Tuesday, 17 de September de 2019

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Seleções da Bélgica e da Argélia ganham reforço da torcida brasileira

26 Jun 2014

Um dos jogos que definia o Grupo H da Copa, entre Bélgica e Coreia do Sul, foi disputado em São Paulo. O telão da Fan Fest, no Anhangabaú, exibia a outra partida, entre Rússia e Argélia. Mas o mais difícil, tanto na Arena Corinthians, quanto na festa no centro de São Paulo, era encontrar um torcedor de alguma dessas nacionalidades.

No Expresso da Copa, que levou os torcedores da estação da Luz diretamente até a Corinthians-Itaquera, a maioria absoluta era de brasileiros. Bem cheio, o trem chegou ao destino final nos prometidos 19 minutos. Muitos seguiam para o Itaquerão trajando a camisa de seus clubes de coração: Corinthians, São Paulo, Palmeiras ou Santos. A maioria estava mesmo com uniforme da Seleção Brasileira, em suas diversas versões, oficiais ou não.

“Nem parece que é jogo da Bélgica”, dizia um torcedor do país de Courtois e Fellaini, que havia se perdido de seu grupo no corredor que dá acesso ao estádio.

Alguns, mais criativos, escolhiam torcer para Bélgica ou Coreia do Sul, com camisas da seleção brasileira e pinturas relativas a uma das equipes que jogariam em São Paulo. A maioria se “naturalizou” belga. “Eles têm uma bandeira mais colorida”, explicava Alice dos Santos, que foi ao jogo com uma turma de amigos.

Entre os estrangeiros, norte-americanos e alemães, que haviam se enfrentado no início da tarde, definindo o Grupo G, eram os grupos mais numerosos. “Olê, olê, olê! Super-Alemanha! Super-Alemanha!”, cantava no trem uma turma de compatriotas de Müller e Neuer. O time tinha acabado de vencer os norte-americanos, por 1 x 0, em Recife, e garantido a primeira colocação do Grupo G.

“Nos vemos na final”, provocou, em inglês, um brasileiro. “Vocês têm medo que a gente coloque a quarta estrela neste escudo”, devolveu um dos alemães, referindo-se a uma possível semifinal entre os dois países. “A gente já tem cinco. Mas se for para vencer a Argentina, está bom”, contemporizou o torcedor do Brasil.

 

Exibição pública

Na Fan Fest do Anhangabaú, a maioria da torcida era para os argelinos. Quase nenhum vindo de lá. “Estou torcendo para a Argélia, mas está difícil. Tenho ascendência árabe”, justificava Vinícius Alcântara, com antepassados marroquinos, preocupado com a partida, no momento em que a Rússia vencia por 1 x 0, gol de Korokin, logo aos seis minutos do primeiro tempo.

Valia tudo para apoiar os argelinos. Perto dali, um grupo de chilenos ostentava uma bandeira do... Marrocos. “Minha filha tem muitos amigos na Argélia”, justificava Roberto Rodríguez, que não deixou de provocar: “Desta vez, o Chile vai eliminar o Brasil. Perdemos na Copa da França [4 x 1, em 1998] e na África do Sul [3 x 0, em 2010]. Agora é a nossa vez.”

Na plateia, um pequeno grupo de russos se concentrava mais próximo ao telão. Os anfitriões da próxima Copa não disfarçavam a ansiedade com o jogo, quase todos fumando.  O nervosismo deu lugar à decepção com o gol de empate do atacante Slimani, de cabeça, aproveitando mais uma falha do goleiro Akinfeev na Copa, aos 15 minutos do segundo tempo.

A partir daí, foi só pressão da Rússia e contra-ataque da Argélia, sem ninguém conseguir concluir boas chances de gol. A pequena torcida russa acendia agora um cigarro atrás do outro, decepcionada.

 

União árabe

Após o apito final do árbitro, uma bandeira da Argélia foi estendida no meio do público. De cabeça para baixo. Mas ninguém notou. Samer Abualia, o dono do ornamento, foi cercado pelos brasileiros e parabenizado pelo feito da seleção, que pela primeira vez disputará uma oitavas-de-final da Copa. “Mas não sou argelino. Sou da Palestina. Torci pela Argélia porque também é um país árabe”, justificou-se.

Pouco atrás dele, os russos começavam a deixar a área. Os homens, bastante chateados, não queriam falar. As poucas mulheres, mais conformadas. “Eles jogaram bem, se dedicaram ao máximo, mas não deu”, afirmou Ekaterina Pivinskaya. “A próxima Copa será na Rússia, e eles vão jogar melhor”, acredita ela. (Portal da Copa)

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