Friday, 18 de October de 2019

GERAL


Causas indígenas

Fórum Social pretende fomentar discussões

06 Apr 2010

Começa nesta quarta, às 19h30, e segue até dia 9, no Anfiteatro da Universidade Federal do Tocantins (UFT), o III Fórum Social Indígena do Tocantins – ‘ Novos olhares, novas perspectivas para os povos indígenas’. Este ano, os Krahôs serão homenageados através do sábio Pedro Penõ (veja box).

Lúcia Fernanda Joféi Kaingang, primeira indígena mestre em Direito no Brasil, fará a palestra de abertura sobre ‘biodiversidade e conhecimentos tradicionais: povos indígenas e mudanças climáticas’. Kaingang é uma das fundadoras do Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade Intelectual, que trabalha com a execução de cursos de legislação brasileira em aldeias

As discussões a cerca desses povos que habitam o Brasil antes da chegada do “homem-branco” é uma forma de dar visibilidade social para os quase 12 mil indígenas do Tocantins, divididos em sete povos: Apinayé, Krahô (povos Timbira), Javaé, Karajá e Karajá-Xambioá (povos Iny), Xerente (povo Akwê) e Krahô-Canela.

O intuito, segundo os organizadores do fórum, é reunir indígenas, estudantes e representantes de entidades ligadas ao trabalho em prol do índio, para discutir temas como inovação e práticas para conservação ambiental, desafios dos direitos indígenas, empreendimentos em terras indígenas, educação indígena, ensino superior, e sua cultura em geral. No último dia, serão formados grupos de trabalhos onde serão elaboradas propostas de políticas públicas para os setores: terra e sustentabilidade, saúde, agricultura, cultura, infra-estrutura e educação.

 

Quem foi Pedro Penõ

Chefe da Aldeia Pedra Branca, Pedro Penõ faleceu no dia 7 de fevereiro de 2002, com 95 anos. Penõ assumiu a liderança da aldeia quando tinha 33 anos, e sua principal função foi ajudar na demarcação do território Krahô. Ele se destacou pela habilidade em negociações, na sua velhice, tornou-se um dos mais respeitados sábios indígenas. 
 
Para conseguir as terras, Penõ caminhou a pé até Goiânia indo depois para o Rio de Janeiro, então capital do país, para conversar com Getúlio Vargas. As terras foram demarcadas em 1951, com sua habilidade, ele expulsou posseiros e garantiu a liberdade do povo Krahô para viver em suas terras. 
 
Além de lutar pela sobrevivência do povo Krahô, Penõ resolveu situações de conflitos diversos e em 1897, juntamente com uma equipe de jovens Krahôs, foi buscar a Kiyré, uma machadinha de pedra semilunar, sagrada para o povo Krahô, que estava no Museu Paulista da USP. A devolução da machadinha merece um capitulo a parte, o reitor da universidade realizou uma cerimônia para oficializar a entrega da machadinha. O instrumento teria sido levado para o museu, em 1949, por um antropólogo. A machadinha é um símbolo tão importante paro o Krahô, que representa o coração da tribo. Ao retornar para a aldeia com a machadinha, houve uma grande festa, e daí em diante, Penõ passou a contar as histórias e lendas criadas em torno da sagrada machadinha. Mas a devolução da machadinha não foi fácil, a comitiva ficou em São Paulo quase três meses. Os detalhes do resgate da machadinha estão no livro ‘De longe, toda serra é azul’, histórias de um indigienista, escrito por Fernando Schiavini. 
 
O maior legado que Penõ deixou para os brasileiros,sejam indígenas ou não, é a paciência e perseverança na luta pela conquista dos seus sonhos, direitos e ideais. Era um homem de palavra, acima de tudo honesto, verdadeiro e pelo que conta os escritos históricos sobre a sua vida, era um cidadão de alma pura, um espírito superior, que cumpriu na Terra a sua missão, garantir a dignidade ao povo Krahô. (Ascom Seciju)

 

