Neila Osório: A UMA é uma revolução
O caso é de família. Seu filho de 18 anos estuda Direito do Idoso e o mais velho cursa mestrado em gerontologia. Não podia ser diferente. Neila Osório, professora e doutora em Envelhecimento Humano é um exemplo de que o Tocantins é de quem faz, título que recebeu após anos de dedicação à terceira idade. Natural de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a coordenadora da Universidade da Maturidade (UMA) chegou no Tocantins em 2003 para trabalhar na Unirg em Gurupi. Somente em 2006 veio para Palmas, e no mesmo ano implantou a UMA na Universidade Federal do Tocantins. Hoje, o curso funciona em outros campus da UFT e neste ano passou a atender os idosos da cidade de Campina Grande, Paraíba. “Minha vida são esses alunos. Quando você faz o que gosta não existe cansaço”, diz Neila, que durante a semana percorre os campus do Estado e uma vez por mês viaja para a Paraíba. Ela nos conta como despertou para o trabalho que realiza. “Eu sempre trabalhei com crianças, mas uma vez fui trabalhar com um grupo de dança e chegando no local, vi aquele monte de velhinhos (risos) sentadinhos, a coisa mais linda. Foi quando a pessoa que coordenava esse grupo me pediu para assumir o comando”, lembra Neila, que na época tinha 30 anos. “Na verdade não foi um pedido, eu tinha que ir. Só depois que eu descobri que aquilo era tudo que eu queria”, completa. Para Neila, o crescimento da UMA é uma “revolução” na sociedade. “Fazemos com que as pessoas percebam que o mundo é dos velhos. O reitor Alan Barbiero chama a UMA de movimento social”, orgulha-se Neila. Ao todo, 1550 idosos freqüentam os cursos no Tocantins, 100 destes em Palmas. Em Campina Grande foram disponibilizadas 200 vagas. “Nosso velhinhos (os chamo de velhos com todo carinho) estão aprendendo a viver com dignidade e a descobrirem uma outra vida nessa idade. Estamos tentando implantar um programa de informatização, que levará a tecnologia para as salas. Serão notbooks especiais, voltados para a terceira idade”, conta. “Temos que tirar os óculos escuros. Nossos velhinhos estão abandonados, morrendo nas ruas, escondidos e ignorados. Não consigo acreditar que uma capital como Palmas não tem uma casa para abrigar esses desamparados”, finaliza.
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