Sunday, 21 de October de 2018

GERAL


Homem e mundo: carência de significação

12 Jun 2008

Uma angústia invade o homem quando resolve pensar que o “nada” foi e ainda é tão possível quanto “algo”; quando ele pergunta por que existe algo ao invés de não existir nada? Ou quando ele pensa que “nada” e “ninguém” poderiam nunca ter vindo à existência ou que tudo e todos poderiam deixar de existir num instante.  

Ora, a predisposição característica do homem para sentir essa angústia está, em parte, no enorme legado da crença judaico-cristã tradicional da criação ex nihilo e da doutrina escatológica cristã do Juízo Final. Entretanto, se o mundo foi criado ex nihilo por Deus, como sustentam a doutrina cristã e os cristãos, obviamente ele não é eterno. E, o que é fundamental, ele não é necessário. Não é possível construir um argumento provando que ele deveria existir, mesmo por um período limitado. É nesse particular, que a doutrina cristã medieval veemente pregou o ato da criação como um mistério que deve ser aceito com base exclusivamente na fé. Uma vez que Deus é um ser perfeito a que nada falta, por que se daria ao trabalho de criar um mundo? De fato, desde que ele é imutável e que o ato da criação, pelo menos enquanto compreendido por uma mente finita, implica de maneira ou de outra o movimento, é absolutamente impossível compreender tal ato.

Não há meio concebível de se mostrar que o mundo foi feito para o homem, que o homem foi feito para adorar a Deus ou que Deus nos recompensará pela obediência. A criação não é apenas um mistério que transcende o entendimento humano, é um paradoxo lógico intransponível. As propriedades metafísicas do Ser platônico, que os cristãos atribuem a Deus, são logicamente incompatíveis com as propriedades de um criador. Portanto, tal angústia revela a contingência radical e a carência essencial de significação tanto do homem quanto do mundo. O homem não sabe por que existe e não pode alçar-se ao conhecimento de seu destino. É como se ele fosse jogado para dentro do mundo e deixado aí. Ou ainda, é como se ele fosse abandonado. Para dizer de um modo mais simples, o homem é alienado da fonte do seu ser.

O mundo é radicalmente contingente e essencialmente sem sentido. Sua existência é inexplicável e não há nenhuma ordem providencial cognoscível na natureza ou nesse reino mais amplo do ser, que inclui tanto o homem quanto o mundo exterior. Mais especificamente, isso significa que não há motivos para acreditar-se que o mundo tenha sido feito para o homem. É como se o homem estivesse face a face com um mundo que não tem nenhum ponto de referência fora de si, e nenhum sentido além daquele que nós, seres humanos com nossas preocupações pessoais finitas, decidimos dar-lhe. Assim, o homem também é alienado do mundo.

Enquanto se acreditava que o indivíduo podia relacionar-se harmoniosamente com seres eternos e necessários, era impossível resistir à tentação de situar a fonte do valor e da inteligibilidade nesses seres. Mas, quando o homem sentiu-se abandonado, a marca da contingência radical, a fonte do valor e da inteligibilidade foi transferida para a subjetividade humana. Ou seja, as chamadas leis universais da natureza e seres eternos e divinos não existem por si próprios, mas são, antes, padrões do pensamento humano impostos sobre eles.

Portanto, se não existem seres eternos e imutáveis ou se eles são impenetráveis ao entendimento humano, então o homem se torna a fonte do valor e do sentido. O lugar anteriormente ocupado por seres eternos ou pela natureza é assumido por seres humanos individuais. Ele se investe da dignidade de ser o responsável único por si mesmo. Toda a beleza e sublimidade que atribuímos a objetos reais ou imaginários é uma propriedade do homem. O homem como poeta e pensador. O homem como amor, como poder.

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