PENSAR VERDE

Quando a índia moça vira mulher

Segundo o mito, no princípio os índios Karajá viviam no fundo das águas do rio Araguaia com os peixes e tartarugas. Naquele lugar todos viviam eternamente com saúde plena, não existiam grupos familiares e entre homens e mulheres não havia relações sexuais. Apesar disso, a vida era muito monótona e cansativa.
Num certo dia, eles resolveram sair das águas e subir ao nível terrestre em que vivemos e passaram a viver em sociedade. Desde então os Karajá habitam inúmeras aldeias às margens do rio Araguaia.
Em um passado distante, havia numa aldeia uma moça virgem filha de um pai extremamente enciumado. O ciúme desse velho índio Karajá era justificado por ser a sua filha a mais bela e atraente mulher de todas as aldeias.
Tentando proteger sua filha de uma vida cheia de problemas ele determina que aquele que quiser desposá-la deve mostrar seu valor, cumprindo uma série de provas de valentia, coragem e determinação.
Observando as qualidades da jovem moça apareceram inúmeros pretendentes e o pai, pouco a pouco, foi eliminado um a um, através da exigência do cumprimento de várias provas. Entre as provas exigidas tinham-se: a coleta de mel de abelhas venenosas, a pescaria de peixes nobres e raros, caçadas em meio à floresta, demonstrações de força e resistência etc.
No final de um longo período, um jovem índio destemido consegue cumprir todas as provas impostas pelo pai da moça, de forma que ele autoriza o casamento. Mas mal sabia ele que o futuro sogro prepararia um último teste. O sogro capturou um punhado de piranhas vermelhas e colocou dentro do útero da filha.
O jovem índio duvida do fato, mas sabendo da agressividade das piranhas não resolve arriscar. Para comprovar se as piranhas estavam mesmo ali ele resolve pedir ajuda ao macaco-prego. Então ele oferece ao macaco-prego a possibilidade de deflorar a moça. E o macaco-prego, prontamente se dispõe a fazê-lo. Logo que tenta concluir o fato, aquele símio sofre uma mordida voraz, acabando por perder o prepúcio. Isso justifica a ausência do prepúcio entre os macacos-prego desde então.
Após ter se certificado de que as piranhas estavam ali, o jovem índio resolve buscar conselho com um amigo que o orienta a usar uma planta especial para matar as ferozes piranhas.
Depois de um longo esforço ele consegue matar quase todas elas, de forma que fica restando apenas uma pequenina no útero da moça.
Essa piranha ainda hoje está presente no útero de todas as mulheres e periodicamente fica agitada. Quando isso ocorre, ela morde as paredes do útero causando dores e sangramento na mulher, ocasionando assim a menstruação.
Durante a menstruação os homens não têm relações sexuais com suas mulheres, pois podem ser atacados pela pequena piranha.
Nesse período também, as mulheres não podem consumir alimentos de origem animal, especialmente as carnes, pois a presença do sangue nas carnes estimula a agressividade da piranha ocasionando inúmeros problemas de saúde.
Para muitos de nós acostumados com informações técnicas e científicas cheias de embasamentos teóricos complexos podemos achar uma bobagem, e até mesmo absurdo, tal explicação para a origem da menstruação. Mas conforme sabemos os mitos e as lendas estão repletas de valores intrínsecos que podem passar despercebidos para aqueles que não conhecem bem a realidade de uma certa comunidade.
O mais curioso desse mito é que ele não busca somente explicar a origem de um fenômeno fisiológico, mas aponta inúmeros elementos que justificam as relações e o modo de vida dos Karajá.
A História da sociedade, o casamento e as relações sexuais entre os Karajá tiveram início com a aliança firmada entre o marido e o sogro. Desde então, o genro deve pagar um preço ao sogro pela esposa desejada. E o futuro marido deve deixar a casa de seus pais e passar a morar na casa do sogro. Esse aspecto é importante, pois diferencia os Karajá de inúmeros grupos indígenas e de outros povos. No nosso caso, a mulher é quem geralmente deixa a casa dos pais e passa a integrar a família do futuro marido. Um forte reflexo disso é que a mulher passa a carregar o sobrenome do marido, diferentemente dos genros Karajá que passam a integrar a família dos sogros.
Ao conhecermos os valores e costumes de outros povos podemos refletir sobre o nosso próprio modo de vida e passar a respeitar melhor aqueles que são diferentes de nós.
    

Por Giovanni Salera Júnior, mestre em Ciências do Ambiente e Especialista em Direito Ambiental. Atualmente é Analista Ambiental do Governo Federal.

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