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SEXO & AFETO

por Ana Virgínia
anavgama@uol.com.br


Publicada em 23/02/2010
 
 

Ginecologista e terapeuta sexual


Falar de sexualidade, nos tempos de hoje, é ainda encarado com um certo pudor, tanto pelas famílias, como pelos professores e profissionais de saúde. E porque falar da vida sexual da pessoa com deficiência mental é um tabu ainda maior, surge a necessidade conversarmos sobre esse tema para prestar mos esclarecimentos.

“Muitas pessoas, e mesmo os pais, ainda pensam que os deficientes são assexuados, ou que deverão ser reprimidos e nunca valorizados na sua vivência sexual. Nós sabemos que de acordo com as deficiências assim se manifestam. Teremos que saber acompanhá-los, mas os direitos são os mesmos. Eles têm o direito de viver a sua sexualidade de uma forma tão saudável como qualquer outro ser humano.

O comprometimento de sua imagem corporal deve-se ao fato de que essa pessoa passa grande parte da vida freqüentando serviços de saúde, onde a atenção se dirige às partes lesadas, à doença e ao tratamento e, raramente, à pessoa e  aos seus sentimentos.

O comprometimento da auto-estima deve-se às dificuldades de socialização que provoca bloqueios emocionais e carências afetivas. O sentimento de inferioridade e de parecer diferente cria uma dependência física, emocional e/ou econômica que limita o indivíduo mais que a própria deficiência.

É muito importante , no entanto, frisar que “quando falamos em abusos sexuais sabemos que os deficientes são “presas” muito fáceis e muito desejadas para que o abuso se concretize. De modo que, tem ainda esse problema para ser acompanhado. Muitos dos deficientes não conseguem interpretar o abuso como uma coisa má que lhe está a acontecer, porque a maior parte dos abusos ocorre por parte de familiares ou amigos e um deficiente pensa que se aquela pessoa é sua amiga o que lhe está a fazer é para seu bem não identificando esse abuso, tornando a situação ainda mais grave.

A sexualidade tem que ser vista de uma forma igual para todos. Impedir a sua sexualidade é negar-lhe o direito ao afeto, ao amor e  à vida. Lembrar que, todos nós temos o direito à sexualidade, na doença e na saúde, na eficiência e na deficiência.

 

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