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por Aluysio Resende
aluysio@marketglobal.com.br

Publicada em 06/04/2010
 
 

É possível errar


Muitos executivos sofrem terrivelmente quando cometem algum erro no trabalho. São os seus próprios torturadores, são cruéis consigo mesmos. Não suportam a autocrítica e muito menos serem criticados, sentem um grande pavor quando alguém os critica.

O perigo na atualidade é a imagem da perfeição. Vivemos em uma sociedade de aparências, que exige que todos sejam perfeitos. Vive-se baseado em duas grandes falsidades: é possível ser perfeito e devemos ser perfeitos.

O sucesso profissional ocidental está atrelado a essas duas grandes falsidades. O sentimento de erro está intrinsecamente relacionado ao sentimento de culpa, o que nos faz sofrer. Ficamos tristes ao constatarmos que somos frágeis, que nossa natureza humana nos torna limitados e falíveis.

O mais interessante nesta história toda é que aceitamos o aforismo “errar é humano” o sofrimento advém da dificuldade de aceitar que somos humanos.

Os executivos gastam enorme energia encobrindo o erro ou culpando o mundo externo pelos seus deslizes.

O sentimento de culpa é um erro, gasta-se muito tempo se martirizando. A culpa provoca a sensação de se eximir da responsabilidade do fato. A pessoa que se sente culpada rejeita o erro como se não pudesse existir. Existe o mito de que se o erro é admitido o individuo fica desmerecido.

O que desabona alguém não é admitir o próprio erro, muito pelo contrário, reconhecê-lo aumenta a nossa credibilidade. O que provoca o descrédito é a justificativa constante dos próprios erros, pois é notório que a justificativa não vai alterar o fato ocorrido. Quando o erro é reconhecido sabemos que haverá esforço no sentido de não repeti-lo.

A competência é proporcional a capacidade de admitir o erro. O erro nos tira da “zona de conforto”, faz parte de todos os aspectos da nossa vida. Crescer é tomar consciência de nossas falhas, para isso, devemos compreendê-las e mudar.

A vergonha não está em admitir o erro e sim em tentar encobri-lo. É claro que, em geral, as pessoas e empresas não são tolerantes aos erros. Por isso, existe um grande clima desmotivador nas organizações empresariais.

Quando o erro é visto como algo intolerável a probabilidade de novas ocorrências é assustadora. A punição aos erros provoca mais fracassos e perdas. As pessoas que sofrem com os erros não aprendem com ele, tendem a repetição dos mesmos. O medo de errar leva ao erro.

Ser responsável pelos erros é diferente de ser culpado por eles. O sentimento de culpa não vai trazer de volta “o leite derramado” assumir a responsabilidade pela falha cometida significa assumir o erro, crescer e evitar novas ocorrências.

Errar também é aprendizado, é crescer. Empresas e executivos que erram se tornam grandes.

Até a próxima! Faça a diferença!

 

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