Friday, 18 de October de 2019

GERAL


Saúde

Quase metade dos brasileiros tem excesso de peso

21 Jun 2010

O índice de sobrepeso e obesidade da população brasileira avançou nos últimos quatro anos. Levantamento mais recente do Ministério da Saúde aponta que, de 2006 a 2009, a proporção de pessoas com excesso de peso subiu de 42,7% para 46,6%. O percentual de obesos cresceu de 11,4% para 13,9% no mesmo período. Os dados fazem parte da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), que entrevistou 54 mil adultos.


A Vigitel 2009 aponta que 51% dos homens e 42,3% das mulheres têm excesso de peso. A ocorrência do problema está relacionada a fatores genéticos, mas há uma influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados no decorrer da vida. Entre os homens, a situação é mais comum a partir dos 35 anos, mas chega a 59,6% de 55-64. Na população feminina, o índice mais que dobra na faixa etária dos 45 aos 54 anos (52,9%) em relação a 18-24 anos (24,9%).
Já a prevalência da obesidade entre homens quase triplica do grupo etário de 18 a 24 anos (7,7%) para 55 a 64 anos (19,9%). Quando se levam em consideração só as mulheres, o índice aumenta mais de três vezes na comparação das duas faixas etárias: de 6,2% para 21,3%.


A coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, analisa que o expressivo crescimento no número de pessoas com sobrepeso e obesas, em um curto período, é uma tendência mundial. “O Brasil não está isolado nessas estimativas. É mais um reflexo da queda no consumo de alimentos saudáveis e a substituição deles por produtos industrializados e refeições pré-prontas”, comenta.


AÇÕES DE PREVENÇÃO

Além do excesso de peso, uma alimentação pouco balanceada aliada ao sedentarismo pode contribuir com o aparecimento de doenças crônicas. De acordo com a Vigitel 2009, 24,4% da população brasileira foi diagnosticada com hipertensão arterial e 5,8% afirma sofrer de diabetes. O consumo excessivo de sal e gordura é apontado como fator de risco para a pressão alta, enquanto a incidência de diabetes pode estar relacionada à ingestão de grande quantidade de açúcar, massas e alimentos calóricos.


Para reduzir o número de obesos, hipertensos e diabéticos, o Ministério da Saúde busca prevenir os problemas que começam na mesa e nos hábitos do brasileiro. As equipes da Estratégia Saúde da Família, que alcançam cerca de 100 milhões de pessoas, orientam as famílias a ter padrões alimentares saudáveis. Desde 2006, a Política Nacional de Promoção da Saúde estimula a realização de atividades físicas em 1,5 mil municípios.


Somente no período de 2006 a 2009, foram repassados R$ 122,4 milhões a todas essas cidades que integram a Rede Nacional de Promoção da Saúde com essa finalidade. Em 2010, serão outros cerca de 50 milhões para a sustentabilidade da Rede de Promoção.


“Nós repassamos recursos regularmente para as Secretarias Municipais oferecerem exercícios físicos para a comunidade. O dinheiro também é usado para capacitar os profissionais de saúde a orientar as atividades corporais e lúdicas”, explica Deborah Malta, do Ministério da Saúde.


O Ministério da Saúde também lançou em 2006 o Guia Alimentar para a População Brasileira. Trata-se da primeira vez que foi lançada uma orientação oficial para gestores, profissionais de saúde e população sobre alimentação saudável. Ainda, nutricionistas foram inseridos no apoio às equipes de saúde da família, com a criação do Núcleo de Apoio ao Saúde da Família (Nasf). Atualmente 1.132 unidades do Nasf estão habilitadas em todo o país. Além disso, por meio do Saúde na Escola, leva orientação à estudantes.


SAIBA MAIS
Os índices de excesso de peso são calculados com base no Índice de Massa Corporal (IMC). Qualquer pessoa pode descobrir qual é o próprio estado nutricional com base no peso e na altura. Esse cálculo vale para quem tem de 20 a 60 anos.


Proporção de excesso de peso (%)
Tabela das capitais – Vigitel 2009

 
Aracaju    47,4
Belém    44,2
Belo Horizonte    39,9
Boa Vista    49,1
Campo Grande    50,8
Cuiabá    46,7
Curitiba    45,5
Florianópolis    45,0
Fortaleza    47,0
Goiânia    45,8
João Pessoa    42,9
Macapá    43,5
Maceió    41,5
Manaus    45,6
Natal    45,5
Palmas    37,7
Porto Alegre    46,1
Porto Velho    48,8
Recife    45,6
Rio Branco    52,2
Rio de Janeiro    50,4
Salvador    45,3
São Luís    40,3
São Paulo    50,5
Teresina    39,4
Vitória    46,3
Distrito Federal    36,2
 
Proporção de obesidade (%)
Tabela das capitais – Vigitel 2009

Aracaju    16,4
Belém    12,8
Belo Horizonte    11,2
Boa Vista    12,7
Campo Grande    17,3
Cuiabá    13,9
Curitiba    12,9
Florianópolis    12,7
Fortaleza    15,3
Goiânia    11,4
João Pessoa    12,3
Macapá    15,1
Maceió    13,1
Manaus    15,0
Natal    13,3
Palmas    8,8
Porto Alegre    14,3
Porto Velho    17,6
Recife    13,8
Rio Branco    17,1
Rio de Janeiro    17,7
Salvador    15,2
São Luís    12,1
São Paulo    13,1
Teresina    12,1
Vitória    13,1
Distrito Federal    9,3 (Da Agência Saúde)

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