Palmas, 20/10/2017

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ICMC

Um Instituto de portas abertas para a comunidade

  • Em seus 45 anos, o ICMC vem proporcionando mudan√ßas na vida de milhares de pessoas com cursos, eventos e diversas oportunidades

Henrique Fontes

Um Instituto de portas abertas para a comunidade



Transforma√ß√£o. Objetivo que muitos almejam um dia, mas n√£o sabem exatamente como alcan√ßar. Transforma√ß√£o na rotina, na forma de pensar, na maneira de ser. Pode ser conquistada de formas diferentes e em infinitos lugares, por√©m, para cerca de 8 mil pessoas, ao longo dos √ļltimos 10 anos, um local em espec√≠fico foi o respons√°vel por lhes proporcionar mudan√ßas: o Instituto de Ci√™ncias Matem√°ticas e de Computa√ß√£o (ICMC) da USP, em S√£o Carlos.

Aprender rob√≥tica na pr√©-escola, a programar um computador na adolesc√™ncia, a cantar em um coral ou, ent√£o, a mexer em tablets e smartphones na terceira idade. Essas s√£o algumas experi√™ncias que o ICMC vem proporcionando para a comunidade ao longo dos √ļltimos anos. "Ao oferecer atividades como essas, n√≥s atuamos na educa√ß√£o, que pode ser medida pelas transforma√ß√Ķes que ela proporciona. Isso vai fazer a diferen√ßa, pois aqueles que recebem esse conhecimento est√£o num processo de evolu√ß√£o e tamb√©m ir√£o transform√°-lo", explica Solange Rezende, professora do ICMC.

Uma das primeiras atividades de extensão realizadas pelo ICMC foi o Programa de Verão em Matemática em 1982. O evento reuniu alunos em fase final de graduação, pós-graduandos e pesquisadores de matemática que participaram de workshops, palestras e cursos. A iniciativa existe até hoje.

Os anos se passaram e as a√ß√Ķes de cultura e extens√£o foram sendo ampliadas. S√≥ nos √ļltimos 10 anos, contabilizam-se 307 cursos ou atividades oferecidas para a popula√ß√£o e, em 2016, houve 1,4 mil participantes nessas atividades, um aumento de mais de 300% em rela√ß√£o a 2007. Um dos cursos de extens√£o mais recentes criados pelo ICMC foi o de Pr√°ticas com Tablets e Celulares, que ensina os idosos a lidar com essas tecnologias n√£o t√£o comuns em seu dia a dia.

"A vida não se acaba com muita idade, eu quero me atualizar e aprender sempre", conta Antonio Zanette, de 76 anos, que participa do curso. Quem também está gostando das aulas é Maria Inês Sega, 70 anos. Antes de participar da iniciativa, ela sabia apenas ligar e desligar o celular, hoje já consegue se comunicar com a família por meio das redes sociais e faz um elogio aos monitores do curso: "Fico admirada em ver a paciência com que eles nos tratam. Eles sabem tudo sobre tecnologia e conseguem descer no nosso patamar, passando uma energia muito boa".

Coordenado pelas professoras Maria da Graça Pimentel e Renata Pontin, a primeira edição do curso ocorreu no primeiro semestre de 2015. Durante as aulas, alunos de mestrado e doutorado do Instituto auxiliam os idosos com as atividades propostas e analisam o desempenho obtido por eles para aplicar os resultados em suas pesquisas. Sandra Rodrigues foi monitora do curso e concluiu recentemente seu mestrado pelo ICMC, no qual estudou acessibilidade e usabilidade na web com foco em idosos. "Poder constatar a evolução dos nossos alunos e perceber que conseguimos inseri-los no mundo digital é muito gratificante", relata.

A professora Solange destaca que muitos alunos, ao realizaram suas pesquisas durante o mestrado, o doutorado ou o pós-doutorado, têm buscado desenvolver projetos relevantes para a sociedade, que possam ter um impacto positivo na vida das pessoas. "Quando uma pesquisa proporciona um benefício para a comunidade, você vai além do artigo publicado e faz muito mais do que lhe é exigido", conta a docente, que já contribuiu com diversas iniciativas da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP.

