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PAULO COELHO

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Publicada em 20/07/2010
 
 

Três Histórias


O desejo deve ser forte

O yoga Ramakrishna ilustra com uma parábola a intensidade do desejo que precisamos ter:

O mestre levou o discípulo para perto de um lago.

- Hoje vou ensiná-lo o que significa a verdadeira devoção – disse.

Pediu ao discípulo que entrasse com ele no lago, e segurando a cabeça do rapaz, colocou-a debaixo d’água.

O primeiro minuto passou. No meio do segundo minuto, o rapaz já se debatia com todas as forças para livrar-se da mão do mestre, e poder voltar à superfície.

No final do segundo minuto o mestre soltou-o. O rapaz, com o coração disparado, levantou-se, ofegante.

- O Sr. quis matar-me! – gritava.

O mestre esperou que ele se acalmasse, e disse:

- Não desejei matá-lo – porque se desejasse, você não estaria mais aqui. Queria apenas saber o que sentiu, enquanto estava debaixo d água.

- Eu me senti morrendo! Tudo que desejava na vida era respirar um pouco de ar!

- É exatamente isso. A verdadeira devoção só aparece quando só temos um desejo, e morreremos se não conseguirmos realizá-lo.  


Movimentando a sombra

Myiamoto Musashi, o célebre samurai que escreveu “O livro dos cinco anéis”, fala da estratégia para se compreender o espírito e as qualidades do inimigo.

Segundo ele, quando não conseguimos saber o que nosso adversário pretende, devemos fingir um ataque. Todas as pessoas do mundo estão sempre preparadas para se defender, porque vivem no medo e na paranóia de que os outros não gostam dela.

Desta maneira, também nosso adversário – por mais brilhante que seja – é inseguro e reage com violência exagerada à provocação. Ao fazer isso, mostra todas as armas que tem, e ficamos sabendo onde está forte, e quais são os seus pontos fracos.

Musashi chama esta técnica de “movimentar a sombra”. Na verdade, o guerreiro da luz não entra no combate, mas provoca um pouco, e a sombra de sua provocação confunde o adversário.

Então, sabendo exatamente que tipo de confronto deve esperar o guerreiro da luz ataca ou recua.  


O Mahatma vai ao mercado

Mahatma Gandhi, depois de ter conseguido a independência da Ìndia, fez uma visita à Inglaterra. Passeava com algumas pessoas pelas ruas de Londres, quando sua atenção foi atraída para a vitrine de uma famosa joalheria.

O dono da joalheira imediatamente o reconheceu, e foi até a rua, saudá-lo:

- Muito me honra que o Mahatma esteja aqui contemplando o nosso trabalho. Temos muitas coisas de imenso valor, beleza, arte, e gostaríamos de oferecer-lhe algo.

- Sim, estou admirado com tanta maravilha – respondeu Gandhi. – E mais ainda surpreso comigo, pois sabendo que podia ganhar um rico presente, ainda consigo viver e ser respeitado sem precisar usar jóias.

 

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