Wednesday, 19 de September de 2018

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GERAL


Suicídio

Aumenta o número de suicídios em criança e filósofo sugere que a atenção já faz uma grande diferença

10 Sep 2018    17:19

Um levantamento do sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, com base em dados do Ministério da Saúde; apontou um grande aumento no número de suicídios de crianças e adolescentes no Brasil. 

De acordo com a pesquisa, entre 2000 e 2015, os suicídios cresceram 65% entre pessoas com idade entre 10 e 14 anos, e 45% de 15 a 19 anos. Isso representa mais do que a alta de 40% na média da população. Casos recentes desuicídios de estudantes de colégios particulares em São Paulo acenderam um sinal de alerta em pais e escolas. 

"Estamos nos ocupando demais e vivendo de menos, se passarmos mais tempo ao lado dos filhos, conseguiremos perceber suas diferenças, e mesmo que não nos queira dizer os problemas, podemos, ao perceber, buscar soluções para que nossas palavras entrem em sua mente e os faça refletir e encontrar soluções. O raciocínio lógico, a razão dentro do entendimento da faixa etária do indivíduo, é um meio para que o que queremos passar, seja absorvido pelos jovens e crianças,"disse o filósofo Fabiano de Abreu, autor do livro 'Viver Pode Não Ser Tão Ruim, o autor busca na filosofia, teorias que possam ajudas a ter uma vida melhor. 

No período da adolescência, e mesmo da pré-adolescência, os indivíduos têm uma vulnerabilidade muito grande em relação ao bullying, a pressões sociais, entre outros aspectos. As redes sociais são um dos grandes motivadores de aumento de ansiedade e até de depressão, seja por comentários maldosos ou as famosas fake news, que viralizam instantaneamente. As redes também podem afetar a autoestima de um jovem que percebe que os posts de seus colegas têm muito mais curtidas do que os dele. 

Para o filósofo Fabiano de Abreu, a filosofia de vida é trazer à moda o antigo, pois o que vivíamos podemos trazer de volta e ser interessante: 

"Uma simples preocupação em bloquear conteúdos, fiscalizar, pode alterar o destino de uma criança. Se dividirmos nosso tempo em nos distrairmos com os filhos ao invés de dar um tablet e um telefone para que ele se cale, o destino também poderá ser alterado. O conceito do antigo passa a ser moda, quando o diferente entra em evidência e é incentivado. Não ter celular aos 10 anos, ter limites nos jogos, no tempo no computador e viver coisas que vivíamos na década de 80, pode ser interessante e diferente quando promovidos por nós mesmos. Dedicar uma parte do tempo à viver com os filhos o que vivíamos na infância pode ser interessante e adaptável, não tendo assim necessidade de buscar conteúdos e amigos em outros meios, pelo menos amenizar. Lembro que doutrina, quando induzida desde cedo, cria-se uma cultura que resulta em um futuro mais de acordo com o que queremos proporcionar" concluí Fabiano de Abreu


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Fama, dinheiro e suicídio 

Por que pessoas famosas, ricas, que teoricamente teriam tudo o que todos querem, se matam?

O filósofo Fabiano de Abreu, que trabalha assessorando pessoas famosas a mais de 7 anos, tem sua teoria filosófica para essa questão. 

"A fama passa a ser um inimigo, quando esquecemos que o bom da vida é o simples. 
As obrigações impostas pela sociedade atual, ela é inconsciente, ela não é real. A condição imposta de ter que ser o melhor, faz com que a cobrança seja maior, assim como a decepção. Quando que na realidade não há o melhor e sim apenas o momento. O pior preço da fama, é o não reconhecimento do que é de verdade. Fantasiar uma realidade imposta é o tormento do verdadeiro eu que não pode ser mostrado, criando uma prisão imposta por si mesmo. É como um barril de pólvora com um fio, que mesmo queimando devagar, um dia poderá explodir. Temos que entender que não há soberania, que o acaso diferenciam as pessoas e que no fim, todos irão para o mesmo lugar. A percepção de ser querido por muitos, não é a mesma de ser querido por si mesmo, da percepção de diferenciar o falso do verdadeiro. A cobrança ela aumenta e a vida gira em torno de si, bloqueando tudo a sua volta, no que resulta a uma completa solidão. A solidão também está ligada a percepção do que é verdadeiro em relação a todas as pessoas que o circulam". 

A psicóloga Roselene Espírito Santo Wagner também opinou sobre o assunto:


A sociedade em nome do consumo, e de um ideal inatingível de perfeição, mas introjetados como essenciais. Criando assim a ditadura da beleza, da felicidade, do sucesso... Esquecendo que a vida tem repertórios próprios, além destes.
Temos momentos, vicissitudes, idiossincrasias do sujeito desejante.
A partir deste cenário que às vezes é alcançado mas impossível de manter, instala-se a “Depressão “ que é o gatilho do suicídio. O sujeito deprimido não vive para si, mas para s demanda do outro, do externo. Diante do fracasso recolhe os investimentos afetivos feitos e recolhe-se em si. Gerando frustração, desamparo, desesperança, falta de perspectiva.
A depressão é um colapso parcial ou total da autoestima. É a morte da alma, o esvaziamento da energia vital, é muito pior que tristeza!
A existência tornou-se um fardo demasiadamente grande. A pessoa não quer morrer, mas não quer mais viver assim. O sujeito volta pra si mesmo toda a violência e agressão que deseja para o mundo que lhe cobra algo que ele já não pode mais oferecer: sucesso, vitórias, fama, conquistas!
De envergonha de si mesmo.
É sabido que 90% dos casos de suicídio apresentam distúrbios psiquiátricos, 10%  apresentam psicopatologias sutis.
É inquietante portanto e ainda um mistério os motivos reais que levam o sujeito cometer suicídio.
Geralmente quem teme a vida não tem medo da morte.
Como medida preventiva o ideal é uma psicoeducação em crianças, adolescentes e jovens adultos a elaborar e ressignificar frustrações. É importante transformar desafios em crescimento e maturidade, a vida exige coragem e resiliência.
Portanto sejam por quais motivos forem, parece que o gatilho ativador da decisão suicida tem q ver com a relação direta com a perspectiva internalizada de um ideal que esbarra numa realidade impeditiva da realização .
O “ego” deve sempre ser a parte sadia e fortalecida das instâncias de nossa alma. O ego deve desenvolver competência para negociar com o Id e o Superego. Tomando as decisões mais sadias e acertadas para a manutenção da vida .
Enfim, não podemos nos abster deste evento social, formamos uma sociedade, interagimos e fazemos trocas. O quanto você afeta e o quanto você é afetado?
Precisamos desenvolver compaixão, olhar o outro e sermos empáticos.
Suicídio não é um problema isolado e do outro, é também um problema meu e seu!
Desenvolva compreensão, busque ajuda, indique ajuda. Um profissional da área pode ajudar - procure um Psicólogo e ajude a salvar uma vida, inclusiva a sua ou de quem você ama.

Roselene Espírito Santo Wagner
Psicóloga Clínica/ Psicanalista/Neuropsicóloga
CRP 05/ 48913

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