Sunday, 09 de August de 2020

VIVER


Histórias de Gurupi

Bom-humor e fina ironia permeiam texto de autor gurupiense

06 May 2009

É importante que se escrevam livros como Histórias da história de Gurupi, de Zacarias Martins. O município, que fica em Tocantins, a 245 km de Palmas, com a população em torno dos 75.000 habitantes, parece ser bastante simpático, e o livro de Zacarias traz crônicas sobre a cidade e sua história, ressaltando os problemas urbanos, políticos, administrativos e fatos do folclore local.

Como diz Maria Wellitania de Oliveira Cabral, nas primeiras páginas, apresentando a obra: “As crônicas de Zacarias Martins registram o apelo do cidadão gurupiense, situado em determinações que limitam a sua comunicação e o seu reconhecimento pleno.” O Brasil é constituído, em sua maioria, por municípios de porte médio ou mesmo pequeno, e um livro que permite ao cidadão saber o que acontece na sua cidade, possibilitando que ele desenvolva uma visão crítica sobre o meio em que vive, é um passo enorme. Não posso falar especificamente sobre a imprensa local, mas em todas as cidades brasileiras o que predomina é o mascaramento da informação, que tem como objetivo beneficiar, em primeiro lugar, o interesse dos proprietários dos jornais. Portanto, a discussão aberta num livro isento e, a priori, sem objetivos comerciais, só tende a levar a população ao esclarecimento e arremessar para longe a máscara que esconde a verdade.

Zacarias tem uma escrita bem-humorada, sabe tratar com leveza os assuntos pelos quais se aventura. Crônicas como “Cultura desemplacada”, que trata do sumiço das placas inaugurais de administrações anteriores, é muito interessante.  Imaginamos o escritor, como um detetive, saindo à procura das placas e dos autores do desemplacamento. O texto mostra a mesquinhez política de muitos administradores que não conseguem conviver com o sucesso daqueles que os antencederam. Até mesmo a placa comemorativa da inauguração de um centro cultural desapareceu misteriosamente e com ela o nome de Zacarias, que na época presidia o Conselho Municipal de Cultura. Diz o autor que esse mesmo centro cultural foi utilizado muitas vezes como local de velórios. Ele não poupa críticas: “A transformação improvisada do Centro Cultural Mauro Cunha em capela mortuária paralisava todas as atividades culturais ali realizadas, até mesmo o funcionamento da Biblioteca Pública Municipal Professora Deusina.

Uma outra crônica aborda a questão da concessão de uma pensão especial às viúvas de ex-vereadores “que faleceram ou que venham a falecer durante o exercício do mandato parlamentar”. O cronista, além de criticar duramente a medida, conta um fato pitoresco a respeito de outra cidade onde a mesma lei vigorou: “Há alguns anos, a câmara de vereadores de uma cidadezinha do interior de Minas também chegou a aprovar um projeto semelhante e, misteriosamente, nove dos seus dez vereadores morreram.” Segundo ele, o acontecimento foi tão alarmante que nem os suplentes quiseram tomar posse. A confusão foi solucionada com um ato corajoso do presidente da casa, que colocou fim à questão: “apresentou um projeto revogando todos os dispositivos da lei que criava pensão vitalícia para as viúvas.”

Como não poderia deixar de ser, o bom humor predomina até mesmo na última crônica quando, numa solenidade da Câmara, um cego se dispõe a ler a bíblia, e o faz com perfeição.

Conforme pude constatar no livro de Zacarias, a cidade de Gurupi permite uma vida tranquila e em harmonia com a natureza.

Conta o autor que, certa vez, a cidade sofreu uma ameaça de bomba. Suspeitaram até mesmo de Osama Bin Laden. Logo constataram que a ameaça era real, mas ela vinha de uma bomba d’água esquecida sobre a mesa de uma agência da bancária!

Destaco também as fotos que enriquecem cada crônica, apresentando ângulos da cidade, de sua vida passada, da atual e de alguns monumentos e pontos turísticos.

Apesar da tendência ao hilário, o livro é sério. Todo cidadão consciente, que domina o idioma, deveria seguir o exemplo de Zacarias e fazer uma leitura crítica de sua cidade. Assim se poderia chegar a uma vida mais feliz.

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