Multiplicando a rob√≥tica ‚Äď As atividades relacionadas √† rob√≥tica tamb√©m v√™m sendo destaque ao longo da d√©cada. Para alunos da creche da USP, em S√£o Carlos, e do Projeto Pequeno Cidad√£o, o primeiro contato com essa √°rea de pesquisa come√ßa cedo, por meio do curso Introdu√ß√£o √† Rob√≥tica. Crian√ßas de 4 a 6 anos e adolescentes de 14 a 16 aprendem, com o uso de kits rob√≥ticos, conceitos de matem√°tica, como opera√ß√Ķes aritm√©ticas, sequ√™ncias num√©ricas, conceitos de dist√Ęncia, al√© m de seguimentos de retas e curvas.

"Levar esse tipo de conhecimento pode despertar nas crianças e jovens o interesse por ciências exatas e engenharias, além de desenvolver nelas um espírito inovador", explica a professora Roseli Romero do ICMC. Além dessa iniciativa, outros cursos também são oferecidos, como o preparatório para a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), evento que tem sua etapa regional realizada anualmente no ICMC.

"O p√ļblico em geral se sente atra√≠do por tecnologias e a rob√≥tica tem um atrativo a mais que √© o de possibilitar a integra√ß√£o de conhecimento de hardware e software. As pessoas se sentem motivadas a tentar entender como a m√°quina funciona e desvendar isso √© algo desafiador", conta a professora.

Descobrindo voca√ß√Ķes ‚Äď "Um dos nossos objetivos √© ensinar alunos do ensino m√©dio ou cursinho a como programar um computador. Assim, eles podem decidir se √© a carreira de computa√ß√£o que desejam seguir em suas vidas", diz Raul Rosa, um dos 10 monitores do Projeto Codifique, promovido pelo Programa de Educa√ß√£o Tutorial (PET-Computa√ß√£o) do ICMC.

Os jovens que cursam o Codifique n√£o s√£o os √ļnicos beneficiados pelo projeto. As aulas s√£o ministradas por estudantes de gradua√ß√£o do ICMC, fato de grande relev√Ęncia para eles: "√Č muito bom levar um pouco do que a gente aprende aqui para pessoas de fora da USP e serve como oportunidade para falarmos em p√ļblico e organizar uma aula. Foi um crescimento pessoal", conta Raul que est√° h√° um ano e meio no projeto.

O estudante afirma que as aulas s√£o bem descontra√≠das e n√£o existe uma separa√ß√£o entre professor e aluno. "Os pr√≥prios participantes dizem que n√£o esperavam que a rela√ß√£o seria t√£o pr√≥xima". O coordenador do Projeto, Luan Orlandi, ressalta a import√Ęncia de proporcionar uma atividade como essa para os jovens: "Com o Codifique, voc√™ pode despertar o interesse da sociedade pela computa√ß√£o".

Soltando a voz ‚Äď "Quando soltam suas vozes sensibilizam a plat√©ia e podem fazer a diferen√ßa na vida de muitos". O autor dessa frase √© Anderson Alexandre, presidente da Comiss√£o de A√ß√£o e Integra√ß√£o Social (CAIS) do ICMC e um dos respons√°veis pela cria√ß√£o do Coral da USP S√£o Carlos.

Anderson conta que a id√©ia de criar um coral era um sonho antigo: "Eu pensava em algo que agregasse √† comunidade e o Coral √© uma atividade que, al√©m de integrar, melhora a qualidade de vida e traz benef√≠cios para a sa√ļde f√≠sica e mental". Depois de muitos anos lutando para que o sonho se tornasse realidade, eis que chega o segundo semestre de 2015 com a abertura das primeiras inscri√ß√Ķes. A iniciativa conta hoje com a participa√ß√£o de alunos, funcion√°rios, docentes e membros da comunidade s√£o-carlense.

"√Č muito importante oferecer oportunidades como essas para todos, pois abrimos a porta da Universidade, al√©m de proporcionar um ambiente agrad√°vel e descontra√≠do", conta Anderson. O escolhido para reger o Coral foi o maestro Sergio de Oliveira, fundador do Coral da USP Ribeir√£o Preto.

Após um ano de sua criação, o sucesso da iniciativa se comprova a cada ensaio. Segundo Anderson, o grupo está mais fortalecido e conta hoje com um repertório bem eclético: "A lágrima no rosto de quem está assistindo a uma apresentação é um grande retorno e mostra que estamos no caminho certo. Para nós, concluir cada ação que desenvolvemos é a maior recompensa, pois assim deixamos uma semente para que as pessoas possam cultivar".

Texto: Henrique Fontes - Assessoria de Comunicação do ICMC


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