Tuesday, 01 de December de 2020

GERAL


Índia - Visão de curto e de longo alcance

19 Feb 2009

Há 19 anos, viajo para Índia, o solo dos paradoxos. Depois de tanta experiência, observações e comparações entre Índia e Brasil, concluo que a nossa pátria, em alguns aspectos comportamentais, se parece muito com Bharat (nome antigo da Índia), que hoje não passa de um velho senil tentando recuperar seu tempo de juventude e brilho. A Índia é a cultura mais velha, mais antiga do planeta.

Um dos assuntos que a novela Caminho das Índias tem enfatizado é a estrutura social hindu de castas. Ao ouvir tantas perguntas e tantas pessoas afirmando estarem horrorizadas com o sistema, especialmente com o tratamento dado aos “dalits”, casta considerada mais baixa, lembrei-me de uma façanha do psicólogo social Fernando Braga da Costa (34). Na graduação (em 2002), como tarefa da disciplina de Psicologia Social 2, Costa passou a trabalhar como gari. O que ele vivenciou acabou se tornando uma tese de mestrado sobre a Invisibilidade Pública e um livro, Homens Invisíveis – Relatos de uma Humilhação Social (Globo, 256 p.).

Fernando descobriu que pessoas de determinadas categorias profissionais, como ascensoristas, faxineiros, empacotadores, recebem um tratamento coisificante. São avaliados a partir de suas funções e não como seres humanos. Não são percebidos por ninguém, são homens e mulheres invisíveis. Esta pesquisa foi realizada em São Paulo, Brasil.

Há outros exemplos brasileiros de erro na avaliação das pessoas e seriam necessárias todas as páginas da Barsa para citá-los. Apenas mais um: os moradores de rua são associados à vagabundagem e à criminalidade. Pesquisas nas capitais brasileiras constatam uma realidade diferente deste imaginário vigente. Veja o que o projeto Meio-Fio, da organização Médicos Sem Fronteiras, levantou no Rio de Janeiro: “As posturas diante da vida na rua e os meios de subsistência de que lançam mão também diferem entre as pessoas que vivem nas ruas. O levantamento mostra que menos de 1% dos beneficiários do projeto são pedintes, e apenas 1,5% praticam furtos. A grande maioria exerce atividades pelas quais recebe algum tipo de remuneração, como os catadores de latinha ou papelão, que totalizam 40% dos entrevistados.” Como um morador de rua é tratado? Melhor ou pior que os dalits? Muitos governantes e policiais brasileiros têm uma atitude higienista e pensam em extermínio, apesar das provas de que moradores de rua são cidadãos e seres humanos.

Creio que você já pode concluir que paralelo é possível fazer entre estes exemplos e o sistema de castas de Bharat. Diz um velho ditado: “Não devo jogar pedra no telhado do vizinho se o meu é de vidro”. Apontamos facilmente as fraquezas e defeitos dos outros, mas temos uma enorme dificuldade para reconhecer nossos pontos fracos. A visão de curta distância não está bem desenvolvida. Isto ocorre porque, se entendo quais são meus pontos débeis, começa um processo na consciência de responsabilidade e de necessidade de mudar. Se não me dou uma resposta adequada a minha consciência e continuo com os mesmo defeitos e a mesma visão distorcida da realidade, o escritor Ken O´Donnell, em seu livro Vivendo Valores no Trabalho (Gente, 185 págs.), descreve o que acontece: “O conhecimento é uma faca de dois gumes. Discernir o que é e o que não é e não aplicar traz inquietação. Certo estado de autopunição por não conseguir fazer o que o intelecto sabe que é certo.”

É hora de mudar a escala de valores. Dar valor ao que verdadeiramente tem valor e viver mais em paz e com mais felicidade. Nossas verdades inabaláveis construíram uma sociedade excludente não só na Índia, mas também no Brasil e em Palmas. Os fatos mostram isto. Pense em um comportamento mais virtuoso. Dar respeito a todos indistintamente vai causar algum dano moral a alguém? Isto inclui seres humanos, animais, natureza. Aceitar as diferenças e ver as virtudes em si e nos outros provoca alguma perda para quem quer que seja?

Para cumprir com o propósito de ter um comportamento e uma atitude mental mais virtuosos faça uma agenda para sua mente. Pela manhã, ao acordar, pense na sua qualidade do dia. Anote-a em algum papel e, durante o dia, por 12 ou 13 vezes, relembre-se da sua proposta. Você estará, assim, sendo a mudança que quer ver no mundo. Certamente haverá bem pouco tempo para impressionar-se e mais tempo para ficar feliz consigo mesmo e fazer outros felizes.

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