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O seminário que debaterá o alcoolismo entre os índios karajá na Ilha do Bananal será realizado nas cidades de Santa Terezinha (MT) nos dias 21 e 2 de setembro e em São Félix do Araguaia (MT) nos dias 19 e 20 de outubro. Os eventos terão caráter de diálogo e encaminhamentos, destinados a públicos de até 100 pessoas e o primeiro dia será totalmente dedicado à intervenção dos representantes indígenas. Haverá representantes da Funasa (coordenadorias de Goiás e Tocantins) Funai, órgãos de assistência técnica rural do Tocantins e Mato Grosso, Ministério Público do Estado do Tocantins, Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça do Tocantins, Parque Nacional do Araguaia e Ministério Público Federal. Estes foram os principais encaminhamentos da reunião que debateu a realização do seminário, realizada nesta quinta-feira, 29, na Procuradoria da República no Tocantins.
Entre os assuntos debatidos está a ineficácia de tratamentos pontuais, que segundo o procurador da República Álvaro Manzano acabam se tornado paliativos diante de uma situação que caminha para epidêmica. A ideia do seminário pretende abordar a causas do problema de forma abrangente. Manoel Moreno é xerente e atual presidente da União dos Estudantes Indígenas do Tocantins. Ele relatou que o problema é grande em sua etnia também, e que propostas de atividades para combater a ociosidade e manter o índio na aldeia podem contribuir para resultados positivos. João Moreira, médico da Funasa que coordenou um levantamento feito pelo Distrito de Saúde Especial Indígena (Dsei Araguaia), informou que o problema entre os karajá apresenta proporções perigosas desde 2004, quando foram levantados o consumo de drogas ilícitas e até gasolina inalada, por períodos prolongados e cada vez mais cedo.
Outros tópicos foram consenso na reunião: o foco do estudo não deve ser o indivíduo, mas a comunidade, e sempre considerando as características sócio-culturais de cada grupo. Deve-se buscar a articulação entre os órgãos e sobretudo valorizar o conhecimento das pessoas da comunidade, empoderando anciões e pajés. “Por mais desagregadas que possam estar as comunidades, estas pessoas ainda guardam conhecimento e autoridade”, lembrou o antropólogo Márcio Santos. A sustentabilidade das aldeias foi outro ponto considerado de extrema importância, e para isso foi sugerida a formação de uma cooperativa que valoriza-se a vocação pesqueira do povo karajá, que atualmente vende o produto de sua pesca por preços irrisórios nas cidades próximas das aldeias, onde já se expõe tanto à bebida com a outras drogas cada vez mais fáceis de serem encontradas.
Seminário
As cidades que vão receber o seminário, apesar de pertencerem ao Estado do Matro Grosso, são as mais próximas das aldeias karajá, que estão do outro lado do rio Araguaia, na Ilha do Bananal, território tocantinense.
Em Santa Terezinha, devem ser ouvidos índios das aldeias Macaúba, Ibutuna, São João e Koriwi. Em São Félix, as aldeias Santa Isabel, Fontoura, JK, Wataú e Aximi estarão representadas. Aproximadamente 950 índios formam a população karajá nesta região da ilha do Bananal. (Informações da ascom/MPF)
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