Sunday, 23 de September de 2018

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OPINIÃO


Lideranças empresariais: a essencial presença feminina

15 Aug 2012

* Por Iêda Novais
 

As vantagens de termos uma mulher como a primeira presidenta da República do Brasil e a posição de destaque que o país vem alcançando no cenário internacional são imensuráveis. A oportunidade tem favorecido e estimulado espaços para que mulheres líderes possam se mobilizar e imprimir novos rumos ao desenvolvimento do País, definindo um papel mais ambicioso na busca por uma atuação mais marcante na vida política, econômica  e social. Para se ter um ideia dessa evolução, em 1950, apenas 13,6% das mulheres em idade ativa, estavam mercado de trabalho. Esse percentual alcançou 53,7% em 2011. De acordo com o último censo do IBGE, elas se tornaram maioria no Brasil, sendo 51% da população brasileira.

Mas a realidade é que, apesar da significativa participação das mulheres na população economicamente ativa e da maior quantidade de anos dedicados aos estudos em relação aos homens, ainda é bastante reduzido o número das que ocupam cargos hierárquicos mais altos no País. Por exemplo, um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) apresenta um panorama da presença de mulheres nos Conselhos de Administração, nas diretorias estatutárias e nos conselhos fiscais das empresas listadas na Bolsa de Valores. Em um total de 2.647 posições de conselho efetivas em maio de 2011, apenas 204 eram ocupadas por mulheres, representando 7,71% do total, sendo que 66,3% das empresas listadas não incluem mulheres em seu conselho.

Na prática, percebemos que a presença feminina em cargos de liderança está em evolução nos últimos anos, embora a predominância ainda seja masculina, especialmente no topo da pirâmide hierárquica das empresas. Uma observação importante é que o crescimento alcançado não está ligado diretamente à ocupação de cargos de liderança, mas o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho também levou a transformações setoriais nas empresas e fora delas. A mudança no papel das mulheres na sociedade brasileira pode ser notada também pelo aumento significativo do número de famílias com filhos chefiadas por elas.

As barreiras para atingir a equidade de gêneros dentro das empresas ainda são muitas. A busca de compromissos pelas líderes  de organizações está se materializando em ações afirmativas de empoderamento da mulher no ambiente de trabalho e  a promoção e valorização de temas como governança e liderança para o desenvolvimento de uma  economia nacional competitiva, inovadora e inclusiva.

Diante desse contexto, torna-se cada vez mais prioritária a construção de políticas para atração, retenção e promoção das mulheres para as organizações fazerem frente ao seu crescimento de forma sustentável. Com a constatação da existência de lacunas nas áreas, verificamos a importância de se pensar em ações ou programas que promovam impactos e que façam a diferença na transformação da sociedade.

Um grupo de mulheres formado pelas executivas das principais empresas brasileiras, da academia, do terceiro setor e da administração pública, apoiando o Ministério do Meio Ambiente na construção de um legado da Rio +20 sobre o papel da mulher na nova economia verde, definiu algumas metas ambiciosas, mas reais, até 2020. No que diz respeito à participação feminina nos Conselhos de Administração, espera-se que seja atingido um percentual de 20% nas empresas de capital aberto, nas companhias públicas e de capital misto. E para que esses objetivos saiam do papel e se tornem realidade também, foi estipulada uma série de ações que devem ser colocadas em prática imediatamente.

O pontapé inicial está em dar maior visibilidade aos exemplos femininos de sucesso e depoimentos de presidentes e presidentas de empresas que incentivam a conciliação da vida profissional e pessoal, como forma de desmistificar o tema, abordando de maneira clara e honesta as barreiras e dificuldades das mulheres que se tornaram líderes em suas organizações. Outro ponto importante está em planejar e desenvolver nas empresas experiências-piloto de reorganização do uso do tempo e organização do trabalho por meio de incentivos à constituição de redes de executivas.

Transformar valores e mudar comportamentos ainda arraigados em nossa sociedade em relação ao papel e à presença da mulher no mercado de trabalho não é uma tarefa fácil. Vale lembrar que a equidade é uma garantia de competitividade para um País moderno, igualitário e democrático. E a participação e o fortalecimento da presença feminina no mercado de trabalho permite um aumento da autoestima e da renda e possibilita ainda um maior envolvimento do homem no cotidiano do grupo familiar.
 
* Iêda Novais é diretora da KPMG no Brasil e membro do grupo KNOW – KPMG´s Network of Women

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