Thursday, 24 de October de 2019

GERAL


Artigo

Programa Espacial brasileiro empaca

11 Apr 2009

Por Mario Eugenio Saturno (*)

Neste início de ano, o INPE teve um corte em seu orçamento de R$ 45 milhões em um momento em que nunca foi tão importante ter um programa espacial de monitoramento do desmatamento e mudanças climáticas. Aliás, ao contrario do que fez o presidente dos Estados Unidos que aumentou o investimento em Ciência e Tecnologia em 100 bilhões de dólares. Esse corte é uma pá de cal no que há de bem-sucedido no Programa Espacial Brasileiro que já vem agonizando há muito tempo, com perda de pessoal, não capacitação da indústria nacional, principalmente pela descontinuidade de recursos e missões.

Em 1989, meus colegas, voltando da China, relatavam em minúcias as aventuras por aquele país, como um Marco Pólo, com uma diferença, estávamos na frente em muitos aspectos. Hoje, pouco progredimos, já eles, tem até astronauta lançado por foguete próprio. Qual o segredo? O segredo é que eles investem e tem leis apropriadas para a área. Obviamente investem muito mais que nós e não tem as leis restritivas como nós temos, e diria mais, temos uma interpretação da lei muito pior que deveria, que se veja o TCU e a Justiça.

Outros que acharam uma solução foram os argentinos. Eles criaram um empresa, a INVAP, em 1976, pela Comisión Nacional de Energía Atómica de Argentina e pelo governo de Rio Negro. Inicialmente para o programa nuclear e, atualmente, também para o programa espacial. A empresa foi instalada em San Carlos de Bariloche, dentro do Parque Nacional Nahuel Huapi. A cidade dispensa apresentações. A empresa ocupa somente 10.000 metros quadrados e emprega mais de 540 empregados diretos. Com apenas esse contingente, eles foram capazes de avançar na área nuclear, tornando-se exportadores de reatores nucleares e equipamentos para Cobaltoterapia. Também alcançou sucesso na área espacial, obtendo inclusive qualificação pela NASA. Um caso de sucesso que precisa ser estudado melhor e servir de exemplo para uma nação eternamente no berço.

Considerando o sucesso dos nossos “hermanos” precisamos rever nossos paradigmas e essa é uma missão para nossos políticos. É preciso definir que tipo de nação continental queremos ser e se iremos a reboque ou teremos nossa independência proclamada por um Pedro e que agora a nação precisa de outros pedros que criem as condições para isso.

Não custa lembrar a defesa que um cientista do INPE, Dr. Hinckel, fez em 2005 em um simpósio no CTA – Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial. A formulação de um programa espacial sustentável e compatível com as necessidades e os recursos do Brasil, deve contemplar primordialmente as telecomunicações e a observação da Terra e deve ter três a seis missões anuais para ter sustentabilidade técnica e econômica, com satélites de 500 a 3.000 kg em órbita baixa e de até 1.500 kg em órbita geoestacionária e veículos lançadores apropriados. Uma opinião para se refletir e agir

(*) Mario Eugenio Saturno é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano. (Email: mariosaturno@uol.com.br)


Relatório

O Brasil e o Espaço

José Nivaldo Hinckel (hinckeljn@gmail.com)

1 de abril de 2009

1) Porque um programa espacial brasileiro

A razão primordial para um programa espacial é o acesso aos recursos impares da visada global proporcionada pela grande altitude. A visada global abre amplo leque de missões de comunicação e observação com cobertura de grandes extensões da superfície terrestre. A exploração destes recursos, inicialmente para fins estratégicos militares e de defesa, e posteriormente para fins comerciais e científicos, deu origem aos abrangentes programas espaciais americanos e soviético das décadas de 50 a 70 do século passado, refletindo a atuação e interesse globais dos mesmos neste período crítico da Guerra Fria. A partir da década de 70 a Europa (ESA), China, Índia Japão e Brasil deram também grande impulso aos seus respectivos programas espaciais. Estas iniciativas foram também impulsionadas em grande parte por interesses estratégicos destes países; interesses estes relativos aos seus próprios (e vastos) territórios e crescente amp  liaçE3o de atividades e interações comerciais com outros países e exploração de recursos marítimos.

O Brasil, por sua extensão territorial e distribuição populacional, vastas regiões de fronteira e costa marítima e crescente pojeção no cenário internacional é claramente grande beneficiário potencial de exploração intensiva de recursos espaciais.

A eficácia da ação do estado depende fortemente da circulação de informações. Uma ação importante nesta direção é o estabelecimento de uma cobertura comunicações de todo o território terrestre e marítimo com suficiente largura de banda e capilaridade. Satélites são indispensáveis para o estabelecimento deste tipo de infra-estrutura. A implantação e operação deste tipo de serviço em bases puramente comerciais é impraticável e requer uma ação dirigida do estado.

A disponibilidade de uma infra-estrutura deste tipo poderá ampliar e agilizar enormemente o fluxo de informações entre as diferentes esferas e órgãos do estado.

A disponibilidade de recursos espaciais é também um requisito essencial para a implementação e atuação de forças de defesa tanto nas condições atuais quanto no futuro previsível. Forças de defesa modernas são equipadas com meios de comunicação e sistemas de informações e localização geográficas integrados.

