Thursday, 02 de April de 2020

ESTADO


Alerta

Mulheres indefesas contra o HPV no Estado

24 Sep 2008

Aproximadamente 0,5% das mulheres contaminadas pelo Papiloma Vírus Humano (HPV) podem desenvolver o câncer no colo do útero. O número parece não assustar, mas a doença tem registrado grande número de notificações junto aos órgãos competentes do Estado. De acordo com o Núcleo de Assistência Henfil em Palmas, cerca de 200 casos de condiloma (lesão verrugosa provocada pelo HPV) foram notificados no ano passado na Capital. De janeiro a agosto deste ano, já foram detectados mais 130 novos casos. Antes considerada “incurável” a Doença Sexualmente Transmissível (DST) passou por grandes estudos em todo o mundo, sendo aprovada no Brasil a primeira vacina quadrivalente contra a doença.

O medicamento Gardasil é capaz de evitar a transmissão dos papilomavírus de complexo 6, 11, 16 e 18.  Os chamados papilomavírus provocam 90% das verrugas genitais e 70% dos casos de câncer de colo do útero. A vacina, fabricada pela Merck Sharp & Dohme, já havia sido licenciada em junho nos Estados Unidos, e agora foi liberada também pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser aplicada em mulheres de nove aos 26 anos.

O Tocantins ainda não dispõe da vacina na rede privada. Uma pesquisa dentre as principais redes de farmácias e distribuidoras da capital constata a falta do medicamento e a desinformação quanto à previsão de estocagem. No restante do país, a vacina já é comercializada e pode ser encontrada em clínicas de imunização ao custo médio de R$ 450. Não há previsão também para a disposição do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS).

O medicamento é ministrado em três doses, aplicadas num período de seis meses, e mostra-se eficaz em 99% das lesões pré-cancerosas, em 70% dos condilomas anogenitais e em 80% em caráter preventivo. A vacina além de contribuir para o tratamento da infecção, pode ajudar também a diminuir os casos de câncer de colo uterino.

Janaína (como prefere ser chamada) está, há três meses, tratando, no Centro de Testagem e Aconselhamento de Palmas (CTA), da infecção que acometeu sua genitália perivaginal. “Tive muito medo de que o problema evoluísse para um o câncer. Estou mais tranqüila em saber que logo, logo, poderei exterminar de vez esse vírus”. Janaína afirma que a doença influenciou também no seu psicológico. Segundo ela, após a detecção da infecção, teve que passar por diversas sessões de terapias para se livrar da depressão. “No início me sentia suja, incapaz de voltar a ter uma vida sexual ativa e saudável”, diz. Hoje, Janaina diz poder enxergar “um fio de esperança no tratamento definitivo do HPV” através da vacina.

 

Especialistas explicam a doença que aflige milhares de brasileiros

O condiloma é considerado o principal vilão do câncer no colo do útero. Mas, de acordo com o médico-cirurgião João A. Aleixo, “as verruginhas não significam evolução do câncer”. “O diagnóstico de HPV pode assustar a paciente. Mas cada caso é um caso. Não é porque foi diagnosticada a doença que esta irá evoluir a câncer”. Para ele, o tratamento médico é indispensável após o diagnóstico da doença. Sobre a resposta ao tratamento, o médico explica que, dos 100 subtipos de HPV, quase todos podem “não responder ao tratamento” dependendo do grau da infecção. “Em casos simples, fazemos o tratamento com ácido tricloroacético (ATA). Outros subtipos disponíveis para condilomas são: crioterapia, eletrocoagulação, podofilina, e exérese cirúrgica - a depender de cada lesão”. Aleixo ressalta ainda que o diagnóstico precoce pode evitar o câncer e outros problemas decorrentes da infecção. “Cerca de 90% dos casos detectados precocemente podem ser resolvidos sem agravos”, ressalta.

Sobre o tratamento da lesão, o médico-infectologista diz que atualmente não há cura contra o HPV, apenas o tratamento superficial. “Efetivamente não há tratamento curativo, pois o código genético do HPV (genoma) é incorporado no núcleo das células infectadas. Apenas conseguimos eliminar as células mais superficiais da pele através de cauterização química ou elétrica. As células infectadas das camadas mais profundas da pele não são eliminadas e as lesões poderão reaparecer”, explica.

 

 

Confira a entrevista com o infectologista Alexandre Janotti

 

O que é o HPV - Papiloma Vírus Humano?

É um vírus que causa alterações celulares da pele levando à formação de tumores que crescem na forma de verrugas, mas eventualmente as lesões podem assumir outras formas, como lesões planas no colo do útero e no pênis. Podem causar verrugas em qualquer parte da pele do corpo, mas alguns tem predileção pelo revestimento de áreas dos genitais.

 

Há vários subtipos de HPV. Há tratamento a todos esses subtipos ou há aqueles que necessitam de um tratamento especializado?

Efetivamente não há tratamento curativo, pois o código genético do HPV (genoma) é incorporado no núcleo das células infectadas. Apenas conseguimos eliminar as células mais superficiais da pele através de cauterização química ou elétrica. As células infectadas das camadas mais profundas da pele não são eliminadas e as lesões poderão reaparecer.

 

No caso do condiloma uterino, quais as complicações que a mulher sofre ao procurar tardiamente o tratamento?

Algumas cepas (tipos) do HPV têm a capacidade de transformar as células infectadas em células neoplásicas (malignas) originando um câncer.

 

Quais as formas de detecção desse câncer?

Uma vez detectada a presença do HPV, seja pelo aparecimento de verrugas, seja pelo rastreamento de células infectadas no exame de Papanicolau, a mulher dever fazer o exame colposcópico inicial e manter os exames ginecológicos regulares que poderão detectar lesões suspeitas de câncer bem no início, e assim possíveis de serem retiradas sem qualquer complicação.

 

Os casos de HPV têm registrado números consideráveis de notificações em Palmas?

Sim, é uma das DSTs mais comuns, estando apenas atrás do herpes em número de casos novos.

 

Como é feito o tratamento nos casos de cirurgia em mulheres portadoras de condiloma - HPV?

Através de cauterização química (aplicação de ácido tricloroacético) ou elétrica (com bisturi elétrico). Obviamente, em casos raros de lesões maiores tem que se fazer uma cirurgia convencional.

 

Há outras patologias que podem evoluir através da contaminação com o HPV? Quais?

Sim, podem ocorrer lesões cancerígenas em pênis e ânus.

 

A Anvisa aprovou recentemente a liberação da vacina quadrivalente contra o HPV, capaz de evitar a transmissão dos papilomavírus. Quando essa vacina poderá chegar aqui na capital?

Sei que um parlamentar já elaborou um projeto de lei para a vacina chegar ao SUS. Mas a vacina ainda é muito cara e os seus benefícios em grande escala ainda não estão comprovados.

 

A aplicação da vacina pode ser realizada em quais perfis de mulheres?

Em todas as mulheres que estão para iniciar ou recentemente iniciaram atividade sexual. Infelizmente não funciona para mulheres que já apresentaram o HPV. Essas devem manter os exames ginecológicos preventivos regulares.

 

Estudos mostram que, mesmo com o tratamento, o condiloma pode reaparecer. A vacina pode inibir a re-manifestação do condiloma – HPV?

Infelizmente não.

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