Saturday, 14 de December de 2019

ESTADO


Olimpíadas 2008 III

Rito de passagem do comunismo para a produção capitalista

21 Aug 2008

A maior mudança das últimas décadas no país é, sem dúvida, a recente adoção de filosofias de vida, hábitos de consumo e modos de produção completamente capitalistas diante de uma herança comunista da Revolução Cultural de Mao Tsé-Tung. A China hoje exala esse rito de passagem e isso pode ser visto no cotidiano. É a transição do regime comunista para o “consumista”, como bem traduziu minha irmã que me acompanhava na viagem.

Impossível passar incólume, por exemplo, pela parte central da cidade Xian (veja foto acima), antiga capital chinesa, e ver suntuosos shoppings para milionários próximos uns dos outros. Nas vitrines, as melhores grifes européias e americanas, como Prada, Gucci, Giorgio Armani, expostas de forma tão sedutora que nem a “popular” Nova Iorque ousaria: ao som de piano, tocado por uma bela jovem chinesa, que às 10h da manhã vestia um longo vestido preto.

Vazios, os shoppings estavam ali, lindos, assustadoramente lindos. Naquele contexto, a pergunta era simples: onde estão os endinheirados para manter aqueles gigantes? Seriam eles os mesmos que controlam os canais de comunicação estatais e que determinam a censura a 10% dos sites em Beijing?

A economia do país vai bem, com invejáveis taxas de crescimento de 10,8%, em contrapartida aos nossos singelos quatro por cento. Nas ruas das cidades grandes, o trânsito de pessoas nas calçadas de áreas comerciais nem se compara ao volume de gente enfurnada em centros de compras. Os prédios que trazem duas, três, quatro ou mais escadas rolantes abaixo do solo, todos em vãos abertos, dando acesso a andares que parecem feiras, são, no mínimo, intrigantes.

Enquanto isso no campo, o esvaziamento. A China é o país como a maior migração da zona rural para a cidade. A agricultura e os produtos manufaturados disputam as maiores fatias do mercado. Mas as condições de vida no campo fazem com que as pessoas busquem oportunidades na cidade.

As contradições chinesas, assim como as brasileiras, parecem não caber mais no tamanho de seus territórios. Na China estão seis mil anos de história. Ao mesmo tempo em que ainda há na cultura chinesa a influência de valores como família, moral e autodomínio, o individualismo ocidental avança em velocidade supersônica. O país é superlativo em todos os sentidos. Sobretudo em suas contradições, que, independentemente, de políticas de bom comportamento e reformas em fachadas, saltam aos olhos no momento em que todo o mundo se volta para o interior das Grandes Muralhas.


* Renata Camargo é jornalista, especializada em Desenvolvimento Sustentável e Direito Ambiental, e repórter do Congresso em Foco. Esteve na China em outubro de 2007, durante viagem de sete meses por 17 países.

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