Saturday, 30 de May de 2020

ESPECIAL


Gravidez Precoce

Mães por inocência

07 Aug 2008

Elenilda Maria Santiago conheceu o 'prazer' do sexo aos 13 anos de idade. Engravidou aos 14 e aos 15 já era mãe. A dona-de-casa, hoje com outra maturidade, relembra da facilidade que era entregar-se ao sexo. "Se o tempo voltasse não teria feito nada do que fiz, não gosto nem de lembrar", diz arrependida.

Elenilda Maria afirma que de quando iniciou sua vida sexual até engravidar-se teve em média 4 parceiros. "Na época a Capital era em Miracema e fiquei com vários cantores dessas bandas famosas", relembra, usando a sinceridade ao afirmar que, às vezes, quando lembrava, usava preservativo. "Nunca me preocupei com isso".  

Hoje numa reflexão cautelosa ela acha que a mãe foi a culpada por sua atitude precipitada ou até inocente de manter relação sexual tão nova. "Falo isso porque nunca tive limites", referindo-se aos horários que não eram cobrados pela mãe.  

Segundo Elenilda, ela não se recorda de ser chamada a atenção por ficar até três dias fora de casa, por deixar de ir à escola, sair com turma da "pesada". "Graças a Deus não conheci drogas nessa época, porque com certeza além de grávida seria uma drogada". Como passou por tudo isso, esforça-se para que as filhas não sintam a sua ausência, e na medida do possível faz de tudo para que as duas se sintam amadas e especiais, "coisas que nunca tive quando criança e adolescente".

Além do limite não imposto e da falta de carinho da mãe, a dona-de-casa acha que engravidou por ser muito inocente, em todos os aspectos. O homem que a engravidou tinha 45 anos e ela 14. Com promessas de roupas da moda, calçados e jóias se apaixonou perdidamente por aquele homem galanteador. "Como não podia comprar, fui comprada". Elenilda só teve a responsabilidade de mãe quando sua filha Aline, 9 anos, estava com 1; até então ignorava por completo que pusera uma vida no mundo. Para ela a criança era um atraso em sua vida. Os passeios, as baladas da noite a turma de amigos eram infinitamente mais importantes que uma "coisa que só sabia chorar".  

"Um dia vi minha filha muito doente, olhos tristes, desnutrida, ali, olhando para mim e pedindo carinho. Foi nesse dia que percebi que eu era mãe". Desde então seu comportamento mudou.

Aos 22 anos Elenilda diz estar casada com o homem da sua vida. Além da Aline, tem uma filha de 2 anos, fruto de um outro relacionamento.

Como o passado triste ficou para trás ela recomenda que sexo só após os 19 anos. "Digo isso porque só vim ter prazer com essa idade. Até então o prazer era só dos meus parceiros". Elenilda acredita que gravidez precoce é um atraso na vida de qualquer adolescente. "Não adianta, por mais preparada que esteja, a mulher nunca terá responsabilidade na criação dos filhos".  

Com sorriso meigo, ainda maroto, Sueli da Silva Santos, 15 anos, não sentiu ainda a responsabilidade em ser mãe. Grávida de oito meses e sem muitos planos para o bebê, ela acredita que a gravidez não vai atrapalhar a sua vida. Questionada sobre como cuidar do filho, não soube responder: "acho que deve ser muito fácil". "Acho que ser mãe é igual brincar de boneca, só que agora é de verdade".

A sua mãe, dona Maria de Lourdes da Silva, 48, que diz não dorme à noite de tanta preocupação e que às vezes até chora.

Sueli engravidou aos 14 anos, e ao contrário de muitas adolescentes de sua idade, a gravidez ocorreu quando estava casada. O seu esposo de 29 anos é cobrador e devido ao salário que recebe ainda não sobrou dinheiro para comprar qualquer objeto para seu bebê, que "chega" no mês de junho.

A adolescente fala pouco, é tímida e ainda não sabe discernir o que é real do fictício. Para ela a gravidez não chegou no momento certo. "Fiquei muito triste quando soube que estava grávida. Chorei bastante".

Mesmo sabendo dos métodos contraceptivos, não se preocupou em tomá-los. A ausência da menstruação e dor nos seios foram os primeiros sintomas sentidos por ela. Após 2 meses, depois de uma consulta médica soube que estava grávida. "Mas em momento algum pensei em abortar".

Dona Maria de Lourdes também foi mãe aos 15 anos. Para ela a gravidez de sua filha é motivo de muita preocupação e atenção. "Estou sempre por perto dando apoio, carinho. Acho que ela não vai cuidar do bebê direito, é ainda uma criança".

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