Friday, 22 de February de 2019

SAÚDE


Ciência e Tecnologia

Aspectos Centrais sobre TI: na pesquisa - parte 4

25 Jan 2018

As atividades de pesquisa fazem as organizações de ciência e tecnologia alcançar a fama e as de ensino as tornam líderes em seus ambientes de atuação justamente pelo pioneirismo de capacitar e formar pessoas naquilo que elas descobrem com suas investigações científicas. Mas são as atividades de extensão que possibilitam quase tudo pela sua capacidade de gerar receitas e outros tipos de recursos para as organizações, tais como parcerias, capacidade empreendedora e sistemas de voluntariado. Diante de tão diversificada (e necessária) carteira de atividades, essas organizações não podem prescindir dos praticamente ilimitados recursos e potencialidades das tecnologias da informação (TI). As experiências de organizações bem sucedidas no Brasil e no exterior mostram que, principalmente aqui, os profissionais dessa área têm feito toda a diferença entre o sucesso e o fracasso organizacional. Este artigo tem como objetivo mostrar como organizações de excelência aplicam a TI na área da extensão.

De forma genérica, extensão é a prática de levar o que as organizações de ciência e tecnologia têm para o seu ambiente de atuação. Para que isso seja viável, mais uma vez, o velho esquema lógico-pragmático gerencial te que ser levado em conta: ambientes têm necessidades que as organizações se dispõem a suprir; para isso, organizam seus sistemas de produção, acionam fornecedores, contratam pessoas, articulam tecnologias, adquirem máquinas e equipamentos para utilizar da melhor maneira possível os seus espaços físicos para transformar matérias-primas em produtos e/ou serviços. Colocar em prática tudo isso é impossível, de forma eficiente e eficaz, sem o concurso da TI.

E o que fazem os profissionais de TI? Atuam em toda a cadeia gerencial! É isso mesmo! Conhecem como ninguém as tecnologias mais adequadas para identificar as necessidades do ambiente; de como auxiliar na tradução dessas necessidades em produtos e serviços; como identificar os fornecedores para cada grupo de materiais, máquinas, equipamentos, tecnologias, pessoas e insumos; nas formas de organização dos sistemas de produção, aplicando técnicas complexas de teorias das filas com teorias das restrições, por exemplo; esquemas de avaliação da qualidade do produto e gerenciamento de falhas; tecnologias para controle físico e financeiro em cada etapa dos projetos de extensão. E muito, mas muito mais!

Para algumas pessoas que acham que ser profissional de TI é apenas ligar máquinas e equipamentos de informática, mexer nas fibras óticas das redes ou colocar próxis e senhas nos sistemas, isso é uma grande ilusão ou infinita improbabilidade. Mas as instituições nacionais que conquistaram excelência fizeram de seus profissionais de TI parceiros insubstituíveis na geração de resultados. Esses profissionais não levam problemas para seus superiores, como nas instituições fracassadas. Levam soluções. Os melhores profissionais dentre os melhores não levam apenas soluções: levam inovações. E os melhores dos melhores dentre os melhores levam revoluções.

Uma organização fluminense se tornou líder de sua região na prestação de serviços para as suas comunidades devido à capacidade empreendedora de seu pessoal de TI, característica que marca as instituições de excelência. Esse pessoal descobriu usou um sistema que permitia minerar informações do ambiente para saber que nichos de mercado ainda não tinham sido explorados. Usou o sistema e elaborou um plano de suprimento para cinco anos, incluindo um plano financeiro, que contava com demonstração de resultados, balanço patrimonial e análise de desempenho mensais para o primeiro ano e anual para os quatro anos seguintes. Como previsto, a organização auferiu lucros médios de dois milhões de reais por ano com a execução do projeto.

Certa organização pública achava que seus custos estavam muito elevados. O pessoal de TI de uma instituição de ciência e tecnologia encontrou um software livre na internet e mapeou os custos de cada unidade daquela organização pública, item por item. O relatório gerado mostrou que havia a possibilidade não apenas de reduzir aqueles custos, mas também elevar a eficiência para alcançar os resultados que quase nunca eram alcançados. Os custos foram reduzidos de uma forma tal que a organização que recebeu os serviços de extensão prestados pelo pessoal de TI ganhou prêmios de qualidade a partir daquele ano. Em organizações de ciência e tecnologia de excelência até a TI presta serviços de extensão.

O que queremos mostrar é que a TI é a mola mestra que leva as organizações a ganhar eficiência na prestação de serviços para suas comunidades, interna ou externa. Mas para isso é necessária que saiam do campo das máquinas, equipamentos e sistemas simples para adentrar no campo da complexidade organizacional. Profissionais de TI de excelência que conseguiram sucesso nessa forma contemporânea de atuação dizem que, comparado com o que fazem hoje, o que faziam antes era praticamente irrelevante e simples. Antigamente bastava colocar um próxi e uma senha em algum ponto no sistema e ficar sem fazer nada, ouvindo música na sala de TI, esperando alguma reclamação, quase sempre atendida de má vontade. Agora, fazer o que faziam antes não ocupa nem uma hora semanal de trabalho. O hoje é desafiador, confirmam.

Gerenciar é congregar esforços para o alcance dos objetivos organizacionais e individuais de forma planejada, organizada, dirigida e controlada. Isso significa que todos os profissionais da organização precisam compreender e saber aplicar essa lógica a partir de suas áreas de atuação. O que chamamos de comando é justamente isso: fazer com que percepções, vontades e ações caminhem para a mesma direção. Mas isso não é possível se a maior parte do contingente humano permanecer na ignorância gerencial. Comandar, portanto, é ensinar e ver a prática de cada uma das etapas do processo gerencial.

*Daniel Nascimento-e-Silva, PhD
Professor e Pesquisador do Instituto Federal do Amazonas (IFAM)

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