Friday, 19 de October de 2018

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Presos do CPPP vivem experiência inovadora de meditação Vipassana

26 Jun 2018    17:48
Divulgação Presos do CPPP vivem experiência inovadora de meditação Vipassana Para o presidente da GPA, a experiência dentro da penitenciária atingiu o objetivo.

Um trabalho em parceria para uma prática inédita no sistema prisional brasileiro foi realizado em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte. Há duas semanas o Complexo Penitenciário Público-Privado (CPPP), primeira e única iniciativa brasileira de Parceria Público-Privada no setor prisional, foi cenário de um curso pioneiro no Brasil. Durante dez dias 21 presos deixaram sua rotina normal para conhecer as técnicas da meditação Vipassana, modalidade ensinada na Índia há mais de 2500 anos. Vipassana significa ver as coisas como elas são, vê-las de diferentes perspectivas, o que proporciona um autoconhecimento essencial para o crescimento individual.

A experiência pioneira, que funcionou como um projeto piloto na intenção de se expandir aos demais presos, se deu graças a uma série de fatores e vários componentes trabalhados em parceria. Praticantes da Vipassana no Brasil procuraram a direção da GPA, empresa responsável pela construção e administração do complexo, que, por sua vez, encaminhou pedido à Secretaria de Administração Prisional (SEAP). A partir daí iniciou-se longa conjugação de esforços para garantia do sucesso do projeto com a necessária segurança. Foram detalhes de logística, contatos com familiares, seleção de interessados e entrevistas one-to-one entre organizadores e presos.

Até que se chegou ao número de 25 participantes, que começaram o curso. Quatro desistiram e 21 concluíram os dez dias de trabalho. Cerca de outros dez organizadores se revezaram ao longo dos dias de trabalho em parceria com funcionários da GPA e servidores do Estado.

Outro fator que contou para a realização do encontro é que o presidente da GPA Rodrigo Gaiga é aluno antigo do Vipassana, praticante da meditação e usufrui dos benefícios da meditação no seu dia a dia. “É uma experiência indescritível, são dez dias de conhecimento principalmente de você próprio e como se diz: você vê as coisas dentro de si como elas realmente são. E isso é muito importante no processo de ressignificação por que as pessoas que cumprem pena de privação de liberdade precisam passar”, diz.

Esse projeto vai ao encontro do trabalho que a GPA vem fazendo em prol do desenvolvimento humano. A metodologia de reinserção social da empresa é focada em três pilares: resgate de vínculos familiares e sociais, educação empreendedora e trabalho e desenvolvimento humano. “O trabalho que desenvolvemos, baseado nesses pilares sempre nos lembra que essas pessoas irão retornar para a sociedade, portanto é necessário que elas se desenvolvam no intuito de sair daqui melhores do que entraram. A meditação é mais uma peça dessa engrenagem que estimula a que a pessoa reflita sobre seus atos as consequências desses atos tanto na sua vida quando para a sociedade. E também a responsabilidade de cada um sobre eles. Neste foco trabalhamos arduamente para um retorno longe do crime”, explica Rodrigo Gaiga. “É ganho enorme para toda a sociedade, as pessoas precisam se atentar que o preso irá em algum momento retornar à sociedade. Para tanto é necessário que ele tenha a opção de escolha de qual caminho seguir”.

Dentro desse trabalho de resgate de vínculos e valores, as famílias foram chamadas a participar da cerimônia final do projeto, para que pudessem não só valorizar a oportunidade de desenvolvimento humano, como também estimular os alunos a continuar a prática da meditação após o curso.

Na meditação Vipassana, durante os dez dias seguidos, os participantes mantém silêncio absoluto e regras rígidas, praticando intensivamente técnicas de concentração e atenção. Iniciada na Índia a prática tem sido estendida a vários países tanto orientais como ocidentais. Mas é a primeira vez no Brasil que se consegue desenvolver um curso dessa amplitude no sistema prisional. “Foi um sofrimento. Principalmente nos primeiros dias. Muita dor física, desconforto. Depois começamos a entender o propósito da meditação. Enfrentar os problemas de frente e ver que com tranquilidade e muita concentração, foco, a gente encontra a solução”, diz Edgar Costa Teixeira, um dos presos que participaram do programa de meditação.

Para o presidente da GPA, a experiência dentro da penitenciária atingiu o objetivo. Concluído o primeiro encontro a GPA se prepara para novas iniciativas nesse sentido. “Estamos sempre prontos a desenvolver trabalhos de parceria que possam contribuir para o processo de ressocialização dos presos. E esta certamente é uma das mais significativas inciativas realizadas aqui dentro”, encerra.

Enquanto isso, os resultados do primeiro encontro já começam a ser percebidos. “A gente acostuma a se concentrar muito mais independente do ambiente e começa a passar isso para os outros”, explica Maxwel Gonçalves Pereira, outro preso que participou do curso. Ele nunca tinha participado de nada parecido, mas resistiu aos 10 dias de treinamento. “Eu tento passar alguma coisa da técnica para as outras pessoas que eu percebo que precisam de ajuda. E elas têm ouvido e tentado”, conta. Para ele a experiência foi muito além de suas expectativas. “Foi a melhor coisa que me aconteceu desde que estou preso. Acho que todo mundo deveria desenvolver essa técnica: presos, policiais e até os monitores de segurança aqui do Complexo. É realmente importante para todos”, conclui.

Sobre o CPPP
Inaugurado no primeiro trimestre de 2013, o CPPP é resultado de uma iniciativa do Estado de Minas Geais de criar uma nova modalidade para o sistema carcerário, que há anos vem dando mostras de esgotamento em sua forma tradicional Brasil afora. No modelo de PPP um parceiro privado assume a responsabilidade de planejar, construir e gerir um empreendimento por determinado tempo nunca menor do que 25 anos. A totalidade dos investimentos também é atribuição do parceiro privado. No caso do CPPP, os investimentos somam algo em torno de R$ 480 milhões, que serão amortizados ao longo do contrato de 30 anos. Ao final, a GPA, empresa vencedora da concorrência para construção e administração do complexo, deverá entregar ao estado a estrutura física do empreendimento nas mesmas condições em que ele iniciou a operação.

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