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Por Tiago Pereira Email: tiago_pereira_@hotmail.com Agora é pra valer! A campanha eleitoral começou nessa semana, dentro dos conformes legais. Acabou também a Copa, ao menos para nós. Hora de voltarmos as atenções para o pleito de outubro. Serão eleitos deputados, Senadores, governadores e o presidente. Ou presidenta. Para um país impregnado de machismo, ter duas mulheres dentre os três principais candidatos não é coisa pouca. Ainda mais quando uma delas desponta com reais chances de ocupar o mais importante posto da nação. Há de se comemorar.
Por outro lado, o representante da ala masculina começa fazendo feio. Ao ser apresentado à ilustre desconhecida figura que cumprirá o papel de vice em sua chapa, ao invés de perguntar a Índio da Costa (DEM-RJ) quais eram as suas concepções políticas ou o que pensa em relação aos importantes temas do país, José Serra preferiu saber se seu vice seria um namorador. “Não. Ele me disse que não. Tem uma namorada. Ele me disse por telefone: 'não tenho amantes'. Eu até disse: 'também não precisa exagerar'. O que tem que ser é uma coisa discreta”. Percebendo que nem seu correligionários acharam graça da piada de moral frouxa, o candidato emendou. "Não estou aqui pregando pular cerca no casamento, mas também não precisa exagerar.". Pois bem, José Serra.
Já não foi a primeira vez que o tucano arrisca a piada. Ao participar do quadro “O povo quer saber” do CQC, da Band, quando perguntado sobre ‘quem pegaria’ se tivesse que escolher entre Dilma e Marina, indicou preferência pela senadora: "A Marina é casada?”Rapidamente, tratou de consertar: “ Eu não pegaria nenhuma das duas, até porque eu sou casado. Aliás, a Marina é casada. Seria uma confusão muito grande". Ufa! Quando perguntado se já teve algum caso extraconjugal, escapou: “Mas que pergunta! Como você é xereta, hein?”
A vida sexual do candidato em nada me interessa. Mas as declarações, públicas, são de chocar. Como por exemplo, ao declarar que uma eventual legalização do aborto causaria uma “carnificina”, e que “dificultaria o trabalho de prevenção”. O ex-ministro da saúde demonstra seu total desconhecimento sobre o tema: Nos países onde a prática é legal, as taxas de aborto são menores do que as nossas. Na Holanda, por exemplo, abaixo de 1%.
E mais, a legalização contribui decisivamente para a queda da mortalidade materna, pois evita que mulheres desesperadas coloquem também as suas vidas em risco em clínicas clandestinas. Os mais inteligentes diriam se tratar, portanto, de uma questão de saúde pública. As mulheres ricas dificilmente passarão por apuros, tratadas nas melhores clínicas, pelos melhores preços. Já as mais pobres ficam entregues à própria sorte.
Marina Silva, por conta de suas convicções religiosas, evita polemizar e propõe um plebiscito. Todos sabemos que ela se posiciona contra a legalização, mas não foge do tema e nem sai por ai falando besteira. Dilma também se posiciona com clareza: “Essa não é uma questão pessoal minha, sua ou da Igreja. É saúde pública. A legislação prevê casos, e acho que nesses casos que tratam de condições adversas de gravidez, como a violência (estupro), e risco de vida não é possível deixar que mulheres das classes populares utilizem métodos medievais, como agulha de tricô, chás absurdos e outras práticas”.
O eleitor escolhe!
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