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Pesquisa aponta que maior parte dos usuários de drogas tem problemas com o crack

05 Jul 2018    17:43    alterado em 05/07 às 17:44
SECOM Pesquisa aponta que maior parte dos usuários de drogas tem problemas com o crack A pesquisa começou a ser aplicada em março deste ano, visando subsidiar ações que efetivem as políticas públicas sobre drogas

Para subsidiar ações que efetivem as políticas públicas sobre drogas, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju), por meio da Diretoria de Direitos Humanos e sua Gerência de Ações Sobre Drogas, traçou o perfil do usuário de drogas atendido nas comunidades terapêuticas do Tocantins. Ao todo, 11 comunidades terapêuticas foram pesquisadas, dentre elas, cinco são conveniadas à pasta e ofertam tratamento para pessoas envolvidas com álcool e/ou outras drogas.

A pesquisa começou a ser aplicada em março deste ano, como explica o gerente de Ações Sobre Drogas, José Américo Júnior. “Os questionários foram aplicados por colaboradores e respondidos de forma voluntária pelos acolhidos para manter o sigilo de identidade e a garantia da individualidade de cada um. Trabalhamos com a população de 110 atendidos em 11 comunidades espalhadas pelo Estado”, informou.

O levantamento entrevistou homens e mulheres entre 17 e 60 anos e apontou que a maior parte dos atendidos são jovens, com idades entre 26 e 35 anos, de escolaridade fundamental incompleta, de baixa ou nenhuma renda. Outro aspecto da pesquisa verifica que a maior parte dos entrevistados tem problemas com o crack, sendo negros ou pardos. “Há indícios de que o tabaco e o álcool, seguidos pela maconha, são as primeiras substâncias psicoativas consumidas por um adolescente, que poderá se tornar um propenso usuário de crack”, diz José Américo Júnior.

O dado apresentado é confirmado quando a pesquisa indica que o início do uso de drogas pelos entrevistados foi entre os 14 e 18 anos de idade, com consumo associado de crack, álcool e maconha e também que tinham alguém da família que já apresentava problema com outras drogas.

“São muitas as situações que levam um indivíduo a se envolver com álcool e outras drogas, então compreender e aprofundar o perfil do usuário nos auxilia a enxergar a complexidade do seu cotidiano e no direcionamento da aplicação das políticas”, elucida José Américo, reiterando a importância do trabalho realizado. “Com a pesquisa, conseguimos identificar as vulnerabilidades vividas pelos atendidos. O contexto social do assistido é ferramenta fundamental para o desenvolvimento das ações”, complementa.

O levantamento aponta ainda que o primeiro contato com a droga veio por meio de amigos ou colegas e que 95% deles procuraram ajuda e tratamento por vontade própria. “Um dado preocupante da pesquisa é que quase metade dos atendidos teve ideação suicida em algum momento, por isso mantemos o Núcleo Acolher, que oferece auxílio psicológico, fundamental no desenvolvimento do nosso trabalho”, expõe.

Núcleo Acolher

O Núcleo de Atenção à Pessoa com Dependência Química é um projeto da Seciju que funciona desde junho de 2016. Seu objetivo é oferecer recuperação do dependente químico, por meio de atendimento e orientação especializada, bem como inclusão nos grupos de ajuda mútua, articulação dos serviços públicos, a fim de possibilitar a reinserção social. Para fazer esse trabalho de acesso às famílias, o Núcleo conta com equipe multiprofissional com psicólogos, assistentes sociais e enfermeiros.

Vagas Sociais

Outra ação do Estado para amparar as pessoas com maior vulnerabilidade socioeconômica é a oferta de atendimentos gratuitos em Comunidades Terapêuticas de Álcool e Drogas. O intuito é dar condições para a recuperação de pessoas que precisem de tratamento e estejam em vulnerabilidade socioeconômica. Para isso, foram estabelecidos critérios de inclusão do dependente químico para seu tratamento e recuperação.

Ao todo, são ofertadas 40 vagas em cinco instituições, sendo elas a Fazenda da Esperança com unidades em Palmas, Lajeado e Porto Nacional; a RHEMA, no Setor Taquari, em Palmas; e a Leão de Judá, na saída para Aparecida do Rio Negro, também na Capital. As comunidades terapêuticas trabalham com foco na recuperação psicológica e espiritual a fim de recuperar o dependente químico e resgatar a confiança para transformar a si e a sua própria vida.



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