Saturday, 21 de September de 2019

GERAL


Salão do Livro

Jornalista lança livro sobre ativista Lurdinha

17 Mar 2010

O Lourdes Lúcia de Gói é uma simpática professora que mora sozinha numa quadra central de Palmas. A sua casa revela seu gosto pelas plantas e pelos livros. Amável com os vizinhos, ela chamava a atenção pela solidão e introspecção. Uma de suas vizinhas é a jornalista Yanna Barbosa que achava engraçado aquela senhora tentando aprender a dirigir nas ruas da quadra. “Ela levou dois anos para aprender dirigir, dava até pena”, conta a jornalista que também é capitão da Polícia Militar.

Em 2007, Yanna Barbosa organizou a exibição do documentário Raimunda, a Quebradeira para o alto escalão da PM, no quartel do Comando Geral. O vídeo contém um depoimento da professora, narrando o período dos conflitos pela posse da terra no Bico do Papagaio, do qual Lurdinha foi uma das protagonistas. Terminado o filme, um coronel “das antigas”,  fez um comentário com Yanna. “Esta Lurdinha e o padre Josimo  são perigosos. A Lurdinha pegava uma camioneta enchia de metralhadora e distribuía para os posseiros”.

A jornalista se espantou:  “Não é possível, coronel! A Lurdinha é minha vizinha, levou dois anos só pra aprender a dirigir, só mexe com flores e mora sozinha”, retrucou. A partir daí a vizinha passou a se interessar pela história daquela mulher que há 20 anos estava numa espécie de auto-exílio depois do assassinato do seu companheiro de luta, o padre Josimo em 1986. “Isso dá um livro. Quero contar esta história”, pensou Yanna. E deu.

Foram três anos de pesquisas, incluindo viagens ao Bico do Papagaio, ao Jalapão e conversas com ex-militantes da luta pela terra na região do Bico. O resultado é um relato bem feito  e detalhado da trajetória desta mulher que nasceu na zona rural de  Ijuí (RS), passou por Ceres, em Goiás, e caiu no barril de pólvora chamado Bico do Papagaio dos anos 80. Yanna descreve estes cenários, transportando o leitor para o clima de tensão da época e vai compondo a personalidade de Lurdinha, que fez votos de freira no Sul, mas optou pela militância quando se deparou com as injustiças da região.

No livro Yanna Barbosa entrevistas as freiras Frances Madeleine Rousse e Maria Marie Beatrice, que atuaram com Lurdinhana evangelização e sindicalização dos trabalhadores. As duas freiras classificam Lurdinha como uma “noviça rebelde”, e contam histórias dos riscos a que ela estava submetida. Prisões, ameaças, processos fizeram parte do cotidiano de Lurdinha em mais de 10 anos de trabalhos no bico.

Numa das passagens mais famosas, ela e padre Josimo, foram acusados de derrubar um posto telefônico construído pela prefeitura num terreno da igreja. Os dois foram indicados e presos. “Lá no bico ventava muito, pode ser que o vento tenha derrubado”,  cogita uma das freiras francesas.  Este é só um dos episódios que o livro narra sem a pretensão de investigar ou denunciar a violência na região. “Quando eu estava escrevendo o livro, o inquérito sobre a morte do padre Josimo foi reaberto, por isso evitei entrar neste assunto que ainda é uma ferida aberta na região”, esclarece Yanna.

Com 150 páginas e editado pela Usina das Letras, do Rio de Janeiro, o livro Lurdinha, Pelos Caminhos do Bico do Papagaio, será lançado dia 22, às 10 horas da manhã, no Café Literário do Salão do Livro, com a presença da própria Lurdinha, das freiras francesas e de dona Raimunda, Quebradeira. “Vamos reunir os amigos de Lurdinha, já que ela nunca mais voltou ao Bico desde o assassinato do padre Josimo”, anunciou Yanna, lembrando que época, Lurdinha era considerada a “próxima” da lista dos pistoleiros da região.
 

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