Geração do supérfluo
CONTATO: aluysioresende@yahoo.com.br Os avanços tecnológicos facilitam nossa vida. Tudo tem se tornado mais fácil. Tarefas que demorariam demasiadamente são feitas de maneira praticamente instantânea, graças aos avanços obtidos pela ciência. Temos que admitir que muitas atividades fizeram nosso dia-a-dia melhor. Só sinto que nem tudo sejam flores. As últimas décadas foram fantásticas no desenvolvimento científico. O ser humano passou a fazer coisas que nossos antepassados ficariam estarrecidos. Só fico imaginando-os em uma ligação de vídeo e áudio em tempo real com países à milhas de distância. A evolução avassaladora da tecnologia infelizmente não atingiu setores que poderiam efetivamente transformar a qualidade de vida para melhor. Não investimos em vários aspectos que fariam a diferença na vida de nossos familiares, amigos e de nós mesmos. No que tange a produção e geração de bens de consumo, os investimentos são contínuos e em escala exponencial. Entretanto, existe outro quadro que revela uma realidade realmente assustadora. Os amigos te cutucam, mas não querem se expor. As relações humanas; apesar de a tecnologia ter estabelecido uma proximidade temporal, se tornaram superficiais e por que não dizer descartáveis. As famílias estão se despedaçando, o marido não tem mais "tempo" para dar um beijo em sua esposa e vice-versa. Pais são incapazes de dar um abraço carinhoso em seus filhos. E ainda te pergunto: qual foi a última vez que deu um abraço verdadeiro em um de seus amigos? A tecnologia disparou inclusive na medicina, mas veja bem, em muitos casos, deixou de ser curativa e passou a ser paliativa. Isso porque a indústria farmacêutica não quer perder os bilhões arrecadados com tratamentos caros e demorados, e os médicos passaram a se desumanizar e tratam seus pacientes com descaso e de maneira meramente mercadológica. Óbvio que não podemos generalizar; já que ainda existem alguns remanescentes da boa e velha medicina que honram o seu juramento como médico e mantêm o seu arcabouço humanitário. A vida humana passou a ser descartável. Ficamos indignados com a violência, com a fome, com a corrupção, com o descaso com o ser humano, mas tudo isso ficou tão banalizado que nada fazemos, só aguardamos que não chegue às nossas casas. Entretanto, a violência moral, física e emocional parte, muitas vezes, de maneira consciente ou não, na convivência do núcleo familiar. Quando não somos tolerantes, quando não amamos, quando mentimos, quando não aceitamos as diferenças, quando deixamos o ódio crescer em nossos corações, quando desrespeitamos, quando não ouvimos ou ainda quando nos calamos. Basta observar que com a quantidade crescente de divórcios o casamento e a família estão se tornando descartáveis. Quando multiplicamos os nossos bens e diminuímos os nossos valores nos tornamos descartáveis. Quando poluímos nosso espírito com o descaso e a falta de companheirismo; quando fechamos a porta de nossas casas para receber os amigos; quando nossos amigos procuram atender exclusivamente seus interesses pessoais e egoístas. Pouco é investido na qualidade mental para fazer homens, mulheres e crianças melhores; já que não gera capital monetário. As doenças mentais se espalham e a qualidade de vida decresce. Os indivíduos trabalham em dois ou mais empregos, querem casas nobres, viajam por períodos curtos, alimentam-se mal, tem lares despedaçados, caráter pequeno e moral descartável. Tudo efêmero e sem os valores verdadeiros da vida. A felicidade ficou algo inatingível, pois a mídia a associou a aquisição de bens e produtos manufaturados, supérfluos. Nada contra ter uma vida confortável, muito pelo contrário, mas procurando a felicidade e graça dentro de casa, no trabalho e ainda saber curtir sua família em férias aconchegantes, todavia com caráter e respeito tanto com os outros quanto consigo mesmo. Guardávamos as cartas dos amigos e familiares, hoje apressamo-nos a deletar nossa caixa de e-mail, tínhamos uma história de vida. Os valores familiares eram preservados. A palavra de um homem valia mais que um contrato registrado. Agora a palavra é dita ao vento e facilmente deletável. Trabalhar com honestidade virou sinônimo de chacota. Amar a família é piegas e perda de tempo, pois afinal de contas, tempo é dinheiro. Dinheiro para quê? Para comprar vidas humanas, para mostrar que é superior aos outros, ou para encobrir sua própria pequenez. Seremos seres humanos frágeis, supérfluos e deletáveis, que perdeu sua capacidade de autocrítica, de ter valores saudáveis e ainda que deixou de ser feliz? Sociedade que procura lucros elevados e relações vazias que para suprir o vazio interior vai ao shopping comprar objetos fúteis ou vai à farmácia comprar a “felicidade em pílulas”. É isto que você quer para sua vida? Vai continuar se enganando? Até quando? Aprendemos a sobreviver, mas não a viver. Viver exige paz de espírito, capacidade de se amar sem se esquecer do próximo. Minha felicidade se processa quando também sou capaz de fazer alguém feliz. Muitos chegam ao ponto de descartar a própria felicidade, muitas vezes, em nome do dinheiro achando que um dia ele poderá comprá-la. E ainda trocam seu caráter, sua honra, dignidade e se tornam completamente descartáveis pela necessidade de poder. Que indigestão! Até quando se permitirá ser descartável, fútil e supérfluo? Até a próxima! Faça diferente!
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