Tuesday, 18 de December de 2018

OPINIÃO


Ciência & Tecnologia

Aspectos centrais sobre TI na Gestão Operacional - Parte 10

12 Mar 2018    12:28
Aspectos centrais sobre TI na Gestão Operacional - Parte 10

A gestão operacional é responsável pela produção dos resultados de uma organização, tanto os resultados das atividades-meio quanto aqueles das atividades-fim. Por essa razão, em termos de estrutura organizacional, as gerências operacionais quase sempre se encontram na base da pirâmide organizacional, sendo, por isso, facilmente identificadas. Quando se diz que são responsáveis pela produção está-se querendo que seja entendido que são esses gerentes os responsáveis por materializar todo e qualquer tipo de objetivos e metas organizacionais. Por exemplo, o gerente de orçamento é responsável pela produção e entrega, ao seu superior, do orçamento institucional, enquanto que o coordenador de curso de nível médio, por outro lado, tem que entregar periodicamente à sua chefia o relatório de seus resultados, como o grau de eficiência atingido ou aspectos específicos, como a evolução do número de desistentes e evadidos do curso. Para que isso funcione com adequação, a tecnologia da informação (TI) precisa funcionar bem. Este artigo tem como objetivo mostrar formas da TI auxiliar as gerências operacionais a alcançar seus objetivos.

O termo gerência operacional designa o caráter operativo, executivo, das ações humanas. Não importa se a instituição atue em um regime capitalista, comunista ou anarquista. Para que ela cumpra o seu papel terá que produzir alguma coisa para que seja entregue ao ambiente que o demandou. E, nas organizações, quem tem a responsabilidade de executar a produção é a gerência de operações e suas equipes. Essas operações são planejadas de diversas formas, quase todas elas, contudo, organizadas em termos sincrônicos, ou seja, em relação ao sequenciamento temporal. Isso quer dizer que uma atividade, para ser desenvolvida, precisa de outra(s) anterior(es), sendo que a primeira da série exige como requisito a etapa anterior de preparação.

Nas organizações de ciência e tecnologia, as operações são planejadas em termos de uma diversidade de sistemas de produção e operações. A execução de uma matriz curricular, por exemplo, organizada em semestres, é um sistema de operações. Cada componente curricular, por sua vez, é um subsistema de operações, cujos resultados precisam estar em sintonia com os resultados dos outros subsistemas de operações dos demais componentes curriculares para que produzam os macrorresultados de cada semestre. Aos macrorresultados de um semestre são ajuntados os macrorresultados dos semestres subsequentes para que se produza o resultado global da formação profissional planejada.

Nas instituições de excelência, cada subsistema de operações é planejado, executado, avaliado o seu desempenho e retificado o que estiver em desconformidade com o planejado de forma simultânea e quase instantânea, de maneira que os resultados globais possam ser assegurados. E isso é feito com o acompanhamento de perto dos profissionais de TI e com engenheiros pedagógicos. Naquelas instituições de baixo desempenho, esse esquema lógico sequer é conhecido e o pessoal de TI se preocupa exclusivamente com os tradicionais afazeres de olhar às vezes mensalmente a rede física e diária ou semanalmente os sistemas para ver se não tem vírus ou tentativas de invasão ou roubo de alguma coisa que a instituição não tem.

As atividades de pesquisas, por outro lado, precisam produzir relatórios e transformar esses documentos em versões parciais ou integrais de comunicações científicas (artigos científicos, resumos expandidos etc.), popularização da ciência (artigos de jornais populares, revistas de notícias, revistas técnicas etc.) e artefatos tecnológicos, dentre outros. Cada produto deste é produzido a partir de um sistema de produção, naturalmente. Da mesma forma que todo sistema de produção, sua organização também segue as condições sincrônicas, de maneira que é necessário um esquema de TI para planejar, executar, avaliar e refazer as etapas em desconformidade. O desafio, aqui, é tornar pública a contribuição da instituição para o avanço da área da ciência a que decidiu se dedicar e disponibilizar ao ambiente produtos tecnológicos de efetiva importância para o suprimento das necessidades demandadas.

O que queremos mostrar é que o processo de produção e operação precisa ser planejado, executado, avaliado e corrigido, quando necessário, com o auxílio da TI. A razão disso é a complexidade que quase sempre se revestem essas etapas para serem pensadas e executadas e o desafio é reduzir ao máximo possível as falhas nessas etapas para que se possam alcançar os objetivos e metas desejados pelos pesquisadores, professores e alunos e que, como consequência, a missão e a visão da instituição possam ser concretizadas. Apesar de ser um todo orgânico, as instituições funcionam a partir de esquemas mecanísticos (no sentido de execução de tarefas que as tarefas seguintes necessitam) interacionistas que precisam ser entendidos para que possam ser aperfeiçoados continuamente. Sem TI, isso é praticamente impossível nos dias de hoje.

TI é esquema inteligente aplicado. Isso quer dizer que há um fim a ser alcançado ou pela equipe de TI ou pela sua interação com outras equipes de produção, fim este que contribuirá para o alcance de um fim maior ainda, que é o institucional. Como consequência, pensar a TI não é compreender as teias de cabos de fibra ótica ou particionamento e limitações de dados e informações. Ainda que isso seja necessário, há que ser justificada a decisão a partir de quadros comparativos qualiquantitativos com outras possibilidades. O que estamos querendo mostrar, aqui, é que quando a TI não mira objetivos para além de si mesma a instituição não consegue alcançar seus objetivos e o grau de frustração e descontentamento de seus usuários aumenta sobremaneira.

E a razão dessas percepções desfavoráveis é a frustração. E frustração sempre é a diferença entre o que é esperado e aquilo que efetivamente foi entregue. Quanto maior essa diferença, maior a frustração, que pode descambar para consequências ainda mais desastrosas e nefastas. Quase todo mundo espera o mínimo da TI, para que possa produzir o máximo possível. Um professor espera o mínimo de funcionamento da TI nas suas aulas, da mesma forma que o pesquisador nas suas investigações. Quando esse mínimo não lhe é entregue vem a frustração. E se a TI for ausente, como em quase toda organização de baixo desempenho, a reação natural é a fuga. Em termos práticos, professores, por exemplo, continuam suas aulas como na Idade Média ou produzem eles mesmos as suas TI. E o pessoal de TI continua imaginando que tudo está perfeito naquele mar de frustrações...


*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD

Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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