A capacidade de localização geográfica de recursos com grande precisão e a comunicação de grandes volumes de informações com elevada frequência são determinantes para a realização de objetivos de defesa. Os recursos espaciais potencializam esta capacidade de forma não replicável por outros meios.

A ampliação de comércio marítmo e exploração de recursos na plataforma continental tornam também urgentes a capacidade de monitoração e controle de embarcações em grandes extensões marítimas. A visada global proporcionada por satélites é indispensável para esta função.

2) Diagnóstico: Situação atual

Uma análise, mesmo superficial, das atividades e projetos em andamento dos programas mencionados acima, torna evidente o descolamento do programa espacial brasileiro em relação aos outros programas mencionados acima, especialmente a partir do início da década de 90. Enquanto esses programas avançaram, tanto na parte de acesso ao espaço com o desenvolvimento de veículos lançadores com cobertura de largo espectro de missões espaciais, quanto na produção de satélites de comunicações, observação da Terra e exploração científica, o escopo e objetivos do programa brasileiro foram progressivamente encolhidos e postergados.

O programa de veículos lançadores, após tres tentativas mal-sucediades de lançamento, encontra-se em estado vegetativo, com perspectivas praticamente nulas de reativação em sua formulação atual. O programa de satélites demonstrou vitalidade inicial com a construção e lançamento dos satélites de coleta e dados. Os satélites de observação a serem desenvolvidos internamente a partir da década de 80 sofreram sucessivas metamorfoses e adiamentos, sem nenhum lançamento com sucesso até o presente, e com perspectivas pouco promissoras no horizonte previsível.

O programa de desenvolvimento de satélites de sensoriamente remoto em cooperação com a China, foi iniciado como uma parceria razoavelmente equilibrada quanto a decisões programáticas e gerenciais e atribuições técnicas. Entretanto, como reflexo do grande descompasso dos respectivos programas nacionais, cresceu enormente a ascendência técnica, gerencial e programática da parte chinesa, ficando a parte brasileira relegada a atuação coadjuvante, apesar de crescente participação orçamentária no programa.

O desenvolvimento de satélites de comunicações foi praticamente abandonado.

É notável e preocupante a desconexão do programa de satélites conduzido no INPE com os seus clientes potencialmente mais importantes. Um programa de caráter nacional, como se pretende o brasileiro, somente faz sentido se atender a uma gama de missões de interesse nacional amplo; sistema de defesa e uma grande quantidade de organismos que necessitam de comunicações e informações geográficas com cobertural total e contínua do território terrestre e marítimo.

3) Sustentabilidade técnica e econômica

Uma característica importante de atividades econômicas envolvendo complexidade e diversidade tecnológica, ampla infra-estrutura e com longos prazos de maturação é a elevação crescente do patamar de sustentabilidade técnica e econômica destas empreitadas. Haja vista a grande consolidação empresarial ocorrida em áreas como automobilística, aeronáutica, eletrônica, farmacêutica e inúmeras outras. Não há razão para esperar que a área espacial seja uma exceção a esta tendência.

O ritmo atual de produção e lançamento de 3 a 5 satélites por década é claramente insuficiente para a sustentabilidade técnica e econômica a esta atividade. Do ponto de vista técnico, este ritmo é insuficiente para manter um quadro técnico suficientemente motivado e proficiente para a condução das atividades num patamar mínimo de confiabilidade. Neste ritmo, a proficiência do quadro técnico tende a regredir e é praticamente impossivel agregar e treinar novos profissionais para perpetuar o conhecimento adquirido anteriormente.

A ociosidade da infra-estrutura dedicada torna-se também extremamente alta, comprometendo seriamente a proficiências dos operadores de equipamentos caros e complexos.

O envolvimento e contratação de empresas privadas para prestação de serviços e componentes torna-se igualmente proibitivamente caro e arriscado, sobretudo daquelas empresas com grande dependência e dedicação a esta área. A alta intermitência de atividades nestas empresas, ocasiona uma grande rotatividade de profissionais e dificuldade de manutenção de capacitação técnica. A inserção destas empresas em outras áreas de atividade é altamente desejável, mas difícil de ser realizada.

4) O que deve ser feito

Do ponto de vista puramente técnico, a formulação de um programa espacial sustentável e compatível com as necessidade e recursos do Brasil, é tarefa que pode ser realizada com razoável confiança por profissionais com vivência prolongada na área e familiaridade com os principais programas espaciais desenvolvidos em outros países. A tarefa consiste em extrair destes programas um núcleo de missões com grau de complexidade não muito elevado, mas que ainda atendam a uma ampla gama de demandas dos diversos setores clientes potencias de serviços de natureza espacial. Não se pode deixar de notar que os clientes inciais destes serviços são em sua maioria os diversos órgãos do estado.

Estas missões devem atender primordialmente demandas de comunicações e observação da Terra e devem prever um ritmo mínimo de três a seis missões anuais num prazo de cinco a dez anos para prover sustentabilidade técnica e econômica ao programa.

É razoavelmente seguro antever que tais missões involvam a construção de plataformas com massa total de 500 a 3.000 kg em órbita baixa e massa de até 1.500 kg em órbita geoestacionária.

Esta definição fecha também os requisitos básicos para a reformulação de um programa de veículos lançadores.


Quem desejar outras informaçoes podem pegar o pdf da apresentação do Dr. Hinckel no CTA:

http://catanduvaemdia.com/transp/1SBPL_Palestra_3-2005.pdf

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