Thursday, 03 de December de 2020

GERAL


O fascinante aroma do poder

24 Jun 2008

"Há de fato dois modos de se violar a justiça: um é pela violência física, o outro é pela fraude. Este tem a façanha do leão, aquele a da raposa" - Marco Túlio Cícero.


Com essas palavras, o grande mestre da oratória forense que viveu no período de 106 a 43 a.C. determina os modelos de injustiça praticada pelos homens nas suas diversas relações já naquela época. E, aqui, minha atenção se volta aos nossos políticos e governantes, que, em sua grande maioria e no decorrer da história, têm se comportado das formas acima citadas.

No começo das relações humanas, a tomada do poder ocorria pelo o uso da força do arco e da espada. Com o passar do tempo, essas práticas violentas foram caindo em desuso e quase não funcionam mais, com exceção do modelo americano, que ainda persiste pelo uso de armas, visando manter a indústria bélica em ascensão econômica, e, por causa disso, tem que produzir guerras, invadir países e apossar-se dos bens alheios pela força.

Fora disso, os homens têm preferido a astúcia, e nela se deleitam, pois esse modelo de fazer política e conquistar o poder produz resultados bem mais eficientes, sem derramar sangue. A arte de fazer política, ensinada por Maquiavel, atrai numerosas milícias de astutos políticos, que, moldados nessa metodologia filosófica, aprenderam a sorrir quando estão tristes, abraçar mendigos nas praças e feiras, tomar café de todas as marcas e sabores mil vezes por dia, e afirmar para o eleitor: "que cafezinho gostoso!".

Dando continuidade a essa prática, exercitam ainda a arte de pegar criançinhas nos braços e beijá-las demonstrando sentimentos de afetos paternais. Aprenderam ainda a beber cachaça com os "pés-inchados" rezar para qualquer santo, orar com os grupos religiosos, consultar feiticeiros, ir a ranchos de profetas, participar de vigílias de orações, tomar banho de descarrego, agora também nalgumas igrejas evangélicas, e escancarar as portas da casa, alugada temporariamente para visitação do eleitor.

Fazem isso atraídos pelo desejo excessivo do poder, tendo como doutrina o que dizia o mestre Maquiavel: "os fins justificam os meios". Com base nisso, qualquer sacrifício é válido por uma temporada curta, para depois esquecê-lo nas delícias da vida palaciana, por longos anos.

Ali, nos palácios, em suntuosos gabinetes refrigerados, o sorriso dá lugar à arrogância, os abraços afetuosos ao distanciamento dos pobres. Café só com selo de pureza, bebidas têm que ser importadas das altas refinarias escocesas, mendigos nem passar perto. Todos os gestos afáveis da campanha eleitoral são esquecidos, e o bem comum que deve, por forma de lei, ser tutelado por quem governa fica em planos posteriores, ou talvez nunca, em função de interesses pessoais.

Estou convencido de que a política é uma ciência extraordinária, é tão necessária que dela ninguém pode prescindir, suas ações estão presentes em tudo que fazemos e consumimos. Na sua verdadeira prática, deve está inserida a ética, o decoro, a verdade, e, sobretudo o sentimento social. Quem faz política com ética visa primeiro o bem comum, e só depois o particular, se for possível, porque o bom exercício da administração pública se constitui em ofício às vezes sacrificante, quase um sacerdócio ministrado ao povo, pois é o povo que tem na mão o mais valioso instrumento do exercício da cidadania: o "voto", por meio do qual pode mandar sentar e levantar-se da cadeira do poder os seus representantes.

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