Wednesday, 24 de October de 2018

OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Pró-reitor de gestão de pessoas

30 Jun 2017

Algumas organizações de ciência e tecnologia (mais precisamente, algumas universidades) têm criado a posição de Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas em suas estruturas. Evidentemente que cada organização cria as posições que queira criar. No entanto, a racionalidade diz que as atividades meio têm que estar voltadas para o suprimento das necessidades das atividades fim. E parece que este não é o caso quando se trata de gestão de pessoas. A razão disso é que o pessoal, como a maior riqueza de uma organização, não pode ser atribuição de uma única unidade. Aliás, encarcerar a gestão de pessoas a um setor é o caminho mais rápido para a inépcia e a inocuidade. Neste sentido, este artigo tem como objetivo mostrar quais as funções do pró-reitor de pessoal enquanto atividade meio das organizações de ciência e tecnologia.

As estrutura organizacionais são uma fórmula de cálculo em que se equilibram posições em relação à formalização (regras), centralização (distribuição do poder) e dispersão espacial (número de unidades organizacionais espalhadas territorialmente). A base para esse cálculo são os focos de produção (atividades fim) e as bases de apoio à produção (atividades meio). Dessa forma, quanto maior a quantidade de atividades fim, maior a necessidade de bases de apoio a esses sistemas de produção. Essa é a regra vital da estruturação das organizações.

As atividades meio podem ser divididas em essenciais, básicas ou fundamentais, que são aquelas que toda organização precisa desenvolver para que seu negócio (seus relacionamentos com o ambiente externo) possa se consolidar. Dentre essas atividades estão finanças, marketing e pessoal. Marketing tem a responsabilidade de identificar e desenhar esquemas de suprimento de necessidades; finanças é a tradução relacional do ambiente a montante, com os fornecedores, a jusante, com os clientes e internamente, com pessoal e acionistas; e o pessoal é a natureza viva que dá vida a tudo nas organizações.

Traduzindo, marketing diz à organização o que deve produzir, finanças traduz a produção em termos de entradas e saídas de dinheiro e pessoal lida com a força motriz que tanto planeja quanto executa o relacionamento organização-ambiente. E o que fazem as outras unidades que não sejam finanças, marketing e pessoas? Simplesmente produzem! Notem que finanças, marketing e pessoas estão a serviço da produção, estejam eles em qualquer posição na estrutura da organização.

É por esse motivo que se diz que todo gestor, em qualquer posição da estrutura, tem que ser gestor de pessoas. Assim como também tem que ser gestor de finanças e de marketing! Nas organizações de ciência e tecnologia brasileiras, em que os gestores não foram alfabetizados gerencialmente, inventam-se posições estratégicas como "forma de valorizar" alguns setores gerenciais. É por essa razão que a mentalidade infantil de alguns "pensadores" gerenciais recomenda, por exemplo, que Compras têm que estar na segunda linha de comando ou que Logística ocupe essa posição. A segunda linha de comando não é feita para valorizar qualquer tipo de setor. Essa linha nada mais é do que a relação entre atividades-meio e atividades-fim.

Vejam estes exemplos. Em comércio, as atividades fim básicas são "Compras" e "Vendas"; em indústrias, poderiam ser "Vendas" e "Produção"; enquanto em organizações de serviços poderiam ser "Contratos" e "Operações". Qual é a lógica? Em comércio, compra-se para revender; em indústrias, vende-se para depois produzir; e em serviços, celebram-se os contratos de prestação de serviços para depois executarem-se as operações. E quais são as atividades meio para isso? Em comércio poderiam ser "finanças", "marketing" e "logística"; na indústria poderia, "finanças", "marketing" e "logística"; e em serviços, "finanças", "marketing" e "logística". Isso mesmo: finanças, marketing e logística é a base das atividades meio.

E o que isso tem a ver com o pró-reitor de gestão de pessoas? Tudo! Em primeiro lugar, há redundância tanto no nome da posição quanto na função. Todo pró-reitor é um gestor, de maneira que quando se diz pró-reitor está-se dizendo "gestor", "gerente", de maneira que o nome da posição deveria ser "Pró-Reitor de Pessoas", assim como se tem o pró-reitor de pesquisa e não pró-reitor de gestão de pesquisa. Segundo, que se há uma pró-reitoria para gerenciar pessoas, as demais pró-reitorias estarão isentas, livres dessa responsabilidade? 

O que estamos querendo chamar a atenção é que o pró-reitor de pessoas é um non sense. Não faz sentido haver essa posição na segunda linha da hierarquia organizacional porque é uma atividade típica do pró-reitor de Administração. Há uma relação tripartite entre finanças, pessoas e logística, de maneira que isolando uma delas impede que o pró-reitor de administração tenha visão de conjunto e panorâmica do todo organizacional. Sem essa visão, sua missão de dar suporte às atividades fim fica completamente comprometida, especialmente porque perderia o poder de ação sobre o comportamento do setor "pessoal" no curto, médio e longo prazos.

O que faz o pró-reitor de "gestão de pessoas"? Faz os pagamentos do pessoal? Obtém receitas de fontes diversas para investir nas pessoas? Alinha crescimento e desenvolvimento com os processos internos da organização? Negocia com os servidores de diferentes unidades e setores as metas de produção que precisam ser alcançadas? Acerta com os servidores padrões de desempenho, assim como métricas e indicadores? Nada disso é feito. E isso é a base do gerenciamento das pessoas, base essa que se altera ao longo do tempo, da mesma forma que se alteram metas e objetivos que vão dar sentido à visão de futuro da organização.

O que se tem visto pelas descrições de responsabilidades do pró-reitor de gestão de pessoas é que esta é uma posição mais política do que propriamente técnica. Dito de outra forma, essas posições parecem mais voltadas a encurtar caminho para a introdução de modificações na cultura ou crenças organizacionais sobre a importância das pessoas. Esquecem, contudo, que a importância, qualquer que seja ela, em organizações e gerenciamento, não se faz de outra forma que não seja em ações. Em ações pontuais, setorizadas, focalizadas, mas praticadas por todos ou pela maioria. É essa prática específica, mas pulverizada nos setores internos, que provoca a alteração na cultura.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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