Saturday, 21 de September de 2019

GERAL


Movido pela dança

Coluna "O Tocantins é de quem faz" traz Serginho Moreira

04 Feb 2009

O salão vazio, com dois ou três tamboretes coloridos e almofadados, é o cenário da entrevista que se estende por longos minutos após o primeiro cruzar de pernas. O barulho da chuva daquela manhã - como uma das poucas a se ter em Palmas - dispensava o gravador de voz e dava lugar à tradicional caneta. Depois de alguns telefonemas, começamos a entrevista.

“Do berço do samba para a dança de salão”. Assim, entre um cigarro e outro, Serginho Moreira lembra da sua infância no Rio de Janeiro, onde começou a dar os primeiros passos na dança e na vida. Como quem daria tudo para mudar de assunto, Serginho confessa que passou grande parte da sua infância no subúrbio do Rio. “Eu não tenho muito a falar da minha infância. Fui criado sem nenhuma espécie de luxo.”

Como passista da Escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, Serginho jamais imaginou sair da capital carioca, até surgir a proposta que marcaria sua carreira. “Recebi um convite para montar um projeto em Palmas, junto com a bailaria Luna Batista. Adorei a ideia.”

- Mas, como foi a adaptação ao clima da cidade? – questionei.

- Foi aí que me apaixonei ainda mais, revela Serginho.

Com o talento na ponta do pé, e para os negócios, Serginho descreve momentos difíceis da carreira e revela episódios em que sofreu abusos e preconceitos. “Todo bailarino é taxado como homossexual. Eu não sou homossexual”, acentuou, e logo acrescenta: “As pessoas têm mania de julgar as outras pelo que elas fazem. Colocam tudo num bolo, e julgam”.

Como quem veio para interromper a conversa - que já ganhava um tom de intimidade e descontração - o telefone toca. Foram dois ou três minutos. Na volta, Serginho continua o mesmo assunto; desta vez, a postura ereta e os gestos indicavam o início de um diálogo mais formal. O jeito foi mudar de conversa.

– E quando você chegou aqui? Como foi?

– Eu vim para Palmas na época certa. Eu via essa cidade como um imenso terreno a ser construído. Daí, fui à luta.

Antes disso, o artista explica que teve que recusar uma proposta de trabalho na Espanha. “No início, fiquei um pouco relutante em vir para Palmas por causa de outra proposta fora do país. Até que, nesse tempo, perdi uma grande amiga num sinal de trânsito do Rio. A violência daquela cidade foi o estopim. Eu tinha que ir embora”. E continua: “Eu acredito que cada um de nós tem um destino traçado. Eu não me arrependo de ter vindo. Aqui me casei e aqui pretendo ter meus filhos e realizar meus sonhos”.

As viagens, a faculdade de Direito, a Espanha... Tudo isso foram planos que ficaram para trás. Serginho diz não se arrepender das escolhas que fez durante a carreira para tentar a vida em Palmas. “A única coisa de que me arrependo é de não ter começado antes e me dedicado mais”. Acerca dos projetos para o Tocantins, Serginho pretende montar duas filiais da Escola Serginho Moreira nas cidades de Araguaína e Gurupi. Transformar a Escola em um Instituto de apoio social também está dentro dos projetos do artista. “Ainda tenho muito que fazer por aqui”, respondeu.

Serginho Moreira vive a cerca de 10 anos em Palmas, casou-se com a adorável jornalista Arlete Santos, e é um dos filhos do Brasil que escolheu esta cidade para viver e crescer. Ele é um “tocantinense que faz”.

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