Saturday, 06 de June de 2020

ESPECIAL


Separação

07 Aug 2008

Você me abandonou


Eu não vou chorar


Mas hei de me vingar


Não vou te ferir


Eu não vou te envenenar


O castigo que eu vou te dar é o desprezo


Eu te mato devagar

(Você me abandonou, Alberto Lonato, 1945)

 


Com certeza, o compositor Alberto Lonato nem imaginava algo como a lei do divórcio, regularizada em 1977 (e implementada há um ano, com o Novo Código Civil Brasileiro), quando criou esse samba. Mas tinha consciência de toda a confusão que pode rolar após uma separação. Brigar pela divisão de bens, protelar e reduzir o pagamento da pensão são fatos comuns na vida de homens e mulheres que se divorciam.

A separação inicia seu processo de forma lenta. Os desgastes e os desencantos vão sendo inoculados no cotidiano de um casal, ocupando gradativamente os espaços, que antes em algum tempo, era ocupado pela magia e pelo encantamento. Em um momento já distanciado da lembrança, o espelho de cristal partiu-se. Emendar espelho é impossível.

A imagem refletida é uma imagem partida, dividida e cheia de desfigurações e distorções.  Instalou-se a crise conjugal!  A cada rachadura, o espelho diminui o espaço para refletir uma imagem inteira do par.

Quem entende muito bem desse assunto é a bancária Lourdes Apolinário*. Ela se casou há 5 anos, quando tinha 26 anos de idade. O marido era um ano mais velho e vendia carros em uma concessionária da Capital. Depois de dois anos casados, durante a crise financeira de 1999, ele perdeu o emprego e passou a vender, de porta em porta, planos de saúde. "Foi nesse momento que percebi uma mudança radical em nosso relacionamento", comenta Lourdes, alegando que o ex-marido passou a consumir álcool mais do que o normal e discutir, segundo ela, por razões pífias. Lourdes também confessa, magoada, que o seu ex-marido passou a falar "piadinhas" pelo fato dela ter tomado as rédeas das finanças da casa. "Eu não conhecia este lado machista dele. Isso me magoou muito e então os conflitos só foram piorando", revela.  

No decorrer dos últimos dois anos do casamento, a história ficou ainda mais complicada. Segundo Lourdes o seu ex-marido passou a ter um relacionamento extraconjugal com uma colega de trabalho e, além de traí-la, vivia insinuando que era ela quem o estava enganando com um colega do banco. "Aí não agüentei mais e pedi o divórcio. Ameacei entrar na justiça para ele provar as acusações, mas ele se desculpou e recuou , além de revelar o seu caso extraconjugal", explica Lourdes Apolinário, ressentida.

No final das contas, houve um verdadeiro embate, sem que o ex-companheiro de Lourdes quisesse dar o divórcio. Mas, há poucos meses, depois de várias etapas judiciais, a separação aconteceu.

O exemplo anterior poderia ser pior ainda se, no saldo do relacionamento, houvesse filhos. Muitas vezes um casal prolonga a decisão da separação em função das crianças, mas acaba agravando a situação psicológica em que se encontra a família, afetando principalmente os filhos. Se o convívio conjugal tornou-se impossível, o efeito poderá ser mais dramático com o casal morando sob o mesmo teto. Em função disso, de acordo com a psicóloga Patrícia Zacariotti, é preciso que os dois conversem a respeito, decidindo o melhor para os filhos e até, se possível, compartilhando da opinião deles.

"Entretanto, se desejo houver por parte dos dois, mas se sozinhos não conseguem encontrar meios para sustentar a relação, a ajuda de uma terapia de casal pode ser a resposta. O importante é ver as condições de ambos estarem juntos, conciliando alternativas. Por outro lado, se a separação é inevitável, todo esforço será bem vindo para que esse doloroso processo não seja ainda mais sofrível. O casal deve saber conversar sobre os filhos, visitas, divisão de bens, seja o que for", aconselha a especialista.

Esse conversar com e sobre os filhos tem uma importância fundamental, justamente porque os "pequenos" podem abraçar a idéia de que a separação tenha sido causada em função deles, surgindo um sentimento de culpa. Por isso uma ajuda psicoterapêutica é muito bem recomendada quando a família não consegue lidar com certas questões.

Se depois de tudo não houver recursos para a manutenção do casamento, é bom ter em mente que a relação marido & mulher terminou, mas continuam a existir a figura dos pais, e todos devem estar conscientes disso, para evitar o que aconteceu com o casal Hernani e Sílvia Jacinto*, que se separaram e a responsabilidade de criar a filha de 7 anos acabou se recaindo sobre Hernani. Tudo começou com uma transferência no trabalho de Hernani, que o fez deixar Goiânia para morar em Palmas. Sílvia tinha uma vida estável na capital goiana e não quis acompanhar o marido. Numa briga na justiça, a filha do casal acabou optando em ficar com o pai. A decisão pesou no entendimento do juiz, que deu a guarda para Hernani. "Na verdade, deveria haver um acompanhamento da vida dessa criança, para observar a atuação do pai", comenta a Dr.ª Patrícia Zacariotti. (Veja mais em A melhor alternativa é a guarda compartilhada).

*Nomes fictícios

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