Tuesday, 25 de September de 2018

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OPINIÃO


Ciência e Tecnologia

Pró-reitor de graduação

26 May 2017

O pró-reitor de graduação é responsável pelo sistema de formação profissional da organização de ciência e tecnologia. Algumas instituições, como os institutos federais, têm também nível médio, de maneira que, ali, as pró-reitorias de graduação recebem a nominação de pró-reitorias de ensino, o que é compreensível. De qualquer forma, essa unidade organização é responsável por uma atividade fim e por essa responsabilidade deve ser organizada e funcionar. Compete ao pró-reitor de graduação entregar ao ambiente externo os graduados em conformidade com as suas características peculiares, tanto no curto quanto e principalmente no longo prazo. Este artigo tem como objetivo descrever as responsabilidades gerenciais de todo pró-reitor de graduação.

As responsabilidades dos executivos estratégicos mudam em conformidade com os negócios da organização e características dos ambientes onde se inserem. No entanto, quaisquer que sejam os negócios e características ambientais exigem as mesmas competências gerenciais. A primeira dela é saber como seu setor precisa estar no longo prazo. Esse longo prazo em organizações de ciência e tecnologia não pode ser menor do que dez anos. A razão é simples. Para se organizar um curso de bacharelado, que dura em média 4,5 anos, é necessário que se conheça o perfil profissiográfico, conhecimentos, habilidades e atitudes que precisa ser, dentre outras informações essenciais. Isso leva, em média, um ano. Contando-se mais ou menos dois anos para que o MEC autorize o funcionamento do curso e a construção da infraestrutura necessária, dez anos é o tempo ideal para que imprevistos aconteçam, mas mão impeçam o curso de funcionar.

Essa é uma situação de demanda imediata. Os pró-reitores de graduação precisam dar conta das formações para além dos dez anos. Isso significa que precisam ser hábeis em construir e desconstruir cenários a partir da conjugação das sete forças ambientais externas e dos pontos fortes e fracos de sua organização. Esses conhecimentos lhes forçam a ser íntimos dos líderes de organizações e instituições de seus ambientes, além de organizações congêneres internacionais, uma vez que a configuração do ambiente externo é quase que totalmente moldado pelo comportamento internacional, especialmente nas organizações de ciência e tecnologia. Assim, além de estrategista o pró-reitor de graduação precisa ter uma rede de relacionamentos externos bastante robusta e confiável.

É preciso, também, transformar esses cenários em sistemas de produção. Isso lhe exige domínio sobre técnicas de produção e organização da produção, de maneira que possa acompanhar a previsão de formação com as formações efetivamente realizadas. Assim nasce outra exigência do cargo: capacidade de prever. A razão disso é que todo sistema de produção tem um máximo de capacidade de produzir. É preciso calcular com precisão o ponto de equilíbrio entre a quantidade produzida e a quantidade mínima de produção que evite ineficiência. O grau de eficiência institucional é responsabilidade do pró-reitor de graduação, enquanto as eficiências de famílias de produtos são responsabilidades dos gerentes táticos e as eficiências de produtos, dos gerentes operacionais.

Do que foi exposto já é possível compreender o que se quer dizer com o termo "Executivo". Sim, o pró-reitor de graduação tem que ser o "vendedor" dos produtos e famílias de produtos sob sua responsabilidade, organizados sob o termo "Negócios". Por exemplo, para a família de produtos "Engenheiros" tem-se o produto "Engenheiro Civil", "Engenheiro Mecânico", "Engenheiro de Produção", dentre inúmeros outros. O pró-reitor de graduação tem a obrigação de vender o negócio, que é "Profissionais de nível superior", enquanto que seus auxiliares táticos vendem a família e os auxiliares dos gerentes táticos, os produtos.

Se é vendedor, o executivo de graduação precisa ter uma "previsão de vendas" e, consequentemente, uma "previsão de receitas". Sem esse tipo de raciocínio e prática gerencial o pró-reitor se transformará inexoravelmente em um burocrata, mero assinador de papéis e obstruidor da eficiência de sua área, comprometendo completamente o funcionamento do seu sistema de formação profissional.

Vamos a alguns exemplos. Há pró-reitores de graduação que não trabalham com metas de formação profissional semestral ou anual, o que implica em dizer que não sabem quanto seu sistema de produção formará profissionais em determinado horizonte de tempo. Se não sabem quanto formará, muito provavelmente também não sabe qual é a capacidade de formação de seu sistema. Quando isso acontece, algumas consequências são naturais, como alto grau de ineficiência (em quase todos os cursos se formam menos da metade de alunos que entraram), desconhecimento dos custos de produção (quase todos não acham que isso é responsabilidade sua), desconhecimento das receitas auferidas (em organizações públicas, esses gestores riem-se quando se fala em receitas, como se não houvesse entrada de recursos por quantidade de profissionais formados) e desconhecimento de quase todos os indicadores fundamentais de gestão.

Aquilo que não se pode medir não se pode gerenciar. Esse corolário gerencial parece não fazer parte da mentalidade de quase todos os pró-reitores de organizações de ciência e tecnologia brasileiro. A impressão que se dá que essa posição gerencial, para eles, é consequência natural de seu desenvolvimento pessoal ou de sua carreira, funcionando como forma de prêmio, sem qualquer compromisso com o que há de mais caro para o gerenciamento. Noutras palavras, a posição de pró-reitor de graduação não teria responsabilidades maiores do que o status que representa. Seria, portanto, uma espécie de redoma para guardar os corpos ainda não mumificados de mentes que já morreram há muito tempo...


*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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