Monday, 01 de June de 2020

ESTADO


Seminaristas

Além da vocação, tem que haver muito estudo

13 Aug 2008

Em visita ao Brasil, mais especificamente a Palmas, padre Luciano Zilli, que atualmente reside em Israel, recebeu a equipe do jornal O GIRASSOL para uma conversa na qual foram discutidos temas como sacerdócio, celibato e as dificuldades dos cristãos em Israel.

Seguindo a tradição familiar enraizada na Igreja Católica, Luciano descobriu sua vocação para o sacerdócio entre os 12 e 13 anos de idade. A partir daí, passou a realizar trabalhos voluntários até que, aos 20 anos, recebeu um convite do italiano Frei Carlo para vir a Porto Nacional, onde ingressou no seminário.

O seminário é um período de oito anos, durante o qual os futuros padres se dedicam ao estudo e à descoberta da sua verdadeira vocação. “A Igreja acredita que a vocação é um dom de Deus”, afirma padre Luciano, justificando o longo período que os seminaristas percorrem até ser ordenados sacerdotes.

Durante os oito anos, os seminaristas cursam duas faculdades, uma de Filosofia, que, segundo o padre, leva o homem a pensar, despertando para a religião; e Teologia, que, segundo ele, é onde o seminarista aprende as doutrinas, o patrimônio cultural e teológico da Igreja. “Esse período possibilita o rapaz ter certeza de sua vocação, já que à medida que atinge certa idade, passa a ter respostas mais concretas”, explica o padre.

De acordo com padre Luciano, nem todos que ingressam no seminário concluem e tornam-se sacerdotes. Muitos percebem que não têm a vocação para o sacerdócio e acabam deixando o seminário por questões, principalmente, relacionadas ao celibato que, apesar de já estar sendo discutido - mas aparentemente uma realidade muito distante -, ainda é obrigatório.

De Porto Nacional, padre Luciano foi para Roma, estudar três anos de Teologia. Segundo ele, quase metade dos seminaristas que estudam em Roma é da América Latina. Dos 280 seminaristas que estudaram junto com ele, 70 eram brasileiros. O padre concluiu o seminário em 2005, quando foi ordenado sacerdote e, de lá, ingressou no mestrado em Ciências Bíblicas em Israel. Dentro do curso, são estudadas duas linhas de pesquisa, Arqueologia Bíblica e Lingüística, que trata do estudo dos textos bíblicos originais. “Estar lá, nos lugares onde aconteceram as passagens que são relatadas nas sagradas escrituras, perceber as condições climáticas e acompanhar de perto a cultura local é um grande diferencial e torna o estudo mais aprofundado”, acrescenta padre Luciano.

 

Cristianismo em Israel

De acordo com padre Luciano, menos de cinco por cento da população em Israel é cristã. E, ainda assim, o Catolicismo é ramificado entre o rito latino e grego. O padre explica que, dentro de um mesmo templo, os espaços para cada ramificação são delimitados e devem ser respeitados. Mas padre Luciano afirma que os conflitos entre cristãos são poucos. Já, com relação aos judeus e muçulmanos, os cristãos sofrem diversos tipos de preconceito e perseguição no país. Segundo ele, o simples fato de se usar um colar com uma cruz, que é o símbolo do Cristianismo, já é suficiente para que os cristãos sejam desprezados. Os judeus e muçulmanos não podem se sentir afrontados. É proibido aos cristãos pregar o evangelho ou usar a Bíblia fora do templo. “Procuramos manter um diálogo religioso pacificador”, explica o sacerdote.

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