Tuesday, 19 de February de 2019

OPINIÃO


OPINIÃO

O Brasil precisa criar mais faculdades

17 Jun 2013

Por Paulo César Regis de Souza (*)


O governo brasileiro está a fim de importar supostos médicos cubanos para atender os pobres do interior do Brasil, com o argumento falso de que nossos médicos não vão para o interior.

Os Ministérios da Saúde e da Educação estão no firme propósito de passar um trator por cima das associações e entidades médicas para cumprir seus desígnios eivados de suspeição. Os dois ministros são candidatos de Lula ao governo de São Paulo e não se deram conta da segunda indignidade que cometeram. A primeira foi impedir a criação de novos cursos de Medicina com outro argumento falso de que os cursos são ruins. Os dois ignoram que os tais médicos cubanos e os brasileiros formados em Cuba, indicados e custeados por entidades e partidos brasileiros, não passariam no ENEM... Como não passaram no REVALIDA quando tentaram revalidar seus diplomas. Em primeiro lugar, os cursos de Medicina de Cuba são equivalentes aos nossos de enfermagem e formam 300 por ano. Onde arranjarão 6.000? A Medicina cubana é fraca. Faltam recursos técnicos e científicos, instalações e insumos, professores e mestres, falta dinheiro a Cuba para papel higiênico.  O regime acabou com a agricultura e a pecuária.

O impedimento de abertura de novos cursos de Medicina foi um achincalhe dos dois candidatos de Lula ao governo de São Paulo à História da Medicina no nosso pais.

O nosso padrão de ensino médico é ruim porque o MEC é uma tragédia. Não fiscaliza nada.  Se há falhas é por que há conivência do Ministério com elas. Os aloprados que estão no MEC querem fazer proselitismo. Importar 6 mil médicos cubanos, 6 mil engenheiros búlgaros, 6 mil cientistas bolivianos, 6  mil químicos equatorianos, 6 mil advogados nicaraguenses. Induzir 7 milhões de jovens para fazer o ENEM quando as universidades publicas não terão 300 mil vagas em 2014 é um escárnio!  O Brasil que deveria criar uma faculdade por dia para tudo o que nos falta está na contramão da história. O discurso de jogar 10% do PIB na Educação é embromação!

O nosso padrão de assistência médica tem qualidade zero porque o Ministério da Saúde não tem referências para gerenciar o SUS. Todos os dias, entre 7.30 e 9.30 em qualquer ponto do país, o circo dos horrores invade as casas dos brasileiros, através das redes de televisão, mostrando a miséria nos hospitais públicos seja em São Paulo ou no Acre, Alagoas ou Rio de Janeiro. Uma vergonha. Querer resolver isso importando suposto médico cubano é uma agressão à sociedade brasileira! Querer resolver isso com postos de lata e papelão , as tais UPAS, é bandalheira!

Não há um programa consistente para interiorização dos médicos. Há empulhação de todo tipo. Os estudantes poderiam fazer o internato, depois de seis anos numa Faculdade, no interior sob supervisão médica. Se tem dinheiro para um balaio de bolsas, teriam um naco de uma delas. Da mesma forma, que em cidades do interior de grande porte, com hospital regional, poderiam fazer Residência e trabalhar lá. A Residência é complexa, pois o futuro médico estará buscando sua especialização. Mas se o governo não quer especialista, mas generalista, médico de dor de barriga, gripe, dor de cabeça, resfriado, virose. 

Houvesse um programa de interiorização para os que estudam em universidades públicas que cumpririam dois anos no interior seria um começo. Há uns 200 programas de saúde, superpostos, com resultados pífios. Basta ver o circo dos horrores na TV. Banalizaram a vida e a morte, incendiando as vítimas.

Não tenho e não quero procuração de médicos e entidades para defendê-los. Nem precisam.

A minha tese, exposta em artigo anterior, é a de que no Brasil para ser presidente não precisa estudar, para ser ministro também não. Dos 39 ministros, poucos passariam no ENEM...

Peço que me acompanhem. Cada médico cubano custará 6 mil reais que irão para o governo de Cuba que acaba de receber, de graça,  150 milhões de dólares para recuperar seus aeroportos caquéticos. O governo brasileiro terá que transporta-los de Cuba digamos para Brasília. E daqui para os grotões. Terá que hospeda-los, dar comida, roupa nova e lavada, pagar uma “bolsa” do tipo presidiário, de 1.100 reais. Terá que lhes dar postos de saúde, hospitais e casas de saúde bem como instrumentos e insumos que não dá aos brasileiros.  Os enfermeiros cubanos serão escolhidos a dedo, com lavagem cerebral, pois terão que fazer aqui o que fizeram na Venezuela, espalhando a “doutrina bolivariana”. É uma tragédia anunciada de graves consequências.

Eles como enfermeiros são especialistas em nada. Não falam o nosso idioma nem o dialeto dos grotões.
Temo ainda que neste momento em que a Previdência Social está terceirizando a Perícia Médica que os enfermeiros cubanos venham a participar do processo. É uma forma de sair dos grotões e se infiltrar nas periferias onde o tráfico e as milícias controlam a saúde pública.

A conta será paga pela União, que vira as costas às escolas e aos estudantes de Medicina no país. Não precisamos disso.  Precisamos que a Presidente Dilma determine aos Padilhas e Mercadantes que lancem dois programas. 1)  abrir uma faculdade por dia e uma universidade por mês. Estaremos pensando no futuro. 2) exigir e cobrar qualidade no ensino superior. Com a cubanização, estaremos voltados para o passado.

Mas como exigir a abertura de faculdades a um ministro que indaga: “O que museu tem a ver com educação?” (Coluna do Ricardo Noblat, quando Mercadante visitou um Museu da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife). Difícil.


Paulo César Régis de Souza é Vice Presidente Executivo da Associação Nacional dos Servidores da Previdência e da Seguridade Social-ANASPS.

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