Saturday, 24 de October de 2020

GERAL


Gestão de C&T

Objetivos, estratégias e metas em C&T

31 Mar 2016

Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)


O desenho de sistemas de produção de organizações de ciência e tecnologia, assim como a composição de equipes e o cálculo da eficiência a ser perseguida só têm sentido se objetivos e metas forem adequadamente escolhidas. A lógica é simples: um sistema de produção transforma insumos em produtos; nesse processo, pessoas (equipes) manuseiam máquinas e equipamentos para transformar os insumos no produto final desejado (ensino, pesquisa, extensão, inovação e/ou empreendimentos). O conhecimento dos objetivos e metas pretendidos pela organização vai determinar a quantidade de insumos, pessoas, máquinas e equipamentos necessários para que o volume de produção aconteça. Em gestão quase tudo é perfeitamente fácil de ser compreendido e aplicado, mas as implicações são quase infinitas e complexas (a quantidade delas não pode ser conhecida). Daí a necessidade de se conhecer técnicas algumas vezes milhões de vezes testadas e comprovadas sua eficácia. Este artigo tem como objetivo mostrar como determinar objetivos, estratégias e metas globais para organizações de ciência e tecnologia.

Todo sistema de produção tem uma capacidade máxima de produção. Isso é evidente. No caso das organizações de ciência e tecnologia, a capacidade de produção é definida pelo número de vagas de seus cursos; quantidade de artefatos técnico-científicos de pesquisas; registros de marcas, patentes e assemelhados; e quantidade de empreendimentos formalmente constituídos. Há, portanto, uma quantidade máxima de empreendimentos formais que uma organização de ciência e tecnologia consegue manter, por exemplo, ainda que sejam conjugados empreendimentos virtuais e não virtuais. Da mesma forma, é necessário que se saiba quantos artigos científicos as equipes de pesquisa dessa organização conseguem produzir em um ano e quantos artigos conseguem publicá-los, configurando-se dois sistemas de produção: um para produzir artigos, outro para publicá-los.

O que se quer chamar a atenção é que toda organização de ciência e tecnologia minimamente gerenciada profissionalmente (se é que esse termo é adequado) precisa trabalhar com números. O que não pode ser traduzido em números é impossível de ser colocado em prática e gerenciado. Nossas organizações não sabem o que produzir e, por essa razão, não sabem quanto produzir. Infelizmente, muitos colegas, supostamente conhecedores de gestão e da natureza da produção acadêmica, acham impossível aplicar nas nossas organizações esses princípios elementares de gestão que todo aluno de final de primeiro semestre tem facilidade para tal. Desconhecem, os incautos, que precisar e quantitativar reduz os esforços, recursos, conflitos e reduz a probabilidade de fracassos. Conheço casos em que as equipes que se curvaram às técnicas de previsão e controle lamentaram profundamente não terem-na aplicado em suas atribuições profissionais há mais tempo.

Um objetivo é toda situação futura desejada. Esse futuro, para ser realizado, precisa, portanto, ser transformado em número e datado. Por exemplo, o objetivo "Aumentar a publicação de artigos científicos" precisa ser quantitativado. Essa quantitativação poderia ser "Publicar 20 artigos em revistas qualificadas, no mínimo, como B1 na Capes até dezembro de 2015". Essa quantitativação datada chamamos de meta. Meta, portanto, é um objetivo com data para acontecer e com números a serem mensurados. É possível quantitativar até a Visão Organizacional. Por exemplo, a visão "Ser o melhor curso de Engenharia Civil do Estado do Amazonas" poderia ser quantitativada assim: a) Alcançar o primeiro lugar no ENADE de 2020, b) Alcançar pelo menos o terceiro lugar em pesquisa Top Of Mind a partir de 2018 e c) Obter a maior taxa de empregabilidade de engenheiros civis do Estado do Amazonas. A conjugação ponderada dessas três métricas permitira avaliar a visão pretendida. As metas permitem acompanhar a sua execução. Talvez seja isso o que os gestores desonestos tentam evitar e o que os amadores não compreendem.

A terceira parte do tripé é a estratégia. Estratégia é o caminho que uma organização segue para materializar uma meta ou objetivo. Enquanto o objetivo diz o que fazer, a meta diz quanto e quando fazer e a estratégia diz como fazer. Isso significa que um plano só estará completo quando houver o objetivo, a meta e a estratégia. Veja esse exemplo singelo. Objetivo: "Fazer suco de limão". Meta: "Fazer 1 litro de suco de limão no sábado à tarde". Estratégia: a) comprar os limões, b) lavar os limões, c) cortar os limões, d) espremer os limões, e) coar o suco do limão, f) adicionar água ao suco de limão, g) adicionar açúcar ao suco de limão, h) adicionar gelo ao suco de limão e i) servir o suco. Note que a estratégia identifica todas as etapas a serem seguidas para que o objetivo seja alcançado. Isso permite imprimir alto grau de racionalidade tanto nas ações de planejamento quanto na sua execução, impedindo que o fracasso aconteça.

O esforço de melhorar o desempenho das nossas organizações depende em muito do conhecimento técnico que as equipes gerenciais detenham. As técnicas são maneiras singulares testadas em sua eficácia para resolver determinados problemas. Infelizmente, um dos grandes problemas de nossas organizações de ciência e tecnologia é o convencimento do seu quadro gerencial de que precisamos de técnicas gerenciais! Biólogos e matemáticos assumem a gestão dessas organizações, mas não usam técnicas gerenciais; engenheiros, filósofos e astrônomos assumem o comando e seguem suas intuições. É falta de respeito inclusive consigo mesmo não procurar saber como se faz determinada tarefa. Objetivos, metas e estratégias têm técnicas disponíveis a todos. Só quem não tem comprometimento com o sucesso se aventura a seguir intuições e achismos...

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