Wednesday, 12 de December de 2018

OPINIÃO


Opinião

Homem, destino e universo

20 Dec 2012

José João Neves Barbosa Vicente
 
É correto afirmar, por exemplo, que a relação homem / universo é antiga, mas isso não significa, necessariamente, que os homens viviam ou vivem livres e felizes com tal relação.

A vida do homem primitivo, como provam suas ideias e pensamento, não era livre e feliz como geralmente se acredita. Os povos mais antigos acreditavam no “animismo”, isto é, para eles, cada objeto no mundo era semelhante ao próprio homem, porém mais poderoso, e nem sempre amigo dos homens. Todas as coisas no universo eram consideradas pelos homens primitivos como sendo seres vivos ou moradas de um espírito; cada ser ou espírito era, para eles, muito poderoso, zeloso de sua força, ofendia-se facilmente e era terrível em sua cólera. Assim, os homens primitivos viviam, na verdade, constantemente receosos de que, inadvertidamente, pudessem ofender e encolerizar um desses seres ou espíritos, e sofrerem o mais tétrico dos castigos.

Percebe-se, portanto, que o homem primitivo não era livre. Cada ato e cada pensamento eram dirigidos e determinados pelos seres e espíritos do universo. É verdade, no entanto, que, mais tarde, a espécie humana ultrapassou a crença no “animismo”, mas não conseguiu acreditar na liberdade. As forças que governavam todos os atos humanos deixaram de serem objetos vivos da natureza, ou espíritos que ocupavam os objetos naturais e o próprio homem, passaram a ser julgadas como sendo “as Parcas”, isto é, seres poderosos e influentes que determinavam a sorte de cada indivíduo. A ideia de espíritos como a de “Parcas” provam que entre os primeiros homens, o destino de cada um estava determinado por forças que se achavam além de seu próprio controle .

Para os primeiros filósofos, também, o destino do homem está determinado pelas forças do universo. Para os pitagóricos, a natureza do universo é formada de maneira a determinar o destino do homem. Os segredos de sua sorte encontram-se encerados nos números; para descobrir o que acontecerá com ele, o homem precisa compreender a linguagem dos algarismos. Para Heráclito, toda mudança está de acordo com uma lei fixa e imutável, lei que é o princípio básico do mundo e que todos estão sujeitos. Portanto, a sorte do homem está determinada, não pelo que faça, mas pelos fatos de sua criação. Os sofistas abriram uma brecha nessa tradição.

Acreditando na ideia de que o homem é a “medida de todas as coisas” como pregava Protágoras, ensinaram que o homem não podia permanecer inteiramente preso a um processo. Para os sofistas, o homem pode moldar a sua existência de maneira a satisfazer seus desejos; o homem não está inteiramente escravizado pelos espíritos ou forças ocultas.  Portanto, graças aos sofistas, os filósofos repensaram o problema da relação entre o homem e o universo, e das forças responsáveis pela sua existência e atividades. O homem deixou de aceitar a “força inevitável do mundo” sem desafio, sem luta, sem defender sua própria integridade.

O conhecimento é a suprema realização do homem. É pelo conhecimento que o homem é capaz de ter certa influência sobre o seu destino na terra e na vida futura, ele possui sua própria capacidade de escolha, sua própria força. O homem pode ordenar sua vida de modo a vivê-la com espírito de justiça e sensatez. Ele é um ser livre para construir uma vida que valha a pena viver. O homem, portanto, não é delimitado pelo mundo, ele pode fazer sua escolha e determinar o próprio destino. Somos livres para fazermos o que é bom ou o que é mau, não há força no mundo que nos obrigue a agir num ou noutro sentido. O supremo fim do homem é a realização do que existe de mais elevado e melhor nele como ser humano: sua Razão. Ele pode escolher entre evitá-la ou realizá-la em sua totalidade. É livre para lutar para vir a ser tudo o que está nele para ser, ou para tornar-se menos do que é. Cabe a ele a escolha final. Não é bom um mundo no qual o destino domina completamente; um mundo assim, os homens que nele habitam não podem ser julgados como responsáveis pelos seus atos.
 
Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT – Revista de Filosofia

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