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Publicada em 05/12/2013


Livro

O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura, será lançado dia 9

Ao narrar um dos crimes mais reveladores do século, Padura realiza uma ambiciosa e fascinante investigação sobre as contradições das utopias libertárias que moveram o século XX




O homem que amava os cachorros, de Leonardo Padura, será lançado dia 9


Esta premiadíssima e audaciosa obra do cubano Leonardo Padura, traduzida para vários países (como Espanha, Argentina, Portugal, França, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha), é e não é uma ficção. A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.

Esse ser obscuro, que Iván passa a denominar “o homem que amava os cachorros”, confia a ele histórias sobre Mercader, um amigo bastante próximo, de quem conhece detalhes íntimos. Diante das descobertas, o narrador reconstrói a trajetória de Liev Davidovitch Bronstein, mais conhecido como Trotski, teórico russo e comandante do Exército Vermelho durante a Revolução de Outubro, exilado por Joseph Stalin após este assumir o controle do Partido Comunista e da URSS, e a de Ramón Mercader, o homem que empunhou a picareta que o matou, um personagem sem voz na história e que recebeu, como militante comunista, uma única tarefa: eliminar Trotski. São descritas sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético, numa série de revelações que preenchem uma história pouco conhecida e coberta, ao longo dos anos, por inúmeras mistificações.

As duas trajetórias ganham sentido pleno quando Iván projeta sobre elas sua própria experiência na Cuba moderna, seu desenvolvimento intelectual e seu relacionamento com “o homem que amava os cachorros”. A narrativa das histórias entrelaçadas dá o ritmo a uma leitura tensa, que Gilberto Maringoni chama no prefácio de thriller histórico, influenciada pela experiência de Padura na literatura policial, sob a sombra do final trágico que se aproxima a cada página. “Mesmo para quem não se interessa pelos fatos históricos subjacentes à narrativa de Padura, seu romance impele o leitor a uma tensão permanente em torno dos preparativos para a realização de um crime de repercussões mundiais”, afirma Frei Betto na orelha do livro.

Ao narrar um dos crimes mais reveladores do século, Padura realiza uma ambiciosa e fascinante investigação sobre as contradições das utopias libertárias que moveram o século XX. Três processos mitológicos – a Revolução Espanhola, a Revolução Russa e a Revolução Cubana – são vistos com lupa neste romance, que combina perfeitamente o rigor histórico com o talento ficcional. Nesta história exemplar de amor, de loucura e de morte, o autor retrata os conflitos no stalinismo e a luta entre o socialismo e o fascismo, apresentando ainda uma perspectiva honesta da vida cubana nas últimas três décadas, refletindo sobre as dificuldades econômicas, as questões de comportamento, os êxitos e as insuficiências de uma revolução tropical. “Este romance é como um espelho retrovisor que permite ao leitor mirar, com olhos críticos, as contradições do socialismo e por que a morte de Trotski, decidida por Joseph Stalin, contribuiu para favorecer a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética”, afirma Frei Betto.

A União Soviética foi desmantelada há mais de duas décadas, no entanto, Leonardo Padura não escreve sobre uma disputa superada, mas a partir da Cuba de inícios do século XXI. Para o jornalista Gilberto Maringoni, que assina o prefácio, a importância desta obra vai além da análise histórica: “O homem que amava os cachorros coloca elementos para reflexões sobre novos processos de transformação social. Não o faz através de panfletos ou teorias acadêmicas, que também têm seu lugar. Padura vale-se de um imenso talento narrativo para falar de caminhos e atalhos já percorridos. Mostra que o passado, embora esteja aparentemente resolvido, é uma equação aberta pelos dilemas do presente. Nenhum morto voltará à vida, e o resultado de jogo algum será alterado por conta desse exame. Mas as diferentes leituras que se fizerem de vidas, mortes e dinâmicas históricas dizem muito sobre os passos a seguir”.

Trecho do livro
“– Sim, diga-lhe que sim. Ramón Mercader recordaria pelo resto de seus dias ter descoberto a densidade doentia que acompanha o silêncio no meio da guerra segundos antes de pronunciar as palavras destinadas a mudar sua existência. O estrépito das bombas, dos tiros e dos motores, as ordens gritadas e os uivos de dor entre os quais vivera durante semanas tinham se acumulado em sua consciência como os sons da vida, e a súbita queda daquele mutismo espesso, capaz de provocar um desamparo muito parecido com o medo, transformou-se numa presença inquietante quando compreendeu que, atrás daquele silêncio precário, podia esconder-se a explosão da morte. Nos anos de prisão, dúvidas e marginalização a que o conduziram aquelas cinco palavras, Ramón se dedicaria muitas vezes ao desafio de imaginar o que teria acontecido com sua vida se tivesse dito que não. Insistia em recriar uma existência paralela, um trajeto essencialmente romanesco no qual nunca deixara de se chamar Ramón, de ser Ramón, de agir como Ramón, talvez longe de sua terra e suas lembranças, como tantos homens de sua geração, mas sendo sempre Ramón Mercader del Río, de corpo e, sobretudo, alma.”

Critica internacional
“Leonardo Padura confirma seu status como o melhor escritor de ficção policial em língua espanhola, um digno sucessor de Manuel Vázquez Montalbán.” – The Times

“A elegância com que são traçados os perfis psicológicos, incluindo os personagens secundários, proporciona ao romance de Padura uma densidade e riqueza que poucas vezes se encontram em uma obra narrativa. Um excelente romance, rico em sugestões sobre a condição humana e sobre o nosso mundo.” – El Mundo

“Melhor romance histórico do ano. O assassinato de Trotski é o ponto de partida de um dos melhores romances noirs sobre o século XX. Uma brilhante mistura de realidade e ficção por meio da qual Padura analisa a história e suas revoluções.” – Lire

“Narrativa de tirar o fôlego, uma obra-prima.” – Le Figaro

“Um grande romance habilmente construído sobre uma rigorosa base histórica.” – Livres-Hebdo

“Um romance magnífico, o mais poderoso desse autor. É crítico, sem recorrer a fanatismos, e tem grande densidade humana e intenso dinamismo narrativo.” – La Vanguardia

“Um romance que exala a experiência narrativa dos bons contadores de histórias.” – El CorreoEspañol

Sobre o autor
Nascido em Havana em 1955, Leonardo Padura Fuentes é pós-graduado em Literatura Hispano-Americana, romancista, ensaísta, jornalista e autor de roteiros para cinema. Ganhou reconhecimento internacional com uma série de romances policiais estrelada pelo detetive Mario Conde, mas foi com O homem que amava os cachorros, publicado originalmente em 2009, que se consolidou definitivamente no mundo literário. Traduzida para vários países (como Espanha, Portugal, França, Estados Unidos e Alemanha), esta obra é resultado de mais de cinco anos de rigorosa pesquisa histórica e recebeu diversos prêmios internacionais – Prix Initiales (França, 2011), Prix Roger Caillois (França, 2011), Premio de la Critica (Cuba, 2011), XXII Prix Carbet de la Caraïbe (2011) e V Premio Francesco Gelmi di Caporiacco (Itália, 2010). Em 2012, Padura recebeu ainda o Premio Nacional de Literatura de Cuba pelo conjunto de sua obra. Os direitos de adaptação para o cinema de O homem que amava os cachorros foram recentemente adquiridos pela produtora francesa Compagnie des Phares et Balises.

Ficha técnica
Título: O homem que amava os cachorros
Título original: El hombre que amava a los perros
Autor: Leonardo Padura
Tradução: Helena Pitta
Prefácio: Gilberto Maringoni
Orelha: Frei Betto
Páginas: 592
ISBN: 978-85-7559-357-8
Preço: R$ 69,00
Editora: Boitempo


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