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por Marcos Carneiro .

Publicada em 05/11/2008
 
 

Felizes pra sempre?


Pode até ser clichê dizer isso, mas realmente o cinema é uma fábrica de ilusões. No entanto, por mais louco que seja o devaneio do roteirista ou do diretor, a sétima arte não deixa de ser uma forma “relativizada” de expressar nossos sentimentos aspirações e desejos, íntimos ou explícitos. É aí que entra o tão famoso happy end. Mas será que, na realidade da vida, tudo termina no “felizes pra sempre”?

Quando o mocinho termina em um beijo quente com a mocinha e os créditos começam a subir, somos tomados por uma felicidade hormonal, hoje explicada pela ciência, mas complicada demais para este colunista descrever aqui em poucas linhas. Mesmo assim, muitos filmes, famosos inclusive, rejeitam esse roteiro, porque, afinal, nem tudo são flores na vida. E é aí que vem a descoberta interessante. O público é atraído por desfechos nem sempre agradáveis do ponto de vista romântico. Ninguém se esquece de Romeu e Julieta (1968/1996), o casal de namorados, cujos pais se detestavam, acaba morto, imortalizando seu amor nos teatros e depois no cinema, e foi um sucesso estrondoso. Em Casablanca (1942), o casal principal, interpretado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman acabam se rendendo às convenções e deixando o amor de lado em um clássico mundial. É triste, mas é real.

E quem não se lembra de Titanic (1998)? Esse blockbuster que arrecadou mais de $1 bilhão de dólares mundo a fora, levou 11 estatuetas no Oscar, deixou Rose Bukater sem seu Jack Dawson. Um final infeliz para o filme que fez chorar milhões de espectadores. Mas antes de todos esses filmes cujo desfecho não é lá dos mais animadores, mas mesmo assim interessantes, veio E o Vento Levou (1939). As mais de duas horas do filme fazem que com o público realmente ache que Scarlet O’Hara ficará com seu Rett Buttler. Ledo engano. Pra quem não viu a longa produção, este colunista os poupa dizendo que eles não ficam juntos ao final.

Apesar de muitos filmes terminarem no famoso happy end, como as conhecidas comédias românticas do tipo que se passam no Central Park, com gente engraçada e feliz com pequenas neuroses cotidianas, outras famosas produções provocaram tristeza, revolta e toda espécie de sentimento depreciativo no público de ontem e hoje. E todos sabemos por que o cinema faz isso. Exatamente porque ele vive de sentimentos, que podem ser bons ou ruins. E o público quer sentir veracidade naquilo que vê. O espectador que ter a certeza de que os bons também sofrem; que o amor não é eterno; que a felicidade se compra; que casais se separam; e que nada, absolutamente nada, dura pra sempre.

Happy end pra todos…... ou não.

 

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