Sunday, 23 de September de 2018

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OPINIÃO


Opinião

O relativo e o absoluto nas questões do bem e do mal

28 Nov 2012

José João Neves Barbosa Vicente
 
No que tange às reflexões sobre o problema do bem e do mal, a história do pensamento humano seguiu duas vias: a absoluta e a relativa.

O pensamento moderno, por exemplo, ao refletir sobre a questão do bem e do mal lidou com o mesmo problema enfrentado pelo pensamento antigo e medieval que, de um modo geral, seguiu a via absoluta. Mas, não se pode negar, também, que introduziu elementos novos na tentativa de resolver algumas dificuldades. Hobbes, por exemplo, considerou o problema do bem e do mal uma questão de movimento. Assim, um movimento bem sucedido gera prazer; em caso contrário resulta em dor. É mal tudo aquilo que causa dor ou desconforto; é bem tudo aquilo que agrada. Fica evidente, portanto, que de acordo com este tipo de pensamento, bem e mal são coisas relativas: o que agrada a um pode não agradar a outro.

Nenhum homem deseja a sua própria destruição, mas sua preservação. Assim, o esforço no sentido de preservar-se constitui um bem, qualquer coisa que tenta entravar este esforço constitui um mal. Mas, como disse Espinosa, é importante ressaltar que o esforço do homem deve ser racional. Ele deve compreender o que está fazendo e conhecer as consequências, pois é no compreender e no conhecer os seus esforços que está a sua felicidade, o seu mais alto bem. Um ato bom, certamente, não é aquele praticado com esperança de ganhos egoístas ou com vistas à simpatia dos outros. O ato bom, como disse Kant, é aquele praticado por dever: devemos agir de acordo com uma máxima que possamos querer, ao mesmo tempo, que ela se converta em uma lei geral; devemos a gir de modo a desejarmos que o mundo inteiro siga o princípio do nosso ato. Estes são os critérios que constituem o bem e o mal.

A questão do bem e do mal pode ser considerada, também, como insistiu J.S. Mill da escola utilitarista, em termos de “o maior bem para o maior número”. Assim, em relação a um ato deve-se questionar se ele trará muitos benefícios a um grande número de pessoas. Aqui bem e mal são compreendidos como algo determinado por fatores sociais; o ato de um indivíduo é acentuado na experiência de outros. Para esse tipo de pensamento, bem e mal são determinados pelo efeito do ato sobre a vida de outros indivíduos que vivem agora ou viverão no futuro. Para a escola pragmática, como J. Dewey, por exemplo, o bem deve ser aquilo que atende aos objetivos do grupo e do indivíduo nesse grupo. Assim, um ato bom deve considerar o indivíduo como fim e não como me io, pois o indivíduo como unidade social é a última medida do bem e do mal. Tudo que enriquecer sua vida deve necessariamente enriquecer a de todos.

Fica evidente, portanto, que toda a história do pensamento humano sobre o bem e o mal seguiu duas vias fundamentais com várias nuanças: a absoluta que considera o bem e o mal como algo estabelecido desde o começo dos tempos como demonstrei em outras reflexões, e a relativa que considera o problema como algo que deve ser descoberto por meio do estudo de cada situação especial em foco. Isto é, são o tempo e o lugar que determinam o bem e o mal. As duas vias devem ser analisadas minuciosamente, mas não se pode negar que a tendência dos homens que nutrem respeito pela ciência e pela razão é acentuar o ponto de vista relativo e afastar do ponto de vista absoluto.

 


Filósofo, professor da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Editor da GRIOT – Revista de Filosofia - josebvicente@bol.com.br

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