Monday, 21 de October de 2019

GERAL


Turismo

Uma explosão de cores, sons e sabores em São Luís do MA

05 Mar 2012

Por Sonielson Sousa
Fotos: Bel Pedrosa


Chegar à Ilha do Amor, como é conhecida São Luís, é uma experiência que imediatamente desperta a sagacidade dos órgãos dos sentidos. Isso porque o turista é estimulado por uma miríade de cores, sons e sabores que em poucos lugares tem uma expressão tão latente quanto na capital do Maranhão, que é Patrimônio Histórico da Humanidade.

Por sua localização, a poucos graus da linha do Equador, São Luís apresenta um céu claro e as cores, por lá, de fato são vibrantes. Tudo faz lembrar o célebre poema de Gonçalves Dias, que morreu justamente num naufrágio na costa do Maranhão, em 1864. Parte da obra diz:
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

As expressões culturais da cidade podem ser “experimentadas” de várias formas, seja se deslumbrando com os blocos carnavalescos de rua e com os grupos profissionais de carnaval, que expandem uma profusão de ritmos tanto com equipamentos como tambores quanto com os próprios pés, seja se contagiando com o som e a dança sedutora do Tambor de Crioula, estabelecido como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro. Isso em falar em outro patrimônio, o Bumba-Meu-Boi, que no mês de junho transforma toda a Ilha numa verdadeira festa a céu aberto.

 

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No mercado da cidade, há uma profusão de cores e sabores

 

Na gastronomia, há um show à parte. A variedade de frutos do mar e de iguarias – doces e salgadas – que só se encontra no Meio Norte (região de transição entre a Amazônia e o Nordeste brasileiro, onde o Maranhão predominantemente está incrustado) é um convite para voltar quantas vezes for possível à terra do saudoso Joãozinho Trinta.

Arroz de Cuxá
Em São Luís, é impossível não se render ao tradicional Arroz de Cuxá, prato que recebe influência portuguesa e africana.  No prato, vai Vinagreira (erva verde meio amarga), tomate picado, cebola picada, camarão seco, arroz branco cozido e mais meia dúzia de outros temperos. O sabor é indescritível. “Pra mim, é um dos pratos mais deliciosos que já experimentei”, diz a colunista social Jaciara Barros, que esteve recentemente em São Luís participando de um Press Trip para observar os equipamentos turísticos da cidade.

Outra especialidade maranhense é a “Pescada Amarela”, que serve de base para pelo menos 20 tipos diferentes de receitas. O peixe pode chegar a medir mais de um metro de comprimento e é muito apreciado na ilha. “Além disso, temos a tradicional Carne de Sol do Norte, acompanhada de Baião de Dois, paçoca e manteiga da terra”, lembra o coordenador de Promoção Turística de São Luís, Hugo Paiva Veiga, que enumerou/ indicou pelo menos uma dezena de outros pratos saborosos, como o doce de creme de “Bacuri”, feito à base de creme de leite, poupa de Bacuri (fruto da região), cereja, biscoito champagne e outros ingredientes. “É difícil vir a São Luís e não se encantar com essa variada culinária”, diz o secretário de Turismo Liviomar Macatrão.

Seja no Centro Histórico, com seus numerosos bares e restaurantes, lojas de artesanato e museus, seja no traçado moderno dos edifícios de grande e médio porte que permeiam a cidade – sobretudo na área mais voltada para o Oceano Atlântico – São Luís respira cultura 24 horas por dia. Como 4º maior PIB do Nordeste (e entre os 30 maiores do Brasil), a histórica cidade, a passos largos, consolida-se como destino turístico indispensável.


Saiba mais sobre as principais festas de São Luís:
Carnaval
No Calendário Cultural da cidade, o Carnaval é, junto com o São João, as maiores festas populares que mobilizam e contagiam, não só a população residente no Maranhão, mas também foliões e brincantes de todo o Brasil, já atingindo até um considerável contingente de visitantes estrangeiros.
Em São Luís, o carnaval é a festa da diversidade. Durante a folia de Momo, várias manifestações cantam e dançam nas ruas, fazendo a festa na capital, como tribos de índio, blocos tradicionais, blocos alternativos, blocos organizados, escolas de samba, blocos afro, casinha da roça, tambor de crioula, entre outras.
Na Passarela do Samba, onde acontecem os desfiles oficiais para a escolha do melhores do carnaval, apresentam-se 104 agremiações carnavalescas, distribuídas em 48 blocos tradicionais, 11 escolas de samba, 16 blocos afros, 13 tribos de índio, 16 blocos organizados e 06 casinhas da roça e alegorias de rua.  No entanto, somente as escolas de samba, os blocos tradicionais e os blocos organizados concorrem ao título de campeão.

 

 
São João
Já no São João, a cidade se transforma em um grande espetáculo de ritmos, sotaques, cores e sabores que contagia batalhões de admiradores e seguidores. A Prefeitura de São Luís realiza todos os anos um grande arraial na Praça Maria Aragão (centro). Desde 2009, tem sido aproximadamente 35 dias de festa, onde a força da cultura popular maranhense ganha destaque e transforma a cidade em um grande arraial.
Cerca de 20.500 brincantes, distribuídos em aproximadamente 250 grupos folclóricos entre bumba-meu-boi (orquestra, matraca, baixada, costa de mão, variado, zabumba), tambor de crioula, cacuriá, dança do coco, quadrilha, dança portuguesa, dança do boiadeiro, grupos de ritmos variados e grupos de teatro fazem parte da programação oficial do Arraial, contabilizando 680 apresentações de grupos folclóricos no evento. Além de artistas maranhenses e grupos de forró pé-de-serra.

 
Tambor de Crioula
O Tambor de Crioula é definido no dossiê inventariado por um grupo de pesquisadores da Fundação Municipal de Cultura e o Instituto de Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional como “uma forma de expressão matriz afro-brasileira que envolve dança circular, canto e percussão de tambores”, onde descendentes dos escravos que viviam no Maranhão dançavam e cantavam em louvor a São Benedito, o “Santo Preto”, protetor dos escravos e, hoje, dos grupos.
E, foi por todo o conjunto de instrumentos musicais, padrões coreográficos e rítmicos, modelos de toadas e cânticos, que o Tambor de Crioula tronou-se Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, em 18 de junho de 2007, sendo o décimo primeiro bem cultural de natureza imaterial inscrito em um dos quatro Livros de Registro do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial.
O Tambor é uma celebração baseada na música e dança que mistura fé e diversão. Os coreiros e coreiras reúnem-se em um círculo, com homens tocando e cantando as toadas enquanto as mulheres dançam.
Embaladas pelo ritmo acelerado dos tambores, as coreiras interagem através da punga, ou umbigada: batem de frente com a barriga em quem está no centro da roda, saúdam uma companheira e a convidam para dançar.
A percussão embalada pelos coreiros é composta por três tambores, sempre tocados com a mão, formando uma parelha. O maior deles, chamado de roncador ou rufador, anuncia a punga; o médio (meião, socador ou chamador) marca o ritmo e o menor (perengue, merengue ou crivador) faz um som repicado. A matraca também é usada para cadenciar as coreiras.
Grandes saias rodadas e estampadas, torsos na cabeça, pulseiras e colares, além da blusa branca de renda, compõem o alegre vestuário feminino.

Tambor de Crioula, grande manifestação popular da região

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