Thursday, 21 de February de 2019

OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Diretor de Administração

06 Oct 2017

Diretores de Administração são profissionais versáteis que têm a missão de dar suporte para que as unidades-fim das organizações de ciência e tecnologia alcancem seus objetivos institucionais. Infelizmente a experiência tem mostrado que os indivíduos que ocupam essa posição na hierarquia organizacional desconhecem suas funções apoiadoras, especialmente no nível tático, que representa a tradução dos objetivos estratégicos de seus setores em diretrizes que permitam as ações das unidades operacionais. De fato, essa não é uma tarefa que se possa considerar tranquila de se fazer, de maneira que apenas especialistas em gestão conseguem desempenhar com desenvoltura esse papel. Este artigo tem como objetivo mostrar as funções apoiadoras e tradutoras dos diretores de administração nas organizações de ciência e tecnologia.

Nas organizações, como na vida, para que algo complexo seja produzido é necessário o auxílio adequado para que uma parte do contingente humano se dedique exclusivamente a produzir aquilo que as organizações acertaram com o seu ambiente externo. A razão disso é fácil de ser compreendido: organizações existem para produzir para o ambiente externo aquilo de que precisam. Dessa forma, a organização precisa dividir seu pessoal em pessoal dedicado à produção dessa necessidade ambiental e pessoal que dê suporte àqueles que estão voltados exclusivamente à produção. É liderando esse último grupo que se encontram os diretores de Administração.

Esses executivos pertencem à chamada direção tática, que se encontra logo abaixo dos executivos estratégicos (geralmente pró-reitores de administração), e sua missão é dizer, tecnicamente, de que forma cada objetivo estratégico precisa ser executado, naturalmente que em acordo tanto com os seus superiores quanto com seus subordinados. Capacidade de diálogo e domínio técnico são habilidades imprescindíveis, como se pode notar a partir da síntese de suas responsabilidades.

Quando a organização de ciência e tecnologia decide, por exemplo, expandir-se nos próximos oito anos, são os diretores de administração que devem traduzir essa decisão de maneira que possa ser executada. Sua tradução poderia ser, também em forma de exemplo, "contratar 800 profissionais, construir 4.000 m2 de espaço físico e 30 laboratórios especializados" e assim por diante. Naturalmente, mais uma vez, que não faz essa tradução solitariamente, uma vez que o diretor de administração está a serviço das outras unidades de sua organização.

Além dessa missão tradutora institucional, os diretores de administração também tem a responsabilidade de suporte técnico aos seus superiores estratégicos. Isso significa, por exemplo, que participam das negociações que os estrategistas fazem com os membros do ambiente externo, sinalizando sobre as possibilidades e impossibilidades de atendimento de necessidades ambientais a partir da capacidade de produção das suas instituições. Afinal, são os próprios diretores de administração que, depois de firmados os acordos, terão que detalhar os procedimentos de produção quanto se responsabilizar internamente pelo suprimento que permitam às unidades-fim produzir aquilo que foi acertado.

Os diretores de administração têm, portanto, dupla função: auxiliar nas estratégias e garantir a produção interna, responsabilizando-se pelo desempenho de seu setor. O que explica esses dois papéis, primeiro, é que a maior parte das responsabilidades dos executivos estratégicos é com o ambiente externo, cabendo a menor parte de responsabilidades internas, como a apresentação de resultados; segundo, como os executivos estratégicos se concentram no ambiente externo, os diretores de administração é que tomam para si a produção dos resultados de seus setores.

Vamos a um exemplo, para que isso fique claro. Imagina que um Instituto Federal fechou convênio com uma indústria para a capacitação de 1.000 servidores. Isso foi negociado pelo pró-reitor de extensão e seus diretores. A pró-reitoria de administração e seus diretores recebem a demanda e a traduzem em termos de recursos humanos, máquinas, equipamentos, tecnologias e insumos necessários para fazer o treinamento. É isso que se chama tradução. No caso dos diretores de administração, essa é apenas a primeira etapa do seu trabalho.

A segunda etapa prossegue com a aquisição, alocação, uso, avaliação do uso e prestação de contas dos recursos humanos, materiais e tecnológicos previstos para alcançar o objetivo pretendido, que é a capacitação dos 1.000 servidores da indústria conveniada. Isso quer dizer que, na prática, tudo o que não seja produção é responsabilidade do diretor de administração, para que o pessoal da produção se dedique exclusivamente a produzir aquilo que foi acertado com o ambiente externo: capacitar 1.000 servidores.

É como na equipe de futebol. Para que os jogadores possam entrar em campo e fazer bem o seu papel é necessário que todas as suas necessidades sejam supridas por outros profissionais. Por isso há que haver a equipe de transporte e hospedagem, a equipe de alimentação e nutrição, a equipe de vestimenta e acessórios, a equipe de preparação física e assim por diante. Já imaginou o que seria dos times de futebol se cada jogador tivesse que se responsabilizar pelo seu transporte, hospedagem, vestimenta, alimentação, preparação física e tudo o mais? Seria capaz de entrar em campo e obter alto desempenho?

Nas organizações de ciência e tecnologia deveria funcionar da mesma forma que se faz com os times de futebol. Infelizmente, quase sempre não é isso o que acontece. Nossos colegas dirigentes parecem se esconder nos seus nichos físicos e desconhecem as necessidades das atividades-fim de suas organizações. Sem colaboração e comunicação não há organização. E sem organização não há alcance de objetivos de forma racional e efetiva. Não há, consequentemente administração. Nem diretores...

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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