Saturday, 19 de September de 2020

OPINIÃO


Opinião

O pensamento cristão e o problema do bem e do mal

07 Nov 2012

José João Neves Barbosa Vicente*
 
Alguns pensadores cristãos refletiram sobre o bem e o mal e traçaram alguns princípios que se tornaram referências para o cristianismo, mas suas teorias não solucionaram o problema.

A distinção entre os princípios do bem e do mal não foi estabelecida pelo cristianismo, mas pelas primeiras religiões que remontam às tradições religiosas dos babilônios, assírios e outros povos, das quais o cristianismo e todo o movimento religioso ocidental receberam muitos elementos. Foram elas que traçaram a linha entre a luz e as trevas, entre a vida e a morte, entre o bem e o mal. O dualismo existente, por exemplo, no cristianismo, foi extraído dessas religiões e se tornou fundamental para as questões do pecado e da redenção.

Se o pecado desceu ao mundo, doutrinava os apologistas, é porque o homem criado com o próprio espírito da bondade preferiu afastar-se de Deus e voltar-se para a carne, para o corpo. Simbolicamente a história de Adão e Eva representa a vinda do pecado que foi legado a todos os homens como pecado original. Sendo assim, vivemos perseguidos pelo mal por sermos o que somos, isto é, descendentes de Adão e Eva. Neste sentido, todos nós precisamos e devemos procurar a salvação através da graça divina de Deus. O próprio S. Agostinho, considerado o maior pensador do período patrística, sempre acreditou que a presença do mal no mundo lhe proporcionou tormentos sem fim. Por isso, de acordo com ele, o objetivo da humanidade é unir-se completamente a Deus. O homem deve dirigir toda sua atenção a Deus que é bondade e perfeição através do desprezo dos prazeres insignificantes e obscuros, pois a união com Deus somente é possível por meio do amor a Ele, em oposição ao amor pelo mundo.

De acordo com S. Tomás de Aquino, o maior pensador do período escolástico, todas as coisas foram feitas por Deus para um determinado fim, e a concretização desse fim é o maior e mais elevado bem. Assim, o homem revela a bondade de Deus ao concretizar o objetivo para o qual foi criado. A sua mais alta forma de ação deve ser sempre a contemplação de Deus. A melhor maneira de atingir a bondade é abandonar os bens mundanos e procurar viver para Deus. M. Eckhart, por sua vez, argumentou que a vida é justa quando se esforça por voltar à união divina e integrar-se em Deus. Para ele, não se atinge a bondade através do esforço em praticar o bem, mas ao mergulhar-se na união com Deus.

Fica evidente, portanto, que os pensadores cristãos acentuaram o abismo entre Deus e tudo o que é menos que Deus. A bondade (o bem) é, para eles, uma criação de Deus, quem quiser encontrá-la deve adaptar-se ao plano ou objetivo de Deus. Associado ao corpo, à matéria ou ao mundo, está o mal, este, porém, segundo eles, não deve ser considerado uma criação do único Criador do universo. O dualismo bem e mal funciona bem até a tentativa de ser explicada a criação do mundo; mas essa tentativa apresenta dificuldades ainda sem soluções.

Portanto, os pensadores cristãos não conseguiram solucionar o problema do bem e do mal. As religiões orientais que, ao contrario do cristianismo, não fizeram de seus deuses os criadores de todo o universo foram mais realistas. Elas tinham, também, pelo menos dois deuses, um, o da bondade (bem), e outro, o do mal.

 



*Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT – Revista de Filosofia - josebvicente@bol.com.br

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