Saturday, 24 de October de 2020

GERAL


Professor e Aluno

11 Feb 2009

De um modo geral, falar de professor e aluno é falar de ensinar e de aprender. Neste artigo, vou discutir essa relação introduzindo nela a concepção do diálogo como seu componente imprescindível.

Uma forma sensata para se entender a questão da relação professor/aluno - ensinar/aprender é o diálogo. Um diálogo é, no fundo, uma conversação entre pessoas, em que cada uma permanece como sujeito para outra, uma conversação, por exemplo, em termos de Buber, entre um "Eu" e um "Tu". O contrário de um diálogo é um ato de manipulação ou injunção verbal, em que uma pessoa se impõe a uma outra, convertendo esta última num objeto de sua vontade, expressa em fala. Infelizmente, a maior parte do ensino não passa de manipulação ou prepotência. O aluno é compelido a submeter-se diretamente à vontade do professor ou a um acervo de conhecimentos inflexíveis de que o professor é o guardião.

O ensino não será um diálogo se o professor for interpretado como um instrutor, alguém que age como simples intermediário entre o aluno e a matéria. Quando o ensino é entendido como instrução, o professor é "desvalorizado" e converte-se em veículo para a transferência de conhecimento, ao mesmo tempo em que o aluno é "desvalorizado" e transformado no produto dessa transferência. Quando o professor faz da matéria que leciona parte integrante de sua experiência íntima, pode apresentá-la ao aluno como algo que promana dele mesmo. Assim, professor e aluno podem encontrar-se como pessoas, porque o conhecimento que o professor oferece deixou de ser algo que lhe foi dado para ser um aspecto de sua própria condição.

A discussão de um assunto, dentro de uma sala de aula, deve ser conduzida através da apresentação do maior número possível de pontos de vista. O professor deve empenhar-se em apresentar a matéria como produto do pensamento de muitos homens e como um foco de contínua atividade intelectual. Esse é, de fato, o status de todos os conhecimentos que importam, uma vez que, para o conhecimento perdurar, ele deverá ser reinterpretado e produzir novos significados em uso. Não é tarefa do professor impor uma interpretação ou infiltrar uma entre as defesas do aluno, pois isso "desvalorizaria" o aluno, convertendo-o em objeto de um estratagema de ensino. Pelo contrário, após uma discussão completa, o professor deve oferecer ao aluno o que acredita ser a melhor visão do assunto e perguntar-lhe se aceita ou não. O professor deve apresentar à classe vários pontos de vista para suscitar uma genuína discussão da matéria. Após a discussão, ele deve oferecer à classe o ponto de vista que ele próprio formou sobre o assunto. Deve solicitar a cada aluno que examine esse ponto de vista, conferindo-o com sua própria experiência, na qual se inclui o conhecimento adquirido nessa aula e nas aulas anteriores.

E se o aluno rejeitar a "interpretação" do professor? Ora, ele está no seu direito. Afinal, o professor não precisa, necessariamente, ser "bem sucedido", mas ele deve ser, necessariamente, honesto. A honestidade leva ao êxito, pois, se o professor é honesto com o aluno, este confia nele, e a confiança gera seus frutos. Numa atmosfera de confiança mútua, o aluno sabe que a interpretação de uma matéria pelo professor é arguta e o professor sabe que o aluno analisará essa interpretação com o respeito que merece. Assim, o diálogo que é a educação assenta na confiança entre pessoas, uma confiança que o professor deve ganhar pela integridade e criar com habilidade.

Ao encetar um diálogo, o professor encoraja o aluno a pensar por si mesmo. Interroga o aluno sobre suas idéias, propõe outras idéias e leva-o assim a escolher entre alternativas. O aluno perceberá então que as verdades não acontecem aos homens; são por eles escolhidas. Lamentavelmente, muitos alunos pensam que aprender é apenas uma questão de se "empapar de informação". Ora, o conhecimento é adquirido por esforço ativo, nunca fechando a mente ou o coração e sempre procurando verdade mais profunda do que aquela que se possui. Alunos e professores devem interrogar-se constantemente uns aos outros. Infelizmente, a educação hoje, no mundo inteiro, está conturbada. As pessoas são arrebanhadas em "fábricas educacionais", onde são processadas e amoldadas uniformemente, sem levar em conta as características únicas da personalidade de cada um. Os professores são forçados, ou pensam que são, a ensinar de acordo com diretrizes traçadas para eles. Esse sistema é alienante para o aluno e para o professor. É tempo de mudar.

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