Friday, 20 de September de 2019

GERAL


CO2 Alerta - algas falham

03 Mar 2010

Há um ano, 48 pesquisadores de diversos países, a maioria alemães e indianos, a bordo do navio oceanográfico alemão Polarstern, executaram a maior experiência de fertilização de águas marinhas com ferro com o objetivo de absorver dióxido de carbono e, talvez, evitar o aquecimento global. O local escolhido foi na Antártida, a nordeste das Ilhas Geórgia do Sul, no
Oceano Atlântico. Cerca de 20 toneladas de sulfato de ferro foram distribuídas em uma área de 300 quilômetros quadrados.

Esse experimento teve origem nos estudos de J.H. Martin que descobriu que quando o ferro é adicionado a amostras de água tiradas de regiões ricas em nutrientes, mas pobre em ferro, o número de fitoplanctons (algas) aumenta cerca de dez vezes. Assim, Martin sugeriu que seria possível mitigar o CO2 e combater o aquecimento global adicionando ferro nas regiões oceânicas ricas em nutrientes mas que tenha pouca vida - os oceanos são imensos desertos sem vida-. Em suas crenças, Martin afirmou que com um único navio carregado de ferro, ele colocaria o mundo em uma era glacial. Martin acreditava que o aumento explosivo na quantidade de algas fixaria o dióxido de carbono da atmosfera, da mesma maneira que o plantio de árvores faz.

Em janeiro de 2009, as autoridades alemãs criaram o experimento Lohafex (“loha” significa ferro em hindu). Porém, os ambientalistas posicionaram-se contra. A Nona Conferência das Partes do Convënio sobre a Diversidade Biológica, realizada em maio de 2008, em Bonn, posicionou-se contra as atividades de fertilização artificial do mar para promover a absorção do
dióxido de carbono. Os ambientalistas temiam os impactos para o meio ambiente marítimo. Mas, as autoridades, após uma avaliação, concluíram que isso não procedia e, de fato, o experimento mostrou que os ambientalistas estavam errados.

Essa não foi a primeira tentativa de se usar algas para mitigar o CO2. Em 2007, a empresa norte-americana Planktos pretendia fertilizar com ferro as águas equatorianas próximas às Ilhas Galápagos, no Pacífico, mas os ambientalistas convenceram as autoridades da região e a empresa desistiu. Essa empresa pretendia negociar créditos de carbono.

Assim que o navio alemão iniciou a fertilização com o sulfato de ferro, a quantidade de algas começou a crescer como esperado. Isso ocorreu nas duas primeiras semanas, quando também surgiu um crustáceo, o copépode, que se alimenta de algas, no caso, o fitoplancton. E a quantidade desse crustáceo cresceu também exponencialmente, anulando o resultado esperado, ou seja, muito pouco material orgânico foi para o fundo do mar. Em outras palavras... O experimento falhou! Não estamos salvos.

Enquanto a equipe prepara novos experimentos em águas diferentes com flora marinha diversificada, cabe a todos nós cobrar de nossas autoridades mais ações contra o aquecimento global, que se invista na eficiência do uso de energia, entre tantos, não é mais admissível tanto desperdício.

Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor universitário e congregado mariano. (mariosaturno@uol.com.br)

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