com a droga, seja ela lícita ou ilícita. Hoje, mais de cinco mil alunos estão aprendendo de forma prática e criativa técnicas e respostas gentis para dizer não às drogas.

Os instrutores do Cefap (Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças) são os responsáveis diretos pelo trabalho de conscientização no combate às drogas. Uma vez por semana os instrutores - que são policiais - aplicam lições da cartilha do Proerd aos alunos. No decorrer de 6 meses, são aplicadas 17 lições, cada uma com temas diferentes. Filmes, dinâmicas de grupo e desenho em papel são algumas das metodologias usadas em sala de aula."Fazemos com que cada aula seja mais interessante do que a anterior e percebemos que as crianças ficam ansiosas para as seguintes", explica Marielton. Como o programa está em fase de implantação não se tem uma noção prática de seus resultados, mas assim como a aluna Ítala Mayara,, que chamou a atenção da mãe, outros alunos fazem o mesmo.

Além de multiplicadores no combate às drogas, são até fiscais da escola. Marielton Francisco conta que os aprendizes estão sempre apontando aos instrutores os possíveis colegas suspeitos de usar drogas. "Como nosso trabalho é preventivo convidamos o 'indicado' e tentamos ajudá-lo; não conseguindo, encaminhamos para psicólogos. A família da criança também recebe a nossa visita", argumenta.Para os especialistas, a idade limite da fase de criança compreende dos 9 aos 13 anos. Neste período elas estão diante de uma fase de profundas transformações, portanto é a faixa-etária ideal para se trabalhar valores, auto-estima, aceitação no grupo ou "tribo" que passam a formar a partir de então.

As turmas do Proerd compreendem justamente essa faixa-etária, mais especificamente os alunos das 4ª séries. Há casos, por exemplo, em que alunos de 18 anos estão matriculados nas 4ª séries; nestes casos os instrutores mantêm vigilância mais direcionada, evitando assim que este tipo de aluno influencie os demais. As crianças que têm muita energia e gostam de chamar a atenção dos colegas também recebem tratamento diferenciado, mas de uma outra forma: ajudando os instrutores que costumam convidá-los para segurar cartazes e auxiliar no quadro-negro. O agradecimento vem em forma de elogio e incentivo do tipo "você é excelente, parabéns". Mesmo recente, o programa vem chamando a atenção de outras instituições. Entre elas estão escolas particulares. A maioria dos centros educacionais particulares da Capital já enviou ofício ao coordenador do Proerd solicitando a implantação do programa nestas escolas. A previsão é de que o pedido seja atendido em agosto próximo

 

Reconhecimento internacional

O vice-ministro americano de assuntos internacionais de entorpecentes, James Jack, em sua última visita ao Brasil manifestou interesse em conhecer o Proerd de perto. No mês de março ele e sua comitiva vieram entregar ao secretário de Segurança Pública, Napoleão Sobrinho, kit's para serem usados no combate ao narcotráfico. Na ocasião, James Jack visitou as Escolas Paulo Freire e Anne Frank e se disse estar encantado com o trabalho desenvolvido pelos policiais.

A Embaixada Americana foi a responsável direta pelo financiamento dos recursos aplicados na formação da primeira turma de instrutores do Proerd, ainda no ano de 2000. Através do repasse, especialistas de várias partes do País vieram à Capital ministrar curso de reciclagem a uma equipe de policiais do Cefap, que iria trabalhar no programa. Em sua visita James Jack foi homenageado com uma placa de honra ao mérito pelos relevantes trabalhos que vem prestando ao Proerd. ProerdO Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência) foi implantado inicialmente pela polícia de Los Ângeles, U.S.A.

A polícia daquele Estado norte-americano firmou parceria com as escolas após descobrir que só a ação repressiva e punitiva não resolvia o problema de combate às drogas. Paralelo à repressão, foi feito então um trabalho de cunho educativo junto às escolas. A longo prazo, as autoridades perceberam que a uso das drogas diminuiu e a criminalidade também.O Tenente-coronel Marielton Francisco dos Santos é o responsável pela implantação do programa no Tocantins. Há dois anos ele fez uma experiência piloto na Capital que deu certo. Em 2002 o programa voltou a ser implantado por definitivo. O custo do Proerd é praticamente zero. Gasta-se apenas camisetas, cartilhas e material de expediente. Marielton frisa que o programa não é passageiro, mas é necessário o envolvimento, além da polícia, da família e dos professores. "O custo do programa é ínfimo diante dos benefícios que ele trará à sociedade". No término de cada curso os alunos recebem um certificado e fazem um juramento de nunca usarem drogas